Por: José Gomes Neto
A derrota do Náutico para o Santa Cruz só ratificou o óbvio: enquanto os jogadores que foram contratados para serem titulares não ganharem condição de jogo, ritmo e entrosamento, o que vier a acontecer terá que ser encarado como provisório. Se matematicamente ainda existem chances de o Timbu conquistar o primeiro turno, em termos de futebol competitivo não é possível afirmar o mesmo. Os gols que o time levou foram os mais patéticos desta temporada. Dos sete sofridos nos cinco jogos do Estadual, estes últimos representam bem o que é a vulnerabilidade da equipe.
O pior é ter que ouvir do goleiro Rodolpho que, no Clássico das Emoções, foi justamente a partida na qual ele menos trabalhou. Parece ser contraditório, mas não é. Até porque o goleiro Gottardi também não precisou suar a camisa do tricolor para garantir que a sua barra fosse vazada. A manutenção do tabu a favor do Santa Cruz permanece e o Náutico continua ser vencer o rival, desde o dia 12 de junho de 2004, quando o atacante Jorge Henrique fez 1 a 0, de pênalti, pelo Campeonato Brasileiro da Série B daquele ano.
Incrível o comportamento apático da equipe. Não havia criação, articulação ou mesmo algum lampejo isolado. Sem dúvida, foi o pior jogo que assisti do Náutico, desde a segunda rodada da competição. A mediocridade apresentada pelo time, durante os 90 minutos do clássico, tanto me decepcionou quanto me preocupou. Em termos de futuro, acho que vou ter que aguardar a boa vontade do clube nas regularizações de atletas. Depois, quando eles estiverem com ritmo de jogo, mais soltos e entrosados, aí já começo a Copa do Brasil – o Náutico deve estrear nesta competição no dia 14 de fevereiro.
Quantos aos estreantes, gostei muito do meia Marcel. Experiente, capacitado e com visão ampla de jogo, o jogador mostrou que tem qualidade e que deverá ser muito útil ao esquema tático. O lateral Edinho precisa se encontrar no contexto do time. Já o atacante Beto conseguiu queimar o seu filme. Espero que ele justifique o futebolzinho apresentado pelo tempo parado e o não-entrosamento necessário com Kuki, em termos de jogos oficiais.
No mais, a vitória do adversário foi incontestável e desejo que o Náutico tome vergonha na cara e busque e reabilitação diante do Belo Jardim. Não me iludo com a fragilidade de um time que nem campo dispõe, e só disputa o Pernambucano por questões políticas, mas acredito no poder de reação do Náutico.