MATÉRIA ESPECIAL

Chegamos ao final dos jogos de ida do Campeonato Brasileiro da Série B. Estamos em terceiro lugar e, na pior das hipóteses, permaneceremos nessa posição ao final da próxima rodada. Poderíamos até estar em segundo e decidindo a primeira colocação no jogo contra a Portuguesa, pois tivemos o último jogo nas mãos, sendo inadmissível, com o placar de 3×1, os dois laterais estarem ausentes da posição por ocasião do segundo gol da Ponte Preta.

Temos o hábito de sermos pródigos nas críticas e mesquinhos nos elogios, normalmente por questões políticas, comodismo ou até mesmo quando os fatos contrariam nossa tese de que o time é ruim.

Entendo que o trabalho da Direção do Náutico, no tocante ao futebol, está sendo extremamente positivo neste ano, apesar do insucesso no Campeonato Pernambucano.

Diferentemente de anos anteriores, erramos pouco nas contratações, que foram, em sua grande maioria, de jogadores jovens e de bom nível. Os contratos foram mais longos e o Náutico tem tido participação nos direitos federativos de alguns atletas.

No início do campeonato da Série B, as frases mais ouvidas eram:

a) Vai lutar para não ser rebaixado;
b) O treinador é fraco e mercenário (Waldemar Lento e Waldemar Lesma foram os
apelidos mais citados);
c) Nossa colocação é ilusória, pois o time é limitado, o campeonato é longo e sem reforços não iremos longe;
d) Nossos diretores são incompetentes (alguns, mais exaltados, os tachavam até de desonestos, o que é inconcebível, pois não há nenhum indício de desonestidade na atual gestão de nosso Clube).

Muitos alvirrubros costumam fazer comparações com nosso arqui-rival, o Sport. Enaltecem a “competência” do nosso adversário e tacham nossos dirigentes de despreparados e omissos. No entanto, apesar de todo o dinheiro que possuem, tendo uma folha que representa mais do dobro da nossa, eles foram eliminados na primeira fase da Copa do Brasil, tiveram muito menos pontos do que nós no Campeonato Pernambucano e terminaram os jogos de ida com cinco pontos atrás do Náutico, apesar de terem jogado dez partidas em casa e nove fora. Aliás, dos seis primeiros colocados, o Náutico foi o único a jogar mais fora do que em casa.

Em minha opinião, são as seguintes as razões do sucesso do Náutico, até o momento, no Campeonato Brasileiro da Série B:

a)O treinador, que tem o grupo na mão, trabalha muito e tem demonstrado competência, calando a boca de muita gente, inclusive a minha;
b) A dedicação, a união e o excelente preparo físico dos atletas;
c) A competência de nosso Departamento Médico, pois temos tido poucas contusões e, quando isso acontece, a recuperação é rápida (no caso de Alessandro, contundido, essa competência não se faz necessária);
d) A regularidade de Gideão, Marlon, Ronaldo Alves, Elicarlos e Kieza, todos sérios candidatos a figurar na seleção dos melhores do campeonato;
e) A manutenção dos salários relativamente em dia;
f) A sorte, que tem estado do nosso lado na maioria dos jogos;
g) O baixo nível dos times da Série B.

Apesar da relevância de todos os fatores citados, o principal foi o acerto na contratação do técnico. Faço questão de fazer esse comentário, pois apesar de ter discordado de nosso Presidente do Conselho pelo fato de ter criticado publicamente à Direção pela contratação, eu também a desaprovei. Felizmente, minha tese – e a de boa parte da torcida do Náutico – de que o treinador era fraco e sem pulso, foi contrariada.

Deve ser ressaltada, também, a correta decisão da Diretoria que, apesar de todas as pressões, optou por manter os salários relativamente em dia em vez de contratar novos reforços. É fato que o time é limitado e o elenco pequeno, mas sabe-se que a contratação de jogadores, quando o elenco está com salários atrasados, gera insatisfação, pois, além de causar ciumeira e desconfiança, os novos jogadores exigem um salário adiantado. Ademais, a decisão permitiu que o time ganhasse conjunto, e hoje qualquer garoto sabe a escalação
do time titular do Náutico. E todo o mundo sabe que a melhor contratação é o salário em dia.

Afinal de contas, craque hoje em dia é coisa rara e, portanto, a transpiração vale mais do que a inspiração.

É evidente que não existe garantia de que vamos subir para a Série A, mas com toda certeza vamos lutar por isso. Estou otimista e a retrospectiva dos últimos campeonatos anima. Em 2008 e 2010, três dos quatro que estavam na zona de classificação ao final dos jogos de ida, subiram. Em 2009, subiram os quatro. Em 2006 e 2007, subiram dois.

Como fui um crítico contundente – no fórum adequado, ou seja, dentro do Clube -, das inúmeras lambanças da Direção do Náutico (caso Eduardo Ramos, descaso com as Divisões de Base, Timemania, Todos com a Nota etc.), faço questão de, nesse momento, elogiar o trabalho relativo ao futebol profissional, extensivo aos componentes do Conselho Consultivo (Turton, Américo, Krause e Renê), do Departamento Médico e dos preparadores físicos.

Saudações alvirrubras.

Newton Morais e Silva
Conselheiro do Náutico

Uma resposta a MATÉRIA ESPECIAL

  1. francisco osmar m. junior disse:

    Parabens pela clareza e objetividade de seu análise, sr Newton M. e Silva.
    Acho que com Waldemar se tivessemos a grana do sport estariamos disparados na ponta da tabela

  2. Júlio de Lemos disse:

    Grande Alvirrubro NEWTON MORAIS,

    PERFEITA A SUA ANÁLISE!

    SEM TIRAR NEM POR!

    RESTA, POIS, MANTER A REGULARIDADE AGORA NO SEGUNDO TURNO.

    VAMOS SER CAMPEÕES!!!!!!

    ISSO URGE HÁ MUITO TEMPO!

    Saudações Alvirrubras!!!!!!

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