SÉRIE

Segunda matéria da série sobre a vida de terceiro goleiro mostra como Rodrigo Carvalho deixou escapar a grande chance.

Todo goleiro precisa ter sorte. Principalmente se o atleta é a terceira opção do clube para uma posição onde a alternância é praticamente nula. E sorte foi o que faltou para Rodrigo Carvalho, goleiro do Náutico. Gledson era titular absoluto, mas aí vieram os erros tão esperados por quem aguarda uma chance e uma contusão. Na ocasião, o Timbu tinha uma política de rodízio entre os reservas Rodrigo Carvalho e Gideão.

Com Gledson fora de combate, pelo matemática alvirrubra, a vaga seria de Rodrigo Carvalho, mas por conta de um acordo, Gideão foi para o jogo e não largou mais a posição. Desbancou Gledson e afundou ainda mais a perspectiva de Rodrigo Carvalho, que viu o rodizio ser extinto com a volta de Gledson e passou a ser mesmo o “reserva titular” do técnico Waldemar Lemos.
saiba mais

Posição de goleiro é ingrata? Quem dirá a de 3º goleiro. Calaça e a vida no banco

Numa tentativa de não deixar o atleta desmotivado, o treinador adotou o discurso de que os três goleiros do clube têm condições de ser titular. Mas, tudo fica apenas nas palavras e com o passar do tempo, Rodrigo Carvalho segue cada vez mais distante de vestir a camisa 1 ou até mesmo a 12. E a segunda matéria da série sobre a dura vida do terceiro goleiro do GLOBOESPORTE.COM/PE apresenta a história do arqueiro alvirrubro, que não se considera um reserva.

Gideão e Rodrigo Carvalho, goleiros do Náutico.

Náutico e a tentativa de manter três titulares

A expectativa é a companhia diária, e uma chance entre os suplentes já seria uma vitória. Afinal, no gol a rotatividade é praticamente inexiste. Diferentemente das outras posições, o arqueiro não pode ser improvisado em outros setores do campo, com isso, dois verbos definem a rotina desses profissionais: trabalhar e aguardar.

Manter-se motivado é o grande desafio de quem não enxerga a oportunidade no horizonte. Mas, no Náutico, o terceiro goleiro Rodrigo Carvalho vive outra perspectiva. Aos 26 anos, o arqueiro que foi contratado junto ao Santo André-SP, em 2009, não é visto como um atleta que só serve para compor o grupo. Para o técnico Waldemar Lemos, o alvirrubro é um dos poucos times do país que possuem três “titulares” no gol.

- Hoje o Náutico tem em seu elenco três goleiros que podem atuar a qualquer momento. Não é fácil conseguir ter em um grupo essa qualidade no gol e nós temos.
Rodrigo Carvalho, goleiro do Náutico.

Mas, para atuar na única posição onde o individualismo se faz presente no futebol é necessário ter sorte, e às vezes esse atributo foge quando mais se necessita dele. Foi justamente isso que aconteceu com Rodrigo Carvalho nesta temporada. Contratado para ser um dos suplentes do até então titular, Gledson, o arqueiro reversava com Gideão a camisa 12 alvirrubra. Entre eles e a comissão técnica havia um acordo de que cada um seria relacionado para fazer um jogo em casa e outro fora. E foi justamente aí que o imponderável se fez presente.

Era a nona rodada da Série B e o Náutico teria pela frente o Guarani, nos Aflitos, pela ordem, seria a vez de Rodrigo Carvalho ser relacionado para a partida. Entretanto, por ser paulista e querer ver sua família, ele e o seu companheiro de revezamento, Gideão, resolveram inverter a ordem, para que ele fosse relacionado quando o Náutico fosse jogar em São Paulo. Foi aí que Rodrigo teve a certeza de que as oportunidades podem surgir quando menos se espera. Durante o jogo, o dono da camisa 1, Gledson, sofreu uma lesão no cotovelo esquerdo e teve que ser substituído. Se não tivesse dado a vaga para Gideão, Rodrigo Carvalho teria tido a tão sonhada chance que todo terceiro goleiro espera: a vaga de titular da equipe.

Mas, o destino fez com que, naquele dia, a camisa 1 fosse vestida por Gideão, que fechou o gol e caiu nas graças da torcida, conquistando assim, a posição. Com isso, o cargo de terceiro goleiro foi parar no colo de Rodrigo Carvalho. Mesmo sem traumas, a situação ainda é algo que passa na cabeça do goleiro.

- Olha, não vou falar que eu me arrependo de ter mudado o revezamento com o Gideão. Mas, é claro que bate uma tristeza… Porém, hoje ele vive uma grande fase e merece ser o titular da equipe. Não adianta você se desesperar, as coisas só acontecem quando Deus quer.

Motivação segue viva

A chance passou, mas a motivação não foi abalada. Se a posição de goleiro é solitária, os arqueiros do Náutico se uniram mesmo sabendo que entre eles só um irá jogar. Fora de campo, Gideão, Gledson e Rodrigo demonstram respeito e admiração mútua e nem mesmo a busca por uma vaga no grupo faz com que um inveje a posição do outro. Muito pelo contrario, a regra é a seguinte: quem está fora tenta ajudar o que for escolhido para entrar em campo. E isso não é apenas um discurso político. Durante os treinamentos é comum ver os três conversando com o treinador de goleiro Paraíba, tentando melhorar alguns detalhes e incentivando o trabalho do outro. Para Rodrigo Carvalho, essa união faz a angustia por não atuar ficar em segundo plano.

- Entre os três goleiros do Náutico não existe inveja. O que buscamos é nos ajudar para que possamos melhorar. Hoje, o que nos é passado pelo Paraíba é que qualquer um dos três pode ser o camisa 1. Nós sabemos que o Gideão é o titular, mas temos a consciência que podemos entrar.

Durante toda a temporada, o arqueiro teve a oportunidade de trocar a roupa de treino pelo uniforme de jogo em 17 oportunidades. Em 16 vezes foi parar no banco de reservas, mas a grande chance surgiu na vitória por 3 a 1 sobre o Boa Esporte. Na ocasião, ele atuou no lugar de Gideão, que não foi para o jogo devido a uma virose. Durante os 90 minutos que teve para mostrar seu potencial, o arqueiro mostrou o motivo de ser considerado por todos dentro do clube como um reserva de luxo. A atuação ainda guarda boas recordações para o goleiro.

- Eu fui relacionado em 16 oportunidades e joguei contra o Boa Esporte, é muito bom você entrar em campo e poder mostrar que tem condições de jogar. Não que eu quisesse nada de ruim para o Gideão, mas todo mundo sonha em ser titular e foi muito bom poder atuar.

Aos 26 anos, e com a qualidade reconhecida por toda comissão técnica, seria normal que Rodrigo Carvalho estivesse insatisfeito no clube e buscasse uma melhor sorte em outro lugar. Mas, a paciência é uma dadiva que todo terceiro goleiro desenvolve com passar do tempo. Mesmo atuando raríssimas vezes, ele espera renovar o seu contrato, que se encerra ao final do ano.

- Estou muito feliz aqui no Náutico, me adaptei ao clube e a cidade do Recife, que é maravilhosa. No começo do campeonato eu até recebi algumas propostas, mas o ambiente no clube é muito bom e eu não pretendo sair. Sei que o que posso render e vou esperar a minha chance. Quando ela chegar, certamente eu não a largarei.

Por: Elton de Castro Recife
Foto: Agência Náutico

2 respostas a SÉRIE

  1. wilton Carvalho Jr disse:

    Caro Rodrigo Carvalho,

    Inumeros torcedores esclarecidos esperam pela alegria se Deus quiser de ver o Sr. Gledson soltar a bola nos pés do adversario em outro clube. Paciência, você já entrou em uma partida e mostrou que é de verdade junto com Gideão merecedor da nossa confiança. Assim que esta série B terminar, tenho certeza que este sr. que já entregou varios jogos será dispensado, que é para o ano terminar em grande estilo.

  2. Suely Brasileiro disse:

    Gostaria que explicasem porque este rapaz não é o segundo goleiro! É muito estranho! o Gledson tem ramificações poderoas dentro deste clube, muito estranho. De qualquer modo ninguem poderá segurar Gledson para uma primeira divisão, totalmente sem condições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


9 + 6 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>