Enquanto o futebol de campo encerrava a campanha do HEXA, outra saga iniciava-se em Rosa e Silva. Em 1968 o Náutico sagrou-se campeão pernambucano de futsal. Logo depois venceu o Norte-Nordeste e por fim sagrou-se vice-campeão brasileiro do mesmo ano. A Academia dos Aflitos, como passou a ser conhecida, prosseguiu sua trajetória vencedora sendo campeão pernambucana em 69/70/71/72/73/74 e 75, além de conquistar o Norte-Nordeste em 70,72 e 76. Outras duas vezes voltou a sagrar-se vice-campeã brasileira em 1970 e 72. Mas o Timbu queria mais.
Em janeiro de 1976 com o título pernambucano de 1975 sub judice, o alvirrubro pernambucano rumou para conquistar o tão almejado título brasileiro.
A primeira fase do campeonato teve lugar em João Pessoa no Ginásio do Cabo Branco. A deficiência dos meios de comunicação da época impossibilitou os seus torcedores de acompanhar as batalhas decisivas mais de perto. Ainda hoje, poucos conhecem os detalhes desta conquista inesquecível.
O primeiro jogo teve lugar em 8 de janeiro contra o poderoso Vargas Filho do Ceará, estado que ostentava já um título brasileiro com o SUMOV. Para complicar o central Chico foi expulso. Apenas com três jogadores o Náutico reagiu ao primeiro gol cearense, empatando através de João de Deus. O fenomenal Fêo segurou o 1×1.
Na segunda partida uma goleada de 9×0 contra o Olímpico de Manaus com tentos de Helinho (2), Tochó (2), João de Deus, Mirinda, Martins, Paulo e Jorge.
Encerrando a fase de João Pessoa vencemos por 3×2 o Tuna Luso do Pará com gols de João de Deus (2) e Mirinda.
Naqueles tempos de amadorismo o Náutico fez uma cota para comprar as 15 passagens para Cuiabá, local das finais. O nome dos colaboradores encontra-se hoje no livro de ouro do futebol de salão. Na lista encontram-se nomes tão distintos como Rubens Moreira, Ivan Lima e Fernando Menezes, e inúmeros outros que não vou citar para não cometer injustiças. Além deles o Diário de Pernambuco e a Rádio Clube auxiliaram financeiramente. O Presidente de Honra da delegação foi Gustavo Krause.
Na capital mato-grossense a primeira partida foi contra o Corinthians, então campeão brasileiro. O time paulista fez 1×0 e o Náutico foi pra cima contra o quinteto do Parque São Jorge e contra toda a torcida local. João de Deus carimbou a trave três vezes. Faltando três minutos para terminar a peleja, Tochó recebe um passe de João de Deus e enfia o pé numa bomba: 1×1.
O Náutico então enfrenta o Mackenzie, campeão carioca cujo técnico era Rubinho técnico da seleção brasileira. João de Deus explode duas vezes as redes cariocas: 2×0.
O BANESPA, clube do poderoso banco paulista dos anos 70 e 80 marca dois gols de frente na terceira partida. Mas no segundo tempo numa reação fulminante Tochó e Paulo deixam tudo igual. Vale ressaltar que nesse ponto a torcida já era toda alvirrubra. Cuiabá passou a ser uma filial de Rosa e Silva.
Veio o forte Olímpico de Minas Gerais. João de Deus marcou 1×0. Fêo achou que não ia levar gol. Então fecharam o cadeado e terminou 1×0 mesmo.
O quinto jogo foi contra o Vargas Filho novamente. E novamente o resultado foi 1×1 gol de Paulo. A trave decidiu jogar com os cearenses nesse dia. Mas este placar era na verdade excepcional. Ele permitia aos timbus jogarem por um novo empate na final contra o BANESPA.
Nos primeiros dias de fevereiro de 1976 o mundo anunciava o fim da democracia argentina. Carter se tornaria o primeiro sulista presidente dos EUA desde a Guerra Civil Americana. O Náutico preparava a sua festa de 75 anos com a Orquestra Sinfônica do Recife nos salões do clube.
Em Cuiabá entravam em quadra 13 homens e um destino: A V Taça Brasil. Um sonho acalentado durante oito longos anos de suor e garra.
O técnico Ranulfo Guilherme queria a vitória. E os jogadores foram buscá-la, embora o empate já fosse suficiente. Com um gol de Tochó, o Náutico vence o BANESPA, sagrando-se Campeão Brasileiro de Futsal após três vice-campeonatos seguidos. Receberia a Taça da CBD e o Troféu Estado do Mato-Grosso. O Ginásio local reconheceu o banho de bola aplaudindo de pé os heróis alvirrubros.
No mesmo ano o Náutico se sagraria bicampeão invicto mirim de Pernambuco.
Os heróis:
Goleiros: Fêo, Xaxá e Alexandre
Alas: João de Deus, Alberto, Jorge e Paulo
Centrais: Martins, Chico e Aluisio
Pivôs: Helinho, Tochó e Mirinda
Técnico: Ranulfo Guilherme
Preparador Físico: Elói dos Santos
Diretor: Joaquim Pereira
Uma verdadeira geracao vencedora. fazia parte deste maravilhoso grupo e neste exato ano fiquei em Recife fazendo meu vestibular de arquitetura e hoje sou profissional.
Mas que a Uniao detse grupo e o talento dos atletas hehe era brincadeira!!!!! tinha um conjunto exemplar e a bola encontrava os jogadores parece que havia um controle remoto nas maos de ranulfo rsssssss
Quem viesse pela frente era vitima.
Depois ainda conseguimos alguns titulos com a nova geracao – 77 e 78 e depois 80 e 81.
Realmente uma GERACAO VENCEDORA e me orgulho de ter vestido a jaqueta alvirrubra na epoca.
Faz parte de minha vida e formacao como cidadao e hoje profissional e pai de familia. Isso eh o Nautico !!!!!!!!!!! Formando vencedores e fazendo historia.