ELEIÇÃO

Uns dirão: vamos bater chapa, eleição é mecanismo democrático, é melhor a disputa do que o consenso fajuto, quem ganha assume o poder, quem perde vai fazer oposição e a instituição segue em frente, oxigenada.

Outros dirão: é melhor não bater chapa, o discurso eleitoral é invariavelmente contundente, um lado vai demonizar o outro, desqualificando propostas e correndo o risco de resvalar para o plano pessoal, este é o registro histórico da luta política dos clubes onde prevalecem fortes emoções.

Os primeiros estão teoricamente certos, mas os segundos têm em seu favor as lições da experiência.

No caso do Náutico, vou fazer um prognóstico: não sei quem ganharia as eleições, sei quem seria derrotado, em qualquer hipótese, o clube.

E a razão é simples: mais do que divergências conceituais, os ressentimentos enrustidos ou ostensivos, as prevenções e as idiossincrasias pessoais, a busca de tola paternidade pelos avanços e conquistas dos três últimos anos, dariam o tom do debate e o resultado seria caco de gente e de clube para todo os lados.

A lenga-lenga seria mais ou menos assim: “nós somos os grandes artífices do soerguimento do Náutico!” “Que nada, nosso grupo é que é o tal e se não fôssemos nós nada seria realizado. Vocês são uns incompetentes!” Daí para pior, esta luta besta em que se destacariam as faltas, as deficiências e não o mérito das contribuições que cada um deu, na medida de suas possibilidades e aptidões para que o Náutico se tornasse o que é hoje: uma agremiação renascida, vigorosa e viável.

Tudo, fruto de obra coletiva e que, portanto, não tem dono.

O caminho da perdição não seria romper a coesão e, sim, aprofundar a fragmentação.

Com o que aprendi, nos últimos tempos, dentro do Náutico, posso afirmar, com convicção, que é impossível levar a bom termo a gestão do clube sem que haja ampla cooperação.

Na minha opinião, só há um caminho, não bater chapa, o que admite duas variantes.

A primeira é operar a alternância entregando o poder ao grupo que está desejoso de assumi-lo e se preparou para o desafio. Os que, como eu, estão atualmente na direção têm três opções: participam, se quiserem, da nova diretoria (é proibido patrulhar), cooperam sem ocupar cargos, divergem da solução e exercem o sagrado direito e saudável papel de oposição responsável.

A segunda é tentar a solução clássica para momentos como estes na vida das organizações, qual seja, buscar um nome (e nomes existem) que esteja acima de facções e seja capaz, senão de unir, de evitar a dispersão.

Em 99, defendi que se evitasse o confronto eleitoral. Os espíritos mais impacientes rosnaram. O destino, então, escreveu certo por linhas tortas. Em 2001, estávamos todos juntos, comemorando um feito heróico: Náutico, campeão do centenário.

Se a gente ajudar um pouquinho, o tempo e o destino vão arrumando as coisas pelo bem do Náutico.

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