Há um objetivo que os clubes pernambucanos buscam há tempos: formar craques e lucrar com eles. O Náutico começa a dar mostras de que está no caminho certo. Em 2012, o Timbu revelou Auremir, volante/lateral-direito que foi parar no Vasco devido ao bom futebol apresentado nos Aflitos (para onde voltou este ano). O lateral-esquerdo Douglas Santos também se destacou e foi convocado pela seleção brasileira sub-20. Agora, a aposta da vez apontam para o meio-campo Marcos Vinícius, considerado uma jóia pela diretoria timbu, e o atacante Renato, artilheiro do clube nas duas últimas competições do time sub-20. A confiança na garotada é tanta que eles ganharam a chance de representar o clube no início do Pernambucano 2013. À frente dessa nova leva de atletas está o ex-jogador e hoje técnico Sérgio China.
- A transformação está sendo rápida. Todo mundo está falando do juvenil e o Náutico nunca tinha dado tanta oportunidade às categorias de base. Isso passa pela mentalidade da diretoria e do técnico dos profissionais, Alexandre Gallo. Uma coisa é o clube utilizar esse tipo de atleta quando está mal financeiramente, outra coisa é o que está acontecendo nos Aflitos. O Timbu está muito bem, na Série A, ganhando recursos e mesmo assim está com a filosofia de investir no futuro. Essa é a diferença. Está sendo um investimento e não uma urgência. Daí ocorre a valorização na base.
O resultado do último sábado, pelo Estadual, quando o sub-20 Náutico venceu o Ypiranga por 3 a 1 com um futebol vistoso, mostra que o clube está colhendo os frutos das ações. A expectativa é que alguns desses jovens cheguem ao mesma patamar de Douglas Santos. Depois que foi para a Seleção Sub-20, o jogador ficou mais valorizado e qualquer clube que quiser tirá-lo dos Aflitos terá que pagar uma multa de R$ 23 milhões.
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- O investimento está maior, pois com o time profissional indo bem, consequentemente essa boa fase vai se espalhando pelo clube. É mais verba para fazer peneira, para buscar uma jóia e até os jogadores de fora agora querem vir para o Náutico.
Tanto Auremir (21 anos), quanto Douglas Santos (18) passaram por Sérgio China. A dupla serve de referência para os meninos que almejam ter uma oportunidade no grupo principal do Náutico.
- Eu brinco que quando os garotos chegam à Seleção esquecem dos técnicos que os formaram. As pessoas passam por várias etapas na vida, por muitso treinadores e é normal que os últimos sejam os mais lembrados, mas fico muito feliz de vê-los bem. Quando Auremir foi promovido para o profissional, ele me deu uma camisa do Náutico. Para que eu quero uma camisa do Timbu, se é o que eu mais tenho em casa? – questiona, com bom humor, Sérgio China.
O treinador, no entanto, sabe da importância do seu trabalho.
- Isso é reconhecimento, gratidão por eu ter dado oportunidade a ele. Quero a satisfação dos meninos, que eles vençam na vida. Isso é melhor do que qualquer presente.
Para os garotos da base do Náutico, cuja idade varia de 16 a 20 anos, Sérgio China é mais do que um treinador. O próprio técnico revela que faz questão de ter o estilo “paizão” com seus pupilos.
- Pego no pé deles, tento orientar. Cobro coisas que podem ser consideradas bobas, como dobrar ou lavar uma roupa. Chego e digo: “Você não vai lavar a cueca? Vai ter que aprender no esporro da mulher?”. Eles perguntam: “Mas professor, você também leva bronca?”. Eu respondo: “Lógico, aprendo todo dia”. Assim vou ensinando.
Sérgio China garante que o apoio ultrapassa as quatro linhas do campo.
- Teve um menino que não era tão bom, mas tinha muita vontade e agora está em um clube que disputa a Série A do Brasileiro. Ele chegou para mim com um problema gigante. Tinham matado um primo dele por tráfico de drogas e os marginais estavam ameaçando ele. O garoto não estava envolvido e conseguimos resgatá-lo diminuindo o período que ele ficava em casa. Comecei a criar atividades no clube para esse atleta e o chamei para morar na concentração. Ele conseguiu se mudar para a residência de um parente em outro bairro e o livramos.
O Náutico oferece aulas educativas que abrangem desde informações sobre doenças sexualmente transmissíveis até gerência financeira. A medida é necessária para que os garotos consigam administrar bem a vida fora de campo.
- Tínhamos um atacante talentoso, que tinha futuro. Conversava com ele para que se interessasse no futebol, que estudasse, mas não adiantou. Acabou criando problema e saindo do Náutico. Ainda joga, mas está em um clube pequeno. Às vezes não dá, são apenas duas ou três horas no clube e o restante do dia com más influências. Me dói quando acontece uma coisa dessa, quando um garoto se perde.
Experiência na base agrada
Aos 46 anos, o ex-meia do Santa Cruz nas décadas de 80 e 90 chegou ao Náutico em 2005 para comandar as categorias de base. Passou dois anos nos Aflitos e foi se aventurar em outras agremiações até retornar em 2009. Em 201,2 chegou às quartas de final do Brasileiro sub-20 e nesse ano alcançou a segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, feito incomum pelo retrospecto alvirrubro nestas competições.
- Os resultados estão acontecendo, as coisas estão melhorando. O Náutico é um clube de massa, tradicional e as boas campanhas e os títulos fazem com que o nosso jogador se acostume a ser um vencedor. Começaram a surgir talentos e torcida está acreditando nesta filosofia. Foi uma surpresa encontrar seis mil alvirrubros no Carneirão para a estreia do Timbu no Pernambucano. Era um campeonato profissional, mas em campo estava o time é sub-20 e mesmo assim as pessoas viajaram para prestigiar.
Sérgio China garante que está satisfeito no comando da base e que, a princípio, não pensa em ser técnico de uma equipe profissional.
- Às vezes o treinador da base fica com vontade de assumir um time profissional. Já tive a chance no Santa Cruz, mas gosto demais de estar com a garotada. É o lugar onde eu posso ensinar algo, passar meu conhecimento como professor de educação física, como técnico e como ex-jogador. A equipe principal foca o resultado. No caso dos meninos, o mais importante é a formação. Lógico que se surgir uma boa proposta, eu aceito. No entanto prefiro ficar com os juniores.
* Com informações do repórter Lula Moraes
É isso aí garotos.
Um dirigente do Flamengo, Carlos Langoni, que já foi presidente do Banco Central, falou que eles estão pensando em lançar um fundo de investimento relativo à formação de jogadores da base do clube.
Acho que é uma ideia fantástica, que o nosso Náutico poderia adotar.
Os torcedores e investidores em geral comprariam cotas, as quais seriam influenciadas no rendimento pelo que o Clube arrecadasse com a venda de atletas.
É um investimento de risco, sem dúvida, mas muitos dos que acompanham futebol considerariam até o risco uma diversão a mais no futebol.
E haveria mais cobrança, mais controle por parte dos torcedores/investidores sobre as decisões dos dirigentes.
E poderia ser lucrativo para todos:
a) mais dinheiro para investir na base. Melhores condições aos garotos, mais atratividade para o CT, pois seria uma referência para aqueles que querem buscar o futuro no futebol;
b)melhor governança. Investidores gostam de segurança na gestão de seus recursos.
c) posssibilidade de boa rentabilidade aos investidores.