HISTÓRIA

Pacaembu, 1966. O centroavante Bita do Náutico marca 4 gols nas redes do Santos de Pelé. Gilmar observa incrédulo.

Ah, aqueles uruguaios dos meus tempos de menino. Traiçoeiros. Habilidosos. Celestes.

A gente fazia um gol e eles não desistiam. Vinham aos milhares. Das planícies, dos pampas, da Província Cisplatina.

Scarones, Ceas, Castros, Gighias.

Quando os pirralhos apaixonados por futebol não queriam dormir a mãe logo murmurava em seus ouvidos:

“Olha que eu mando chamar o Obdulio!”

Ontem quando coloquei meus pés nas ruas em volta do Estádio dos Aflitos eu me vi em plena Villa Del Cerro. Na Avenida Rosa e Silva milhares de camisas vermelhas e brancas. Mas os homens usam chapéu e as mulheres sombrinhas.

Quando olhei para trás já não via o Estádio dos Aflitos. Sob meu olhar incrédulo se erguia o Centenário de Montevidéu.

Bita é negociado em 1967 com o futebol uruguaio. Vai jogar no Nacional de Montevidéu. Ah, esses uruguaios, sempre nos passando a perna.

Quarenta e um anos depois dos 4 gols nas redes do inesquecível Gilmar, Silvio Tasso Lasalvia, o Bita, ressuscita com a camisa 25 do Clube Náutico Capibaribe.

Em um baile digno do Teatro Solís, o antigo ídolo alvirrubro agora atende pelo nome de Acosta. Acosta que veio do Peñarol, o inimigo ancestral do Nacional.

Um troca-troca com 4 décadas de atraso.

E com a mesma frieza Acosta faz 4 gols nas redes do time da estrela solitária.

Sei que amanhã os estatísticos, os digitais, os realistas irão provar que foi tudo uma ilusão. Com gráficos, palavras e números, principalmente números, tentarão seduzir os apaixonados torcedores para a dimensão terrena, onde habitam os dias e as noites. Onde habita o óbvio. Onde reina o chão.

Porém meus olhos apaixonados guardaram marejados a sombra do velho Centenário erguendo-se em pleno Recife. E meus olhos insistem em enxergar Bita se movendo pelas linhas que dividem o campo de futebol e a realidade fria e imediata.

Porque a vida, o amor e o futebol possuem uma coisa em comum: O sonho!

Ah, esses uruguaios do meu tempo. Traiçoeiros. Habilidosos. Pedros Rochas.

Celestes.

Uma resposta a HISTÓRIA

  1. Clodomiro de Santana Filho disse:

    Está provado.A melhor contratação do Glorioso Clube Náutico
    Capibaribe para a temporada 2007, atua fora do campo:É o
    competente Advogado Osvaldo Sestário.Da maneira que ele
    defende os Direitos do Clube fora das quatro linhas,talvez
    este Senhor possa organizar o planejamento do Clube como um
    possível presidente.
    Saudações Alvirrubras!!!!!!

  2. Odomiro Barreiro Fonseca Filho disse:

    O QUE MAIS ME ENCANTA NO NÁUTICO É ESSE LADO LÚDICO QUE AS CORES ALVI-RUBRAS SUSCITAM!! COMO É BONITO NOSSO ESTÁDIO ARRODEADO DE PRÉDIOS QUE PARECEM SE DERRAMAR PARA ASSISTIR AO TEATRO TIMBU, ONDE O CARDÁPIO VARIA DO CÔMICO AO TRÁGICO! VIVA O NÁUTICO, QUE NÃO SE ENVERGONHA DE GANHAR E PERDER, PORQUE A VIDA É ASSIM! VALEU NÁUTICO, PARABÉNS PELA CRÔNICA, VIVA ACOSTA!!!

  3. Aurélio disse:

    BELEZA DE CRÔNICA Sr.ROBERTO VIEIRA!

    Agora por favor, Acosta "LEMBRAR" BITA, DOI! DOI! DOI!

  4. André Filho disse:

    Fazia tempo que via uma apresentação dessa de um jogador, Acosta jogou demais!! O timbu deu alegria novamente, espero que a sorte tenha voltado de vez porque já estava na hora!! Geraldo jogou muito, em sintonia com Acosta, na raça e correndo todo jogo, Eduardo foi um guerreiro, como Daniel Paulista. Também gostei de Júlio Cesar, mas o tal do Marcelinho é fraco demais e pra mim desperdiçou mais do que ajudou, Radamés precisa começar a aprender a chutar na barra porque não acerta um chute e Toninho parar de fazer besteira lá trás!! Tem que acertar essas falhas porque o timbu vai se dar bem em cima do Goiás, parabéns timbu!! VAMO NESSA TIMBU!!

  5. João Gregório de Araújo disse:

    Que bom, o otimismo voltou, e com ele a esperança
    de sairmos logo deste desconfortável grupo dos 4
    desesperados. O momento agora é da torcida se unir, pensar
    e contribuir com o
    que for possível, mas sempre somando ou multiplicando, e
    nunca subtraindo e dividindo. Nós não somos inimigos de nós
    mesmos, daí não haver razão nenhuma para ficarmos brigando
    entre nós. Temos que brigar (sempre no bom sentido, lógico)
    mas em defesa do nosso glorioso NÁUTICO, para que ele
    continue subindo, sempre em busca de uma melhor posição.
    Àqueles pessimistas que já não esperavam nada mais de
    recuperação, um conselho : fiquem em casa e não atrapalhem
    essa nossa reação. Nossa diretoria faça sua parte, arranje
    dinheiro e ponha salário, prêmio, direito de arena, e o que
    mais for devido, EM DIA, para que os atletas não se sintam
    desmotivados.Outra coisa, o elenco é bom mesmo, e temos que
    manter o máximo, para que no ano que vem não tenhamos que
    sair feito loucos em busca de novas incertezas que nem sempre darão certo.

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