DESEJO

Campeão pernambucano pelo Náutico em 1939, o goleiro Djalma faleceu aos 94 em agosto do ano passado. Ídolo de uma geração, o “arqueiro” fez um pedido que será atendido em uma homenagem inédita no futebol. As cinzas de Djalma serão depositadas em uma das traves dos Aflitos. A homenagem acontece no manhã do próximo sábado. Abaixo confira um artigo escrito por Gustavo Krause sobre o homem e o atleta Djalma.

O AMOR DEPOIS DE MORTE

Gustavo Krause

Alto, bonito, elegante. Um cavalheiro. Nem a travessia dos noventa, prejudicou o porte atlético. Muito menos a maneira gentil de conviver com as pessoas e a doçura sem conta que derramava sobre a família acrescida por abençoados bisnetos.

Djalma Christiano Gomes, cidadão respeitável, escreveu a palavra saudade no coração dos amigos e inscreveu seu nome na história do futebol de Pernambuco, particularmente na história do Clube Náutico Capibaribe, na madrugada da segunda-feira, dia 27 agosto de 2012.

No comovente velório na sede do seu amado Clube, o Grande Benemérito do Náutico, Ricardo Breno Rodrigues ordenou: “Krause fale em nome do nosso Clube”. Confesso que hesitei por um minuto. A minha fragilidade emocional foi vencida pela autoridade de Cacá e por um sentimento de afeição que vinha de longe: conheci Djalma nas palavras do seu velho amigo, meu pai, mediano half de ala (posição extinta pela evolução tática do futebol) e grande admirador de Djalma, o excepcional goleiro da maravilhosa equipe campeã de 1939.

Na véspera falecimento, o Náutico levou um sufoco do seu rival, o Sport, mas a bola não entrou, 0×0. Não resisti e, com o risco da impropriedade para o doloroso momento, disse: “Ontem o Náutico contou com as defesas excepcionais de Gideão e os últimos “milagres” de Djalma, uma rotina quando jogava contra nosso rival”. Lá do céu, tenho certeza, ele gostou do que ouviu.

Djalma fez parte das gerações gestadas pelo maior formador de jogadores do futebol que passou por Pernambuco e pelo Brasil: o genial uruguaio Humberto Cabelli que imortalizou um estilo de jogar futebol com fome canina de gol.

Com seu olhar arguto, Cabelli viu no moço magro e alto que disputava o campeonato intercolegial, pelo Carneiro Leão, um projeto de grande goleiro. Acertou em cheio. Djalma deixara o América, disposto a abandonar precocemente a carreira de atleta, verdadeiramente amador, porque lhe fora negada a transferência para o Náutico, sua eterna paixão.

Eis que passados anos e anos, na praça da Jaqueira, área que, durante décadas foi palco de jogos do campeonato pernambucano, do brilho do goleiro alvirrubro e da seleção pernambucana, encontro Djalma e a preciosa herança paterna: o novo conhecimento da antiga amizade com sabor dos vinhos envelhecidos.

Daí em diante, a cada final de ano quando ele, morando no Rio, passava as férias com a família e, depois, quando voltou a morar no Recife, a convivência aumentou e o afeto grudou. Djalma era um ícone para a turma da Jaqueira que, embevecida, viajava nos relatos emocionantes do futebol em tempos românticos.

A ele dediquei um artigo intitulado “O goleiro”. Um personagem especial do futebol. O único humano que não recebe a indulgência do perdão pelo erro cometido. A solidão e a culpa são suas companheiras inseparáveis. Nabokov, grande escritor e goleiro comparou o goleiro a “uma águia solitária”; Albert Camus, prêmio Nobel de literatura de 1957 e goleiro do Racing de Argel, descreveu o ofício de goleiro como “um dos trabalhos mais solitários que existe”. Sobre a culpa, Barbosa, goleiro da seleção brasileira na trágica derrota na final da Copa de 1950, fez uma declaração pungente: “No Brasil, a maior pena é de trinta anos por homicídio. Eu já cumpri mais de quarenta por um crime que não cometi”.

Agora renovo uma profunda emoção diante do belo e inusitado gesto de Djalma: antes de falecer revelou o desejo de ser cremado e suas cinzas jogadas no chão aonde pisou e brilhou, no campo de futebol, precisamente nas barras do Clube Náutico Capibaribe.

Não conheço precedentes na história universal do futebol.

Homem de fé, Djalma, não padeceu da dúvida que é fonte de todas as angústias.

Acreditou na vida depois da morte.

Acreditou no acolhimento da misericórdia divina.

Deu ao corpo o destino das cinzas.

Deu às cinzas o sentido da imortalidade.

E o sentido da imortalidade consumou-se na certeza de que somente a doação do amor vence a morte.

PS. Sábado, 02 de março de 2013, às dez horas, no campo do Náutico, o desejo de Djalma será cumprido pela família, parentes, amigos e pela grande família alvirrubra.

Por: Imprensa Náutico/Gustavo Krause
Foto: Elton de Castro

7 respostas a DESEJO

  1. valmir disse:

    meu amigo o Nautico nao pode perder rogerio nao o nautico tem que botar uma multa recisoria de 150 milhoes de reais porque rogerio e muito muito mais jogador do que rafinha.
    e se o nautico acelerar o jogo como no começo do 1 turno como os garotos da base fizeram se acelerar a velocidade de renato de joao paulo geraldo e outros nao vai ter pra ninguem esse ano aqui com TIMBA

  2. JOÃO GREGÓRIO DE ARAÚJO disse:

    Desculpem-me estou com pressa e acabei esquecendo-me de mencionar seu nome (joia rara)
    é o ROGÉRIO. Depois escrevo mais, estou de saída, F U I………..

  3. JOÃO GREGÓRIO DE ARAÚJO disse:

    Dirigentes do Náutico e torcedores: nós temos uma joia rara e talvez se não soubermos cuidar, venhamos a perdê-la futuramente, como já perdemos tantas outras (estou falando de joias raras, claro), por exemplo, o Jorge Henrique, que se não é um craque, ao menos é um grande jogador de equipe.
    Vamos ficar esperto, porque os gaviões (demais clubes e empresários do futebol) estão de olho nele !!

  4. Nildo Gomes disse:

    APRENDE A FAZER CONTRATO NÁUTICO…

    Flamengo assina com Rafinha, e multa para clubes de fora é de R$ 130 milhões. Para equipes brasileiras, valor é de R$ 23 milhões. Novo vínculo vai até 2018.

    Rafinha está com contrato novo com o Flamengo
    prorrogação do contrato de Rafinha com o Flamengo foi sacramentada nesta quarta-feira. O atacante, de 19 anos, assinou com o clube por cinco anos. O novo vínculo vai vigorar de 1º de fevereiro de 2013 a 31 de janeiro de 2018. Com a renovação, o clube estabeleceu uma multa rescisória para clubes do exterior de € 50 milhões (quase R$ 130 milhões). Para equipe brasileiras, o valor é de R$ 23 milhões.

  5. wilten disse:

    Nossa é de arrepiar, fica em paz grande alvirrubro que Deus o tenha em um lugar especial, imagino hoje esses jogadores que beija o escudo do time com alguns meses depois vão embora, o que dizer de um senhor desses que faz antes morte um pedido inigualavel,DJALMA ETERNO.

  6. Rodrigo Peixoto disse:

    Isso é que é uma bela história de amor pelo Náutico. Uma vida toda de devoção ao Clube. Vamos aprender a valorizar esses verdadeiros ídolos alvirrubros!

    Se possível, farei-me presente ao evento!

  7. alexander west disse:

    Obrigado Djalma por tudo que fostes, e com certeza estas em um lugar leve e de paz voando, como fizestes repetidas vezes ao alcansar a bola e nos consagrar vitoriosos por suas defesas. Seja recebido de braços aberto por Jesus.

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