‘O ESPORTE CAI. DE OITO’
1935. Estádio da Avenida Malaquias.
Na preliminar Torre e Israelita.
15h45min. Náutico e Esporte. Chuva.
De gols.
Era o dia 31 de março. O Náutico buscava seu primeiro título estadual. O campeonato ainda era o do ano de 1934.
O velho sistema inglês e europeu de misturar temporadas.
O Náutico alinhou com Epaminondas; Oswaldo e Salsinha; Taurinho, Edson e Raphael; Zezé, Arthur, Fernando, Estácio e J. Manoel.
O Esporte formou com Diogenes; Alderito e Fernando Rodrigues; Adhemar, Paulo e Ruy; Alemão, Seixas, Julinho, Marcílio e Rodolpho.
Foi um massacre.
Quando o juiz Harry Leça apitou o Náutico partiu para o ataque e conseguiu um escanteio. Zezé cobrou e Estácio completou: 1×0.
Os rubro negros esboçaram uma reação e Epaminondas salvou uma bomba de Marcílio.
Pra quê?
Edson acha Fernando livre. Fernando encontra o irmão Zezé desmarcado e este toca de cabeça. Sem defesa: 2×0.
20’ e Zezé devolve a gentileza para Fernando: 3×0.
O Timbu queria ser campeão. A espera havia sido longa demais.
23’ João Manoel cruza e Arthur mete pra dentro das redes do Esporte: 4×0.
Nos descontos Estácio solta um foguete e decreta 5×0.
O primeiro tempo mais fulminante da história alvirrubra.
Para infelicidade do leão, tinha mais.
Aos 5’ do segundo tempo Fernando entra driblando Alderito e Fernando Rodrigues e marca 6×0.
O Náutico tem quatro escanteios em seqüência. O Esporte solicita ao juiz o fim do jogo, mas Harry Leça diz que ainda faltam 40 minutos de bola entrando, digo rolando.
Aos 12’ Marcílio marca o gol de honra do Esporte.
20’ Fernando bate forte da entrada da área: 7×1.
O Náutico pressiona, Estácio toca para Arthur e fecha o placar: 8×1!
Muitos rubro negros nunca mais quiseram ouvir falar de futebol.
Dias depois, 7 de abril, aniversário do clube, o Náutico vence o Santa Cruz por 2×1 e se sagra pela primeira vez campeão pernambucano.