‘Faziam um fantasma do Cruzeiro.
O time que venceu Pelé. O time que venceu Pelé.
Quando eles entraram no Mineirão eu confesso que tremi.
Foguetes, palavrões e um hippie de camisa amarela puxando a fila.
Nós éramos apenas uns meninos nordestinos.
Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.
Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.
O Natal também.
E Tostão.
Tostão não metia medo em ninguém.
Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós. Tocando a bola.
De pé em pé.
Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.
Com pouco tempo o Mineirão se calou.
Os mineiros ficaram em silêncio.
Que é o jeito mineiro de ganhar da gente.
Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.
Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes quando a bola venceu Lula Monstrinho.
O Mineirão explodiu.
Recife emudeceu.
Eles eram os campeões brasileiros.
Nós perdemos por 2×1.
Pra gente estava tudo igual.
Mas quando lemos os jornais do dia seguinte a imprensa não acreditava na gente.
Seu Duque olhou na cara da gente e não disse nada.
Nem precisava.
Eu tive pena do Cruzeiro.
Falo sério.
Eles já estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.
Apenas pelo nosso olhar.
A Ilha do Retiro estava lotada.
Gente saindo pelo ladrão.
A gente marcava o meio, mas no Mineirão os gols sairam do Natal e do Hilton.
Os pontas.
Mas naquela noite não tinha Natal.
Nem São João.
Lala mandou uma bomba no ângulo de Raul. Gol.
Miruca bateu um pênalti.
Bola de um lado. Raul do outro.
3×0!
No Campeão do Brasil.
E agora bastava um empate na sexta-feira.
Um empate.
E então nós olhamos pra Lula.
E Lula disse que não ia passar nada.
Não sou bom com as palavras.
Não consigo descrever o que vai na minha cabeça.
Eu atacava. Eles atacavam.
Parecia aqueles filmes de guerra que passavam no São Luís.
O jogo durou horas.
Eles foram se perdendo nas mãos de Lula (FOTO).
Tragados pelo Monstro.
Quando a gente viu tava ganho.
E começou a briga.
O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.
Todo mundo brigou, menos eu.
Eu fiquei pensando que não tinha Santos. Não tinha Cruzeiro.
Só tinha o Náutico no mundo.
Porque naquele instante eu era um campeãodo mundo.
Vestido de vermelho e branco.’
É isso aí. Temos que se espelhar naquela turma de Seu Duque & Cia. Hoje temos Seu Beto & Cia e acredito que o resultado vai ser o mesmo: 3 x 0 na raposa. Avante Náutico !!