DESPEDIDA

Eles não calçam chuteiras, não jogam e muito menos fazem gols. No entanto, constituem parte importante dos Aflitos e são amados por praticamente todos os torcedores. Lamentam o último jogo do Náutico no estádio neste próximo domingo, mas preferem deixar as tristezas de lado. Querem aproveitar até o último segundo do local que se tornou quase uma casa. Vevete, Barulho, Americano, Araponga e Kuki dão vida aos Aflitos. Juntos, os cinco são parte do passado e do presente do clube de Rosa e Sila. E juntos querem seguir no futuro da equipe. O Blog do Torcedor entrevistou o quinteto durante essa semana. As histórias de todos seguem abaixo:

Americano, o ponto de parada de quase todo alvirrubro


Há 15 anos no Náutico, Normar Bortoleti já nem recorda direito qual foi o primeiro lanche que serviu nos Aflitos. Conhecido como Americano, apelido que ganhou de um garçom devido ao nome diferente, Normar é dono de um ponto que funciona quase como parada obrigatória para todo alvirrubro em dia de jogos do Náutico. Sua lanchonete fica na sede social do Timbu e fica cheia quando o Alvirrubro atua seja por qual campeonato for. Os lanches, quase sempre sanduíches, são diversos. E para quem pensa que o movimento é apenas antes das partidas, Americano revela o contrário. “Tem torcedor que fica aqui até meia-noite bem depois que acaba o jogo”, diz ele apontando para as televisões que fazem o ambiente do seu ponto.

Americano não vai para a Arena Pernambuco, por enquanto, garante. Prefere ficar na casa que o acolheu por muito tempo. E já planeja mudanças no comércio para continuar atraindo o torcedor. “Temos que nos adaptar. Para tudo existe alternativas. É verdade que 90% do nosso movimento é futebol, mas vamos ficar. Tem até cliente que já disse que vai assistir a alguns jogos com a gente”, afirma.

A diminuição de rendimento da lanchonete, porém, talvez seja o que Americano menos lamenta no momento. Ele, que não gosta de falar da despedida, diz que vai sentir falta mesmo é do torcedor e das vitórias do Timbu ocorrendo ao seu lado. “Tenho lembranças muito boas aqui. O título de 2001 e o ano passado quando nos classificamos para a Sul-Americana. Vou sentir saudades mesmo é do torcedor. Tenho muitos amigos”.

O Vevete que vem de pai para filho

Quem também revela a tristeza pela despedida dos Aflitos é Samuel Santos, o vendedor de sorvetes conhecido como Vevete por todos. Samuel, que tem 56 anos, está há quase 40 no estádio em um negócio que herdou do pai dele. “A ideia do sorvete foi do meu pai. Sempre fomos alvirrubros. Fico meio triste com o fim dos jogos aqui, mas tenho esperança de vender o Vevete na arena”, diz ele sem esquecer do nome que também foi criação do pai.

O vendedor de laranjas que quer seguir nos Aflitos

Ao contrário de Vevete, Felisberto da Silva Nunes, 59 anos, não sonha em ir para a Arena Pernambuco. O Barulho, como é conhecido no reduto alvirrubro, prefere continuar vendendo suas laranjas nos Aflitos e no centro de treinamento Wilson Campos, na Guabiraba. “Não quero ir para a arena não. Vou ficar aqui mesmo”, afirma.

Sobre a despedida dos Aflitos, Barulho, que está há quase 40 anos no estádio, não pode ter outros sentimento que não seja a tristeza. “Fiz muitos amigos aqui e por isso vou continuar vindo. É minha segunda casa”.

O “dono” das chaves dos vestiários do Náutico

Ele é quase sinônimo de Náutico. Severino Matias de Carvalho, o Araponga, é o roupeiro do Timbu na teoria, porque na prática ele é mais do que isso. Araponga é praticamente o “dono” dos vestiários alvirrubros. “Sempre fui Náutico. Aqui é minha casa. Vivi mais tempo aqui do que onde moro atualmente. São 43 anos de Aflitos”, diz.

Na memória de Araponga a melhor lembrança é o hexacampeonato estadual (63-68) obviamente. No entanto, o seu maior ídolo está na história recente do Timbu. Trata-se do ex-atacante Kuki. “Ele nunca jogou um uniforme no chão. Sempre dobrou e me entregou na mão. O único defeito dele é que não gostava de perder e ficava irritado em certos momentos. Mas Kuki sempre foi uma boa pessoa”, conta.

O ídolo que sonha em fazer o último gol nos Aflitos

Ídolo de Araponga, Kuki começou a fazer história no Náutico a partir de 2001, quando ajudou a equipe alvirrubra a interromper o hexa do Sport. Ele ainda participou dos títulos de 2002 e de 2004, o último estadual na história do clube. É o jogador que mais vestiu a camisa do Timbu, 387 vezes, e o terceiro maior artilheiro do Náutico, com 184 gols. Hoje ele é auxiliar-técnico na equipe, mas nunca esquece as histórias dos tempos de jogador. “Foi aqui que vivi histórias magníficas. Este estádio vai deixar saudades”, diz.

Apesar de ser um dos maiores ídolos do Náutico, Kuki nunca teve um jogo de despedida. A oportunidade, porém, não está longe de ocorrer. No dia 7 de julho, o baixinho fará sua última partida com a camisa do Timbu. O ambiente não poderia deixar de ser os Aflitos. “Quem sabe a gente não faz o último gol”, brinca revelando que vai comprar as miniaturas do estádio para os parentes.

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