O dia em que nasceu o luxo

Havia uma geral de 6 degraus onde, bem no meio do campo, ficava o mítico “balança, mas não cai”, uma torre desengonçada de 3 andares que abrigava as cabines de imprensa e o placar abaixo de um letreiro preto onde se lia “Bardhal”. Sob as arquibancadas (quase atrás dos gols) dois vãos haviam, de onde se via o jogo de pé, no nível do gramado. Mesmo assim, os Aflitos conseguiram a proeza de ter mais de 23 mil torcedores naquela tarde de domingo, junho, 21. Como, não sei. Hoje, ampliado, fica lotado com 18 mil.

Eu estava lá. Espremido por um mar de gente, no alto dos meus 13 anos de idade. Camisa alvirrubra, boné na cabeça e o grito de N-A-U-T-I-C-O pronto na garganta. Fui ao jogo com amigos lá do bairro do Hipódromo. Era pertinho, fomos a pé. Quase não consegui entrar no estádio, de tanta gente. Na Rua da Angustura, uma multidão aguardava a hora de entrar na festa. Mas, eu entrei. E fui testemunhar a História. Era o dia do Hexa.

Naquele tempo, não tinha separação de torcidas. Briga, claro que havia. Mas, logo chegavam e polícia e a paz. Não havia, naturalmente, as “torcidas organizadas”. Corri para a arquibancada do Country Club e lá assisti os dois tempos normais. Vi o Náutico jogar desfalcado de sua zaga titular (Mauro e Fraga), e entrar em campo com um “negão” chamado Fernando Matias, que o Timbu trouxe da Venezuela, onde jogou a Taça Libertadores. Junto vieram Rato, Ede e Ramos. Eu gostava daquele time, embora já fosse o fim de safra das grandes equipes do Náutico na década. Morria de medo das saídas do goleiro Valter Serafim. Ficava tranquilo quando a bola encontrava Jardel ou Ivan, o craque naquele ano de 1968. Ria muito com o carnaval que Miruca e Lala faziam na defesa adversária. E apostava tudo nas cabeçadas decisivas de Nino.

Antes da prorrogação, eu me lembro do juiz Erílson Gouveia se machucando e sendo substituído pelo bandeirinha Armindo Tavares. Aproveitei a parada e desci. Não consegui mais subir para a arquibancada. Fui pro outro lado, o da entrada, onde hoje fica o placar. Foi a minha sorte. De lá, grudado no alambrado, eu vi o ponta esquerda Ede disparar do meio de campo, ir à linha de fundo e cruzar para traz, Ramos chapando a bola para o fundo do gol do bom goleiro Miltão.

Tudo aconteceu aos 2 minutos do segundo tempo da prorrogação. E aí eu não vi mais nada. Nem o fim no jogo. Só me lembro aquela multidão gritando e cantando, atravessando o portão de ferro e indo para o carnaval que já rolava na sede.

Mesmo em junho, nos Aflitos aquele foi um Domingo de Ramos.

Gilvandro Filho é jornalista e alvirrubro

2 respostas a O dia em que nasceu o luxo

  1. Também fiz parte dessa memorável conquista, naquele 21/06/68,já não tínhamos o mesmo time dos outros cinco títulos,na zaga dois desfalques Mauro e Fraga,entraram Ivan Limeira e Fernando matias(pau pra dá em doido os dois),Walter Serafim dando susto nas bolas alçadas na nossa área,do meio pra frente tudo bem,Miruca na direita e Lala na esquerda infernizavam a defesa da coisa louca do mangue, no início da prorrogação, Duque tirou Jardel colocou Edem , deslocando Lala para volante, inicio do segundo tempo da prorrogação Ivam lança Edem em velocidade na Esquerda e vai a linha de fundo,dá um passe voltando para entrada da área e Ramos chega de chapa ni fundo das redes Goooool HEXA, H E X A , H E X A .maior conquista do nosso Clube Náutico Capibaribe. eu estive lá sou uma testemunha desse feito histórico,vamos a partir de hoje refazer esse caminho não mais no acanhado e gostoso Aflitos, mas na Arena Timbu, novos tempos de glorias, quem viver verá. Náutico maior que todos em Pe.

  2. Fabio lima disse:

    tempos de diretoria comprometida e conhecedo
    ra de bons jogadores e do bom futebol e de
    jogadores envergando com orgulho a camisa ver
    melha e branca.hoje temos,um presidente cana
    lha e sem-vergonha,que conseguiu a proeza de
    perder um campeonato que tinha tudo para ser
    nosso,desmontar o bom time que gallo conse
    guiu qualificar e fazer uma boa campanha,colo
    cando jogadores sem garra,sem alma e sem-ver
    gonha em suas caras.esse nanico pigmeu paulo
    vanderley e o principal culpado por tudo de
    ruim que esta acontecendo,por isso pedimos
    pelo amor que este bosta tem a DEUS,que peça
    para sair,renuncie e que com isso,demonstre
    um minimo de bom censo e consideraçao pelo
    clube.

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