Eu comecei a gostar do Náutico ainda menino, 10, 12 anos de idade, morando no interior, início dos anos 40. Ainda sem ter visto o time jogar. Dois episódios a seguir fizeram eu ficar ainda mais apaixonado por meu time do coração. O primeiro logo depois, em 1943. Líder do campeonato, campeão do primeiro turno, desrespeitado pela Federação, o Náutico mandou tudo às favas e abandonou o campeonato. Não houve mais disputa. O Sport, segundo colocado na tabela, foi proclamado campeão. A dignidade do Náutico foi mantida. Três anos depois, em 46, o Náutico se recusou a disputar a partida final do campeonato, contra o Santa Cruz, porque não aceitou ir a campo com um juiz suspeito indicado pela Federação para apitar a final. Agora era a vez do Santa ser proclamado campeão. Nos dois episódios, mais do que o título em jogo, valeu a manutenção da dignidade alvirrubra, pelo menos para meu coração juvenil tingido já na época de vermelho e branco. Renovam-se as esperanças com os acontecimentos recentes. A dignidade está de volta. Salve, salve o Timba!
Por: Roberto Vieira