Valdemar foi o antecessor de Lula Monstrinho no gol do Náutico. Jogou a sua primeira partida pelo alvirrubro em 20 de julho de 1958 e a última, cinco anos depois. Atuou em 211 jogos do Timbu, porém um jogo e uma defesa em especial são eternos.
Em 1970 no México pela primeira vez uma defesa fica guardada na memória dos torcedores. Em um cruzamento de Jairzinho, Pelé desfere uma sensacional cabeçada que o arqueiro inglês Gordon Banks desvia milagrosamente por cima do arco. Apesar da beleza do lance o Brasil vence a Inglaterra e Banks, derrotado pelo tempero da culinária mexicana, assiste na reserva a desclassificação britânica frente aos alemães dias depois.
Em 1960 as grandes defesas eram logo esquecidas. Mas uma fotografia dos jornais da época registrou a maior defesa de um goleiro em campeonatos pernambucanos. A defesa de Valdemar que impediu a virada do Santa Cruz na peleja final do certame.
Estávamos no segundo tempo do prélio. O Náutico vencia por 1×0 gol de China. O Santa pressiona até que aos 16’ Múcio cabeceia à queima roupa. A torcida do tricolor levanta e grita gol. Não entende quando Valdemar salta espetacularmente e numa ponte agarra a bola com a ponta dos dedos – não havia luvas naquele tempo.
Não existia replay, tira-teima. Apenas a estática dos rádios transmitindo na distancia.
O Náutico vence a partida. Todos correm para abraçar Gentil Cardoso, o técnico e Tião que fez o gol da vitória. A festa na sede vira a madrugada.
No dia seguinte uma foto registra o milagre.
Solicita-se ao Vaticano a beatificação de São Valdemar.
Por Roberto Vieira
E a foto que estava até ontem …
Qual era mesmo o jogador do Náutico naquela fotografia do antigo verpertino “Diário da Noite” ?
É isso aí. Vivemos de doces lembranças de um passado que poucos presenciaram. E o futuro segue duvidoso…