O ENCONTRO MARCADO DE LUCÍDIO E BAIANO

O futebol, além do contentamento e da festa na hora do gol e da alegria nas muitas tardes e noites de vitórias memoráveis, me presenteou ainda de quebra com muitas amizades. Baiano foi um dos amigos que fiz no futebol. Desde quando ele arrebentava, fazendo gols decisivos, levando o Náutico ao bicampeonato de 84-85. Eu, na companhia dos familiares e amigos mais próximos, não perdia os jogos do Náutico. No Arruda quase sempre (os Aflitos fora da programação, sendo ampliado), na Ilha do Retiro algumas vezes (lembram-se do gol de Baiano em cima da hora na decisão do turno, na Ilha, em 12 de agosto de 84? Quem esquece?!), também em Paulista, em Jaboatão, em Caruaru. Até em Garanhuns, a gente foi ver jogo do Náutico de Baiano, de Manguinha, de Ademir Lobo, um time que dava gosto ver jogar. De tanto ir aos jogos do Náutico, acabamos nos aproximando, nasceu a amizade. No fim dos anos 80, numa viagem de férias, fui encontrar Baiano, já aposentado do futebol, em Vila Velha no Espírito Santo, sua terra. Vila Velha, assim como Olinda em relação ao Recife, está colada à Vitória, a capital. E tal qual Olinda, também já foi a capital. Estávamos hospedados em um condomínio a pouco mais de 40 km, na praia de Guarapari, em um chalé de pessoa amiga. Toquei o telefone para acertar um encontro para jantar. Não foi possível para aquele sábado à noite, como desejado. Tinha um compromisso inadiável, me falou. Uma agência bancária seria inaugurada naquela mesma noite, e os vidros do prédio, um belo arranha-céu no centro da cidade, tinham sido fornecidos e o trabalho executado pela vidraçaria de propriedade da família de Baiano. Ele, negócio de pai para filho, era quem estava à frente da empresa na ocasião. Mas não tem nada, não – disse Baiano do outro lado do fio. − Amanhã vou almoçar com minha mãe, como faço todo domingo, no litoral, em Anchieta, Guarapari fica no caminho.

Acertamos o encontro em “nosso” apartamento. Que fosse depois da corrida, avisou. Tinha Aírton Sena na parada, não podia perder. E assim foi. Encontro rápido, tempo apenas para a cerveja gelada de antes do almoço e o papo para matar a saudade.

− E o futebol, Baiano? Ainda bate uma bolinha? Não, não dava mais. Não pelas pernas e pela vontade. É que no futebol de salão, nas noites de meio de semana, ou mesmo nas peladas do sábado pela manhã, foram impondo condições pra ele inaceitáveis. Falta perto da risca da área e pênalti, Baiano não pode bater! − Assim, não tem graça, lamentava Baiano. O diabo é que estavam certos os amigos de Baiano! Aqui, em 84 e 85, no bicampeonato, falta com barreira perto da risca da área era meio-gol de Baiano. Na marca da cal, era gol certo. Foi assim que o Náutico ganhou aquele bicampeonato, mais um da sua história. Bons tempos.

Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM

2 respostas a O ENCONTRO MARCADO DE LUCÍDIO E BAIANO

  1. Ricardo disse:

    No Náutico Baiana teve seus melhores momentos de sua carreira.
    Sem dúvida alguma um dos melhores que vi jogar no Náutico.
    Aqueles time de 1983, 1984 e 1985 foram exemplos para o futebol do nordeste do Brasil.
    Três grande times que mereceram o tri campeonato. Pena que em 1983 amarelamos diante de um Santa Cruz apenas guerreiro e de uma burrice daquele tal de Porto em cobrar aquele pênalti em cima de Luis Neto, muito embora a bola tenha entrado.
    Mais fazer o quê. Nos contentamos com o bi campeonato de 84/85 que venho em boa hora.
    Ao Baiano obrigado por tudo.

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