NÁUTICO

A análise das contas patrimoniais do Náutico feitas pela BDO, empresa de auditoria, rendeu declarações inflamadas da atual diretoria e da antecessora. Mas o bate-boca durante toda quarta-feira escondeu o maior problema: as contas do Náutico.

Os contadores não receberam informações de diversas contas, como empréstimos, adiantamentos, recolhimento de impostos e até multas fiscais. Em termos mais claros, o clube apresentou números que não tinham como ser comprovados por falta de documentação.

Anexo às contas, a empresa também divulgou um curto relatório com comentários. E é a partir desse documento que o principal do que foi avaliado será apresentado a seguir:

1 – “Programa de Recuperação Fiscal (REFIS). Diferença do balanço para a BDO em R$ 185 mil reais.”

No relatório abaixo aparecem os códigos das contas fornecidas pelo clube. A coluna BDO mostra os valores levantados pela própria empresa na Receita Federal. A diferença entre as contas somam a diferença de R$ 185 mil não apresentada.

2 – Imobilizado:
“Não está sendo realizado o cálculo/contabilização da depreciação dos bens. R$ 51 milhões em 2011, de maneira parcial. Intangíveis que totalizam R$1,1 milhão estão contabilizados na rubrica Imobilizado. O Ativo Imobilizado é formado pelo conjunto de bens e direitos necessários à manutenção das atividades da empresa, caracterizados por apresentar-se na forma tangível (edifícios, máquinas, etc.)”. Foi solicitado o controle individual dos bens, mas o clube não forneceu.

3 – Empréstimos e financiamentos:
“Fomos informados que o saldo da conta é substancialmente formado por empréstimos realizados junto a pessoas físicas, sem formalização por contratos entre as partes.” Sem os contratos não foi possível saber quem emprestou, quando nem quanto. O balanço mostra apenas o montante dos empréstimos e financiamentos.

4 – Fornecedores
Aqui, o que chama mais a atenção é o fato de não ter sido fornecida a composição por nota fiscal nem data de vencimento. É algo como se o clube tivesse comprado mas não mostra quanto pagou por cada mercadoria adquirida.

5 – Salários e obrigações trabalhistas:
“Divergência de R$ 2 milhões do balanço com o TRT
FGTS judicial e administrativo a curto prazo tem uma diferença de R$ 5 milhões para o que consta na CEF.
FGTS judicial e administrativo a longo prazo não foi feito pelo balanço de 2013. Na caixa Econômica, soma  mais de R$ 5 milhões.
Há meses com insuficiência de recolhimentos do INSS. Tal fato, também aplica-se de maneira similar aos recolhimentos de IRRF.
No decorrer do exercício de 2013, foi realizado a retenção de INSS de seus empregados, entretanto, parte dos valores retidos não foram recolhidos à Previdência Social.”

A divergência com o balanço do TRT é para mais. Na conta do Náutico o valor que teria sido repassado para cobrir o débito seria de R$ 23,1 milhões. Só que o Tribunal fornce esse valor como sendo R$ 21,1 milhões. Da mesma forma não foram fornecidos documentos que comprovem o valor divulgado pelo Náutico.

6 – Obrigações tributárias
“Identificamos que o valor (R$139 mil) a pagar referente ao IPTU, do ano de 2013, não foi contabilizado.
Receita Federal: diferenças de parcelamentos em R$ 1,7 milhão de reais
Multas fiscais: diferença de R$ 184 mil reais
Processos passivos do clube que não foram feitos pelo balanço: total de R$ 3,7 milhões
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN): passivo de R$ 11,6 milhões
Diferença de R$2,2 milhões entre a base de cálculo da COFINS com os registros contábeis”

Os débitos fiscais do Náutico podem ser maiores do que parecem, já que no balanço alguns aparecem com valores inferiores aos divulgados pela Receita Federal e outros sequer foram fornecidos.

O documento termina lembrando que os balanços de 2009 a 2013 foram considerados adversos. Esse termo da contabilidade é usado quando a análise das contas não tem informações corretas ou elas estão incompletas.

Por: Wladmir Paulino/Blog do Torcedor

2 respostas a NÁUTICO

  1. Gustavo Ferraz disse:

    Se está faltando informação é sinal de obscuridade nas contas do Náutico e as gestões passadas têm que ser responsabilizadas por tais omissões. A nova gestão já trabalha no clube há mais de 9 meses e não pode nem deve sonegar informações, pois detém o gerenciamento do clube e suas contas. Que auditoria é essa que contrataram? se estão dentro do clube precisam olhar os balancetes e as contas em geral. O MTA entrou para mostrar a transparência das contas e sequer consegue informar o necessário para a empresa de consultoria. Tudo no Náutico é muito obscuro e por tal razão o clube está como está, entregue a sorte, que não se encontra no nosso clube. É decepcionante nossa atual situação.

  2. Careca disse:

    Boa tarde,
    Resumindo,nao se pode fazer auditoria se nao ha informacao de nada.Eu acho que e um caso para policia federal.Sem mais papo…

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