Capítulo 4
Organizações das Regatas
Como não existia nenhuma Liga, as regatas ou eram organizadas pelos Clubes ou pela prefeitura do Recife, sem uma regra ou código oficial escrito. Aos pedidos dos clubes eram incluídas nas regatas provas de natação – naquela época não existiam piscinas nos clubes – que variavam de 100 a 200 metros.
Bonitas e valiosas taças eram ofertadas e dadas definitivamente à agremiação cuja guarnição tornava-se vencedora, na prova de honra, o mais importante, por três vezes, em regatas consecutivas.
Quando existia alguma irregularidade na regata, que provocava discórdia, era sugerido pelo jornalista do Jornal Pequeno a criação de uma comissão de jovens senhoritas para a resolução do impasse, como foi o caso de uma regata promovida pelo Sport e que gerou uma grande confusão, como iremos ver mais na frente.
A partir de 25 de junho de 1908, os clubes juntaram-se para confeccionar um Código de Regatas, semelhante ao da Federação Brasileira da Sociedade do Remo. Esse código apenas orientava as guarnições quanto a horário, uniformes e outros procedimentos administrativos.
Em 1921 foi fundada a Liga Pernambucana de Desportos Náuticos, cuja primeira providência foi extinguir os páreos de Honra e instituir as provas do Campeonato da Liga e o Campeonato do Remador, conforme será visto mais à adiante.
A primeira regata oficial patrocinada pela Liga foi disputada em 18 de setembro daquele ano.
O remo representava para o Recife uma festa sem igual. As mais altas autoridades se faziam presentes às regatas, inclusive o prefeito da Cidade e o governador do Estado.
Os clubes armavam pavilhões, hasteavam suas bandeiras, contratavam ou convidavam as orquestras dos batalhões ou da Casa Correcional (antiga casa de detenção) – que tocavam valsas nos intervalos das competições – e promoviam o brinde com champanha ao vencedor do Páreo de honra, obrigatório em toda regata, , em frente ao seu pavilhão, após recebê-lo com um ramalhete de flores.
Capítulo 5
As Competições
Das regatas realizadas 1903, destacamos a do dia 13 de maio do mesmo ano.
A competição foi realizada na bacia do Capibaribe da Rua da Aurora. Foi em homenagem ao aniversário da Abolição da Escravatura. A regata foi intitulada Festa de Aniversário e abaixo transcrevemos o programa (grafia à época) no Jornal Pequeno:
FESTA DE ANIVERSÁRIO
Juízes de Partidas
Os Ilmos. Sr. Dr. Edgar Gordinho, Ernesto Pereira Carneiro, Thomas Comber, Gustavo Krauser e Coronel José Florêncio de Carvalho.
Juízes de chegada
Os Ilmos. Sr. José Carneiro, João Pereira Pinto, João V.da Cruz Alfarra e Major Antonio.
Juízes de raia
Os Elmos. Srs. Hermita Pimentel, Antonio Joaquim de Mello, Thomas Comber Filho, Capitão Artur Pio dos Santos, Alberto Moreira Lopes, Armando Baltar e José Gaya.
1º Páreo: Homenageado Exército Brasileiro, distância 300 metros:
Um remador medalha de prata
Barcos: Capibaribe – Remador Bento Magalhães Junior
Audaz – Franklin Seve
2º Páreo: Dois remadores crianças 200 metros.
Barcos: Capibaribe – Remadores: Mário Neves e José J.F. Barros. Patrão Mário Galvão.
Audaz – Remadores: Alberto Macedo e Eugênio Seve. Patrão Sebastião Galvão Filho.
3º Páreo: Homenageado Club Náutico Capibaribe. 1200 metros
Quatro remadores, botes Nov, medalha de ouro.
Barcos: Elba – Remadores: A. Ommunsdsen, L. Ommunsdsen, A. Monteiro, C.Brotherrod. Patrão: G.Brotherrod.
Lili – Remadores: Thomas de Oliveira, M. Botelho, Balbino A. Santos e F. Neves. Patrão: Carlos A.de Medeiros.
4º – Páreo: Homenageado Commércio do Recife 500 metros
Escaleres de dois remadores
Barcos: Capibaribe – Remadores: Balbino de A. Santos e F. Neves. Patrão: Rosa e Silva Junior.
Audaz – Remadores: Thomaz Gusmão Júnior Rômulo Maia. Patrão: Manoel Alves Fernandes Sobrinho.
5º Páreo: Homenageado Imprensa. 1.000 metros
Seis remadores
Barcos: Marítimo – Remadores: A. Ommundsen, L. Ommundsen, Thomaz de Oliveira, Balbino de Araújo, e A. Tigre Moreira Lopes. Patrão: M.Botelho de Andrade.
Rio Branco – Remadores: H. Ledebour, J.Guimarães, O. Gusmão, G. Bastos, A.Magalhães, e E.Magalhães. Patrão: Bento Gonçalves Junior.
6º Páreo: Homenageado Marinha de Guerra. 1200 metros
Oito remadores profissionais
Barcos: Artur Oscar. Patrão P.A
Edith. Patrão MP
7º Páreo: Homenageado 13 de maio. 120 metros
Oito remadores
Barcos: Edith – Remadores: H. Ledebour, O. Gusmão, L.Gusmão Junior, J. Guimarães, E.Magalhães e G. Bastos A. Magalhães. Patrão: Bento Magalhães Junior.
Barco: Artur Oscar – Remadores: V.Neves, T.H.Dias, A.Ribeiro, G.Silva, J.Umbelino, A.Lopes J.P. Oliveira e F.Neves. Patrão: Manoel Esteves
Começará a regata às 3 horas da tarde. Não há convites especiaes.
Cinco minutos antes das partidas soltar-se-á um foguete signal de aviso para ser franqueada à raia aos escaleres que concorrerem.
Ass. Diretor de Regata
Maximiano Botelho
As provas foram realizadas com beleza e galhardia. Os resultados foram:
1º Páreo: 1º Capibaribe 2º Audaz
2º Páreo: 1º Audaz 2º Capibaribe
3º Páreo: 1º Lilí 2º Elba
4º Páreo: 1º Capibaribe 2º Audaz
5º Páreo: 1º Martino 2º Rio Branco
6º Páreo: 1º Artur Oscar 2º Edith
7º Páreo: 1º Artur Oscar 2º Edith
O crescimento da agremiação vermelha e branca atraia a alta sociedade para a prática do remo. As competições eram prestigiadas por inúmeros assistentes que lotavam as margens da bacia do Capibaribe.
Por essa razão, a marinha de guerra do Brasil propôs ao Clube Náutico Capibaribe a realização de uma regata festiva para 11 de junho visando comemorar o aniversário da batalha do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865, em que a esquadra brasileira, comandada por Manuel Barrozo da Silva, futuro barão do Amazonas, aniquilou a Paraguaia.
A regata mais uma vez foi um sucesso. O Náutico competiu com os Novs escaleres, sendo o último páreo em Homenagem ao Almirante Barrozo na distância de 1200 metros.
O remo começava a se tornar a atração predileta para mocidade do Recife, em especial, a classe mais abastarda da cidade, que, até então, tinha como maior diversão as corridas de cavalo,disputadas no Jóquei de Campo Grande, que, por sua vez, foi desbancada pela chegada do futebol em 1905.
As regatas amistosas sucediam-se. Em 19 de fevereiro de 1905, realizar-se-ia mais uma regata do Club Náutico Capibaribe constando cinco bem disputados e organizados páreos . Entretanto, a regata foi transferida por motivo superior, conforme anúncio no Jornal Pequeno em18 de Fevereiro de 1905.
Os entusiasmos dos amantes dos esportes da palamentas e sócios do Náutico aumentavam. Em 10 de junho de 1905, foi mandado buscar no Rio de Janeiro quatro escaleres para as corridas e também pretendiam construir um estaleiro (Jornal Pequeno, folha 2).
Em 1905, mais dois clubes de remo foram fundados, o Sport Recife e o Athlético Pernambucano, incrementando definitivamente as competições náuticas. Os embates que se sucederam envolvendo Náutico e Sport acirrou uma rivalidade até os dias de hoje.
A primeira regata em que os três clubes competiram aconteceu no dia 21 de julho de 1907 e foi patrocinada pelo Sport, no gasômetro, constando nove páreos.
O Náutico venceu as provas seguintes:
3º páreo: “Baleeira de oito remos” na distância de 800 metros – Categoria Junior. arco Edith com e os seguintes remadores: João Dreyer, S. Maior, Alberto Genn, I. Rocha, Oscar Coelho, Isidoro Pereira, Luiz Porto Carreiro Filho e Carlos Gomes Moreira. O patrão foi Pedro Nolasco.
A 4ª prova “foi Iole a quatro remos” disputada na distância de 1000 metros na categoria Seniores. O Náutico venceu com o barco Lili tendo como patrão Pedro Nolasco e os seguintes remadores: Thomaz Dias, Bernardo Câmara Junior, Francisco Neves e Horácio Moreira.
Na sexta prova a “Iole a quatro remos” sagrou-se vitoriosa com uma guarnição de Junior, tendo como patrão Protásio de Mello e os remadores: Manuel Getúlio, Joaquim Campello, José Bezerra Filho e J. Cavalheira.
A sétima prova foi também vencida pelo Náutico na distância de 1000 metros e o barco vencedor foi o escaler Rio Branco com Álvaro Magalhães no timão e os tripulantes: Francisco Neves, Câmara Junior, João Dreyer, Balbino Santos, Odilon Medeiros e Manoel Neves.
Na oitava prova, confirmou-se o favoritismo do Clube Náutico Capibaribe. No escaler a dois remos, venceu o Capibaribe com os remadores Manoel Getúlio e Souto Maior. Patrão Protásio de Mello.
A última prova foi vencida por Odilon Medeiros do Náutico e em segundo Eduardo Lobo do Sport. Foi uma competição de natação na distância de 100 metros que fechou a regata, aliás, fato corriqueiro àquela época.
Uma imensa multidão acompanhava de uma a outra margem do Rio Capibaribe, entre a Ponte da Boa Vista e o Gasômetro. Essa regata foi elogiadíssima pelos jornais da época, ao ponto de serem publicadas na primeira página do Jornal Pequeno as fotos dos diretores de regatas do Náutico Bento Magalhães Júnior e Guilherme Dantas Bastos do Sport.
Por: Luiz Antonio Melo Soares
Eu sei que o náutico possui 28 títulos em per
nambuco.gostaria que o senhor luiz antonio me
lo soares,nos informasse dos títulos do nauti
co no remo na esfera nacional e regional,pois
já busquei informações na federação de remo e
sites do náutico e nada encontrei.
Este ano,realizou-se duas regatas tendo nauti
co e sport disputando.ganhamos a primeira e o
sport a segunda.A diferença hoje e de 5 pon
tos a favor do sport.
O náutico foi campeão em 2010,2011 e 2013 e o
sport em 2012 e 2014.remo,um esporte lindo e
emocionante;motivo para o nome da nossa queri
da agremiação;clube náutico Capibaribe.
O NÁUTICO VEM MAL TAMBÉM NO REMO !!!
LOGO O NÁUTICO QUE É O CLUBE DE REMO MAIS ANTIGO DE PERNAMBUCO (ANTES DE 1901 QUANDO O NÁUTICO FOI FUNDADO JÁ EXISTIA O FAMOSO RECREIO FLUVIAL !! O SPORT QUE ENTROU NO REMO SOMENTE COM A SUA FUNDAÇÃO EM 1905 TEM MAIS TÍTULOS NO REMO QUE O NÁUTICO. O SPORT TEM O INCRÍVEL TÍTULO DE PENTAICOSACAMPEÃO PERNAMBUCANO OU SEJA FOI 25 VEZES CONSECUTIVAS CAMPEÃO PERNAMBUCANO (confira no sítio http://www.portuguesnarede.com/2009/10/pentaicosacampeao.html). A ESTATÍSTICA É PORTANTO FRANCAMENTE FAVORÁVEL A COISA, DE FORMA QUE A FEDERAÇÃO PERNAMBUCANA DE REMO EVITA DIVULGAR ESSA SUPREMACIA DA COISA A FIM DE PRESERVAR A PRÁTICA DO REMO EM PERNAMBUCO. ESSA É A VERDADE, TANTO NO REMO (ONDE SOMOS O CLUBE PIONEIRO) COMO NO FUTEBOL (ONDE O SPORT É O CLUBE MAIS ANTIGO DE PERNAMBUCO) ESTAMOS AQUÉM (DIRIA MUITO AQUÉM) DO NOSSO TRADICIONAL RIVAL. ESSA É A DURA VERDADE !!!
Muito legal a História do Remo Alvirrubro.
In`Felizmente essa di`re1toria não apoia como deveria apoia o remo. Só para ilustrar : PRESIDENTE DO CLUBE NUNCA FOI A GARAGEM DE REMO, isso existe? Sua rejeição com os remadores é muito grande.
Muito bom esses relatos sobre o Remo do Náutico. O Remo do Náutico é verdadeiramente um motivo de orgulho.