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Arte da polêmica:
a ditadura do "politicamente correto"
Por: Frederico Lira - Foto: NauticoNET
Recife, 11 de Maio de 2007
Poucas
vezes, na minha breve vida, me irritei tanto com
uma arbitragem como na noite de ontem. Da raiva
ao desespero; das lágrimas ao sorriso -
irônico, claro, de quem não se conforma
com imoralidades. Achei que toda carga de chateação
havia sido descarregada ontem. Um grande engano.
Abro um jornal da cidade e me deparo com a manchete:
"Náutico tem 4 gols (bem) anulados
e perde".
E quando escuto jogadores,
dirigentes e até torcedores - naturalmente
mais emocionais do que racionais - tenho que engolir
a seco o mesmo discurso. Será que estou
ficando louco?
Creio que não.
Aliás, tenho pelas convicções
que não - como todos que não batem
bem do juízo, certamente. O problema, reflexo
de nossa sociedade hipócrita e demagoga,
é a "ditadura do politicamente correto".
Sim, sempre que somos prejudicados e lesados em
nossos direitos, somos invariavelmente obrigados
a simples e puramente aceita-los. Como se fosse
natural o fato de, em 90 minutos, um time de futebol
ter quatro gols anulados! Como se fosse normal
a agressão a Felipe, no primeiro tempo!
Normalíssima, eu diria.
Do que estão com
medo? De serem chamados de "maus perdedores"?
De não soarem "politicamente corretos"?
Pois bem, admito o fato
de que sou um péssimo perdedor, um câncer
social politicamente incorreto, e, acima de tudo,
um polemista incorrigível.
O dia vai nascer
Esqueçam a ridícula
campanha no campeonato pernambucano. Esqueçam
a fatídica - e irritante - eliminação
na Copa do Brasil. Estamos a apenas três
dias da estréia na Série A. Estamos
a apenas três dias da triunfal volta à
Primeira Divisão, após longos e
tenebrosos doze anos sofrendo no "inferno"
da Série B - com uma passagem ainda mais
trágica pela C.
Só nós alvirrubros
sabemos quão sofridos foram esses anos
longe da Elite. Só nós alvirrubros,
fiéis, fanáticos, apaixonados, tivemos
a hombridade de, 358 dias após a catastrófica
"Tragédia dos Aflitos", dar a
volta por cima. Hoje, podemos, mais do que nunca,
estufar o peito, orgulhosos, e cantar euforicamente
o "N-Á-U-T-I-C-O!".
Um momento histórico.
E o sentimento é de que se foram, enfim,
as trevas e a escuridão. O dia vai nascer.
Belo e ensolarado, o dia vai nascer.
Saudações
alvirrubras.
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