|
O efeito espelho
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 11 de Julho de 2007
Todo tipo
de jogo traz como pressuposto nuance de sorte
ou de azar. Mas o futebol apresenta cada peculiaridade
que até mesmo o mais cético torcedor
sequer imagina. A partida do Náutico contra
o Palmeiras mostrou por que não se deve
deixar de concluir com competência as oportunidades
que são criadas, ao longo dos 90 minutos.
E como o jogo só termina quando acaba...
Mais uma vez, o Náutico
deixa de somar um precioso ponto ao apagar das
luzes. Assim aconteceu na estréia do Brasileirão
2007 diante do Atlético Mineiro, no Mineirão,
e agora, em pleno Caldeirão Alvirrubro
quando amargou aquele fatídico tropeço
contra um apenas esforçado, mas chafurdante
porquinho verde. O resultado não poderia
ser diferente: o Timba é agora lanterna
absoluto. Ainda bem que só são 20
clubes, pois poderia ser pior!
Em 30 pontos disputados,
o Náutico desperdiçou "apenas"
24. A situação, em termos de tabela
está pesada. Aliás, daqui por diante,
é vencer, vencer e somente a vitória
interessa ao Náutico. Mais uma rodada sem
somar três pontos e a equipe alvirrubra
irá depender de resultados paralelos -
além do próprio, é óbvio
- para tentar fugir da até agora blindada
zona de rebaixamento.
São exatas cinco
rodadas nesta área de queda, sendo quatro
delas na condição de penúltimo,
e agora a "estréia" como o time
mais iluminado da Série A. Se antes eu
havia afirmado que limite tem limite, o que posso
dizer a partir de então, hein? Não
me restam mais palavras (ao vento) para explicar
o inexplicável.
Só quero deixar
claro que ainda não perdi a esperança
de ver o Náutico permanecer na Primeira
Divisão, em 2008. Como? Só não
pergunte!
Porém, a falta de
planejamento (sério e profissional) da
diretoria de futebol está mais do que refletida
nesta vexatória campanha do Clube Náutico
Capibaribe. Após 12 anos fora de elite
do futebol nacional, as pessoas que comandam o
Timbu Coroado não conseguiram desvencilhar-se
da cabeçinha atrasada e do pensamento pequeno,
de curto alcance, sem visão ampla nem perspectiva
de evolução estrutural.
Como é que um clube dispõe de um
Centro de Treinamento e raramente utiliza aquele
local para treinos? Cadê os jogadores formados
nas divisões de base do Náutico?
O que estão fazendo com os recursos que
deveriam ser aplicados com o intuito de estruturar
o clube, como um todo? Qual o destino do dinheiro
de patrocinadores e investidores no clube?
De uma coisa eu sei: o
único que vai pagar por isso é o
torcedor do Náutico!
Ao contrário dos
adágios populares, prefiro analisar a situação
do Náutico como sendo a repetição
de atos falhos, sistematicamente praticados no
provinciano futebol pernambucano. Para quem não
entendeu, a questão é a seguinte:
o Náutico está realizando a mesma
trajetória vergonhosa que o Santa Cruz
teve na temporada passada! A diferença
é que o ex-presidente coral não
elegeu sucessor para o biênio 2007-2008.
O que mais me perturba
é saber que a diretoria já está
na tentativa de montar uma terceira equipe nesta
temporada. Eu disse mais de 33 atletas já
foram contratados e dispensados!!!!!!
O suado, escasso e mal
aplicado dinheiro foi irresponsavelmente investido
em jogadores de má qualidade, treinadores
aventureiros, agentes de jogadores aproveitadores
e, ao final será sempre o torcedor do Náutico
que deve pagar a conta pelo fracasso de quem teve
o capital na mão?!
Vergonha na cara também
serve para dirigente de futebol, sim senhor! Saiba
você, caro diretor alvirrubro, que não
está fazendo favor nenhum em administrar
o clube! A sua obrigação é
a de apresentar resultados e transparência
administrativa! Chega de amadorismo no Náutico!
Dentro de campo, o time
é apenas um reflexo do acontece fora das
quatro linhas. Quanto ao jogo contra o Juventude,
seja lá o que os deuses do futebol quiserem...
Onde não existe profissionalismo e planejamento,
"o que vier a acontecer, aconteceu".
Avante, Náutico!
|