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Clássico é
clássico (e ética é ética!)
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
ColunaNnet@nauticonet.com.br
Recife, 13 de Outubro de 2008
Toda semana
que antecede clássico no Recife é
a mesma coisa. Especulações (com
ou sem fundamentos) vêm à tona, notícias
de bastidores são trazidas a público
de forma distorcida ou má assimilada (o
que por conseqüência gera má
interpretação), boatos sem precedentes
e até mesmo falta de ética por parte
de alguns segmentos envolvidos, porém menos
providos de escrúpulos são os temperos
que acompanham este prato regional. Assim sendo,
com este segundo Clássico dos Clássicos
do Brasileirão 2008 não poderia
ser diferente. Até porque o maior interessado
no resultado positivo é o Náutico.
Não que o arqui-rival
Sport não pretenda vencer, em plena Ilha
do Retiro. Até por conta do profissionalismo
dos membros da comissão técnica
e dos jogadores leoninos, além da exigência
da torcida adversária, que impõem
uma aura toda especial a este confronto quase
centenário. Lá sem vão 99
anos de disputas históricas envolvendo
estas duas forças do futebol pernambucano.
Porém, é
preciso ressaltar uma constatação
nada agradável para alguns setores da crônica
esportiva pernambucana, ao longo de 25 anos de
observação e participação
nesta seara. Não tenho nada contra posicionamentos.
Pelo contrário. Defendo a liberdade de
opinião e tomada de posição,
em especial quando o assunto é defender,
ou ter, um lado. O que não admito são
dissimulações do tipo bancar o idôneo,
o imparcial, mas que pende claramente para uma
das partes. Isso de forma discreta, desonesta,
nefasta e antiética mesmo.
Não existe imparcialidade
plena. Na própria existência humana
isso é uma característica impossível
de se conseguir. Desde o início da história
humana, até os dias atuais, o tempo todo,
alguém toma partido por alguém ou
algo e isso modifica todo um contexto ou desenrolar
dos fatos. Não há como desvencilhar
uma preferência ou simpatia daquilo que
fazemos. Seja por amor, por profissão,
o que for! Não importa!
E provo: quando é
para criticar o abuso que é a venda de
ingressos do programa todos com a nota por parte
de pessoas que se dizem cambistas (em teoria,
um cambista teria que comprar ingressos, ou seja,
investir, e depois cobrar ágio por eles)
aí não aparece ninguém para
tomar partido. O argumento é o mesmo: a
gente não viu, a gente não sabe.
E tudo ocorre, por vezes, nas barbas da Polícia
Militar, que também se omite ao fato.
Pois bem, quando o assunto
volta a ser a disputa entre os times, aí
parece que os torcedores rubro-negros saem das
arquibancadas e vão para as redações
das editorias de esportes dos veículos
locais. É impressionante como tudo, eu
disse tudo, o que acontece no Náutico ganha
dimensões continentais. Ao contrário
do que acontece nas bandas da Ilha do Retiro.
Por exemplo, não
vejo nenhum estardalhaço em torno da atitude
intempestiva do atacante (ala) Carlinhos Bala,
quando se retirou do estádio durante o
intervalo da partida contra o Vasco, após
ser substituído. Outro assunto de peso
seria o julgamento por parte do STJD, devido a
uma lata de cerveja arremessada contra um assistente,
naquela mesma partida, relatada na súmula
do árbitro paulista Luiz Seneme. Nada disso
vem à tona. É estranho ou não?!
E mais importante: por que será?
Fica difícil acatar
a um argumento falacioso de que somos imparciais,
não temos time, a nossa equipe é
Pernambuco!. É melhor que cada um
assuma o seu papel de forma a não enganar
o ouvinte, o leitor, o telespectador. Seria mais
justo, menos mascarado. Porque enfatizar sempre
o lado ruim para um, no caso o Náutico,
e deixar o mar da tranqüilidade da outra
margem, como se nada ocorresse é, no mínimo,
um ato de parcialidade.
Isso não seria nada
demais, não fossem pelos enfoques sistemáticos
que claramente beneficiam a uma das partes envolvidas.
A idéia aqui não é fomentar
o ódio, ou acirrar a rivalidade existente.
É apenas deixar claro que não é
possível enganar tanta gente por muito
tempo sem ser descoberto. Afinal de contas, como
diria o companheiro Álvaro Filho, torcer
pode, distorcer, não!
ColunaNnet@nauticonet.com.br
Avante, Náutico!
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