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"Mas em clássico
não tem favorito..."
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 18 de Setembro de 2007
Falta
de coragem, omissão ou não ter mesmo
nada a acrescentar. Eis as opções
que costumo observar quando o assunto é
tomar partido e emitir um ponto de vista sobre
determinada partida. Quando se vai jogar um clássico
então, a postura estagnada de alguns cronistas
que se sentem confortáveis, e em cima do
muro, ao afirmar que "em clássico
não existe favorito" é o argumento
de sempre. Nada mais previsível do que
o bordão esclerosado "clássico
é clássico". Tá e daí?!
O conceito é antigo
e se tornou um jargão quase intransponível
ao longo da história do futebol brasileiro.
Quase. Mas se dizem que tabu nasceu para ser quebrado,
conceito também foi elaborado para ser
desconstruído. Nada dura para sempre, nem
a eternidade!
O interessante é
que esses mesmos reacionários se contradizem
ao afirmar que "futebol é momento".
Ora, se assim o é, o melhor momento no
Brasileirão 2007 é o do Náutico.
Não há como esconder ou negar isso!
Nas quatro últimas
rodadas, o Timbu empatou uma partida em casa contra
o Inter (1 a 1), e ganhou as outras três,
sendo duas fora do Recife e uma nos Aflitos: Paraná
(2 a 4), Botafogo (4 a 1) e Goiás (0 a
3).
A franca evolução
do Alvirrubro apresenta uma equipe que vem atuando
com regularidade, entrosamento e futebol aplicado.
A conquista de dez pontos, sendo nove consecutivos,
é a prova inconteste de que o Náutico
passa sim por um momento muito mais consistente
do que o Sport. O arqui-rival perdeu na Ilha para
o Fluminense (0 a 2), conseguiu empatar com o
América em Natal (1 a 1) e ganhou do Paraná
(3 a 1).
Se quiser avaliar pelo
lado numérico, o Náutico marcou
11 gols nas últimas três rodadas
e levou apenas três. Acosta já soma
14 gols (é vice-artilheiro isolado do Brasileirão)
contra 11 de Carlinhos Bala. O ataque alvirrubro
já balançou as redes adversárias
por 41 vezes - uma a mais do que os rubro-negros.
Mesmo assim, há quem queira observar por
outro ângulo. Normal. Existem várias
galáxias no universo e a Terra não
é o único planeta a existir vida
inteligente (?).
Porém, como o assunto
é futebol, voltemos a realidade do campeonato
brasileiro. Se o Náutico continua na zona
de rebaixamento é porque a competição
está numa fase muito competitiva. Imagine
só. São três vitórias
seguidas e o time ainda não conseguiu emergir.
Mas o Náutico está fazendo a sua
parte, e muito bem, por sinal! Com mais cinco
vitórias (nos 12 jogos que restam) o Timba
está garantido na elite, em 2008. Independente
de opiniões, contrárias ou a favor.
O fato é que os
times que brigam direto para não cair estão
bem estruturados e com o coração
na ponta da chuteira. Do Figueirense (11º)
que tem 34 pontos, até o Náutico,
18º com 30, estão todos querendo se
livrar da fogueira da Segundona. E olhe que estão
no pacote Goiás (33 e dez vitórias),
Flamengo (33 e oito), Corinthians (33 e oito),
Atlético/MG (32 e nove), Atlético/PR
(32 e oito) e Paraná (31 e oito). Somente
o América está "classificado"
para a Série B, em 2008. Restam três
vagas e nove concorrentes diretos estão
no páreo.
Aula de futebol - A suntuosa vitória
do Náutico sobre o Goiás, a primeira
no Serra Dourada, mostrou, mais uma vez, que o
time está entrosado e com iniciativa para
atingir o seu principal objetivo nessa competição:
permanecer na Série A em 2008.
O primor de futebol apresentado
pelo Náutico impressionou pelo ritmo de
jogo imposto ao adversário. Com muita objetividade
com a posse de bola, o Náutico soube explorar
os erros e falhas de marcação do
time esmeraldino no meio-de-campo - local onde
o Timba ganhou o confronto.
Destaque para o conjunto da equipe, e do treinador
Roberto Fernandes. Em termos individuais, prefiro
não analisar. Isso porque desde o goleiro
Eduardo, até os atacantes Marcelinho o
time está coeso como manda o futebol. Claro
que os meias Acosta e Geraldo estão desequilibrando,
mas o Náutico é a união de
todos em prol do clube.
Avante, Náutico!
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