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Em busca da auto-reabilitação
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 19 de Julho de 2008
É
interessante o que ocorreu com o time do Náutico
nestas duas últimas rodadas do Brasilerão
2008. A equipe alvirrubra conseguiu o feito de
reabilitar, de maneira consecutiva, dois times
que não estavam bem na competição.
Primeiro foi o arqui-rival Sport, em casa. Depois,
a ex-combalida Portuguesa, no Canindé.
A Lusa não sabia o era vitória há
três jogos. Esta última com requintes
de crueldade e futebol pastelão, pois o
Timbu venceu por 2 a 0 nos 45 minutos iniciais.
Reputo como imperdoável o que aconteceu
na capital paulista. Basta observar que o desdobramento
desta derrota foi flagroroso: o Náutico
perdeu três posições na tabela,
e ainda obtém um saldo negativo de dois
gols.
O sinal de alerta já
está mais do que aceso nos Aflitos e o
novo técnico terá que pintar o sete
para evitar o terceiro revés seguido, neste
domingo (20), diante do Internacional. Aliás,
o técnico Pintado assistiu ao "feito",
lá no Canindé, e após a lambança
antecipou que muita coisa deve mudar. Eu diria
que tem que mudar. O cofronto será interessante
porque vale a disputa direta pelo oitavo, ou mesmo
sétimo lugar. Eis o estímulo que
não faltará aos atletas, além,
claro, do fato de o Náutico estrear o seu
terceiro treinador na temporada 2008.
Quanto ao torcedor... Bem,
o fato de ter que apoiar incondicionalmente ao
time, sempre, e no decorrer da competição,
não há o que discutir. Porém,
que fica difícil argumentar algo favorável
e convencê-lo a comparecer em massa ao Caldeirão
Alvirrubro. Infelizmente. Mas trata-se de um fato
notório e não dá para encobrir
o sol com peneira. Até porque quem tratou
de afugentá-lo, de maneira grotesca, foi
o próprio grupo de atletas. Os dois resultados
negativos vieram como uma ducha de água
gelada no ímpeto da torcida alvirrubra
que, diga-se de passagem, tem mantido uma ótima
média de presença nos jogos dos
Aflitos, e também nos dois que foram realizados
no Arruda.
Outro aspecto que pesou
contra fora o fato de a equipe atuar sem laterais/alas,
e às vezes até sem meio-campista
competente, com capacidade e visão de jogo
para articular jogadas, ligando a bola aos atacantes.
Sem dúvida, isto dificultou muito o desempenho
do Náutico. Todos os times passam por dificuldades
no Brasilerão, até mesmo por reformulações
inesperadas (e indesejadas) no elenco. Seja por
razões técnicas ou financeiras.
Mas isso não justifica o Alvirrubro deixar
de somar pontos em dois jogos seguidos. Isso pesa,
e muito, em termos de classificação
geral.
A falta de regularidade
preocupa não apenas à comissão
técnica, jogadores e diretoria de futebol,
mas também ao torcedor. Não é
justo que o Náutico repita a sofrível
campanha do ano passado, quando habitou a zona
de rebaixamento em 21 das 38 rodadas. Até
aqui são 12 partidas e o Timbu ocupa a
nona posição, com 17 pontos. Mas
é preciso ultrapassar os 25 pontos nos
próximos sete jogos, justamente a quantidade
que falta para se atingir a metade do campeonato.
Até lá, espero
que o time tenha competência, vontade e
espírito de grupo para encarar os adversários
com a seriedade e profissionalismo necessários
para estar na disputa de uma Série A. Não
se admite que jogadores atuem como peladeiros
e não tenham nenhum senso de compromisso
com a causa, que é o Clube Náutico
Capibaribe e a obrigação de uma
campanha reparadora, em relação
ao ano passado. Jogador de futebol profissional
que não sabe conduzir a bola, driblar e
apoiar não deveria nem entrar em campo.
Mas, se foram contratados pela ilustre diretoria
do clube, o problema não é só
deles...
O treinador Pintado foi
um bom jogador, mas agora não atua mais
dentro das quatro linhas. Não deve se deixar
empolgar como o faz o seu coleguinha de profissão,
Renato Gaúcho, que ainda pensa que poderá
a qualquer momento da partida alçar uma
bola na área, chutar em gol ou cobrar um
pênalti. Esta missão cabe apenas
ao atleta que estivar em ação. Com
garra, vontade e espírito de vencedor.
Avante, Náutico!
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