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A hora da virada
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 23 de Julho de 2007
Após
duas rodadas de ausência, quando o Náutico
empatou fora com o Juventude e perdeu feio em
casa para o Cruzeiro, consegui reunir forças
para voltar a versar sobre o futuro do Náutico
no Brasileirão 2007. O resultado positivo
diante do Corinthians, no Morumbi, depois de dez
partidas sem vencer - resgata a confiança
perdida pelo torcedor alvirrubro ao longo destas
13 rodadas.
Não é apenas
a goleada em si, mas a maneira como a equipe demonstrou
um espírito competitivo e determinação
para conquistar a primeira vitória longe
dos Aflitos. O peso de sair da última colocação
da Série A cede espaço agora para
o objetivo de se retirar, de uma vez por todas,
da zona de rebaixamento - local onde o Timbu ingressou
desde a sexta rodada.
Os acontecimentos que marcaram
a licença do atacante Kuki serviram como
fator de superação para o grupo
que viajou a São Paulo. O ídolo
alvirrubro no atual século, o baixinho
não merecia o protesto feito por parte
da torcida timbu. O desgaste já vinha de
muito tempo e o estopim ocorreu diante do Cruzeiro.
Mas o Clube Náutico
Capibaribe não pode ser refém de
ninguém, personificantemente falando. Nem
de dirigente incompetente, nem de jogador que
não está rendendo o necessário
em campo. As pessoas passam, as instituições
ficam.
Não quero aqui demonstrar
ingratidão ou muito menos desconhecimento
de causa quanto à história de Kuki
no Náutico. Até porque acompanhei
de perto a sua brilhante trajetória no
clube e comemorei vitórias memoráveis,
com atuações brilhantes, marcadas
por gols incríveis.
Mas o que é difícil
para certas pessoas é de reconhecer que
o tempo não pára. O futebol é
dinâmico. Na maioria das vezes até
mesmo implacável. Defendo a tese de quem
não está de acordo com o melhor
para o time, deve ser sacado, lamento muito por
você Kuki, mas ninguém é insubstituível!
Aliás, como qualquer atleta, em qualquer
modalidade.
Senão, vejamos:
Carlinhos Bala fez gestos obscenos para a torcida
do Sport, na final do Estadual do ano passado.
Hoje em dia, ele é ídolo dos rubro-negros.
Se o levantador Ricardinho da seleção
brasileira de voleibol foi eleito o melhor da
Liga Mundial 2007, além da conquista do
título, não o impediu de ser cortado
do grupo para a disputa do Pan-americano do Rio
pelo treinador Bernardinho, por motivo de indisciplina.
Lamentações
à parte, o que prefiro mesmo é destacar
a atuação dos atacantes Ferreira
e Felipe. O primeiro estreando bem, marcado gol,
que é o que deve fazer um atacante que
se preze. Já o segundo voltando de um período
de recuperação física e mostrando
que vai dar o que falar neste Brasileirão.
Bola para frente, pois ambos merecem crédito
por parte da torcida.
De uma maneira geral, todos
estão de parabéns pelo que demonstraram
no jogo contra o "freguês corintiano".
A reestréia do goleiro Eduardo, o boa partida
do lateral Hamilton - que mais uma vez deixou
a sua marca num gol de falta -, do próprio
cambaleante meia Acosta, que não cansa
de tomar porrada durante o jogo, mas que também
parte para cima dos adversários. Precisa
ter mais ousadia para finalizar as oportunidades.
Enfim, de todos que estiveram em ação!
Porém, isso não quer dizer que tudo
esteja resolvido. O trabalho do técnico
Roberto Fernandes começa a engrenar e será
preciso mais empenho a partir de agora. Com mais
confiança no próprio potencial,
os jogadores e a comissão técnica
têm que interagirem juntos, na busca da
segunda vitória dentro do Caldeirão
Alvirrubro.
A partida contra o Grêmio
nesta quarta-feira (25) possui um tempero extra.
É que este será o reencontro dos
times desde o fatídico 26 de novembro de
2005. Contudo, os tempos são outros. A
divisão é outra. As campanhas são
diferentes. O Náutico está na 19ª
posição, enquanto que a agremiação
gaúcha ocupa a quarta colocação.
A necessidade de o Náutico
ganhar e dar seqüência às vitórias,
o deixará próximo de se libertar
da área de degola do campeonato brasileiro.
Faltam seis rodadas para se chegar à metade
da competição e somar o máximo
possível de pontos eleva o time vermelho
e branco a este patamar.
Um recado ao torcedor timbu:
não entre na onda de argumentos revanchistas
para esse duelo contra o Tricolor dos Pampas.
Aquilo já passou. O apoio incondicional
ao time, respeitando a maneira de jogar, seja
feio ou não, mas com aplicação
tática e marcação eficaz
será o importante. A meta do Náutico
é vencer! Não interessa como, ou
seja, de que maneira for...
Por sinal, esse adversário
sabe muito bem como fazer isso. Eles vêm
de um resultado positivo no Olímpico assim:
ganharam do lanterna Flamengo por 1 a 0, com gol
contra, em cobrança de escanteio.
Outra coisa: será
importante que só vá ao estádio
quem estiver com espírito solidário.
Não adianta trabalhar com quantidade. O
ideal será que o público presente
incentive e contribua para o bem do time. Esqueçamos
de tudo que não fora planejado pela diretoria
e vamos em frente. Daqui por diante começa
um novo tempo do Náutico na Série
A. Assim espero... E que assim seja.
Avante, Náutico!
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