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Entre dúvidas
e certezas
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 27 de Maio de 2008
A oscilação
é uma marca que vai persistir, se não
em todas, mas em grande parte das equipes que
disputam o Brasileirão 2008. A prova disto
é a ciranda promovida na tabela de classificação,
após a realização de três
rodadas. Por motivos ou questões diferentes,
a alternância se torna inevitável.
Tomando como referência o Náutico,
o time pernambucano estreou na quinta colocação,
assumiu a liderança na segunda rodada (aliás,
como primeiro time nordestino a conquistá-la,
na era dos pontos corridos) e agora está
na quarta posição. A situação
é boa, em termos de classificação,
mas preocupa, e muito, quando o assunto é
o futuro do clube na competição.
O fato de o Náutico
não ter demonstrado um futebol auto-confiante,
competitivo, diante de um Grêmio apenas
esforçado, previsível e de muita
pancadaria que frequentemente é
confundida e denominada por muito cronista como
raça deixou claro esta
realidade. O time está em formação,
mas a saída do técnico Roberto Fernandes
é um obstáculo a mais que o grupo
terá que superar. Ao menos até a
partida diante do Botafogo. Este jogo marcará
a estréia do novo comandante técnico
do Alvirrubro: o ilustre desconhecido Leandro
Machado.
Incóginto, este
treinador precisará mais do que ousadia
para levar adiante uma equipe cuja diretoria sinalizou
como meta uma vaga na Sul-americana. E olhe que
o Brasileirão está apenas
no começo. Como gostam de afirmar,
de maneira inocente, inúmeros coleguinhas
pelo País afora. Não sou de avaliar
pelo nome, mas é preciso um currículo
para ficar com a vaga. Pelo menos onde existe
critério é assim. Mas, como o futebol
não é mesmo algo que funcione como
o resto das coisas, vejamos no que vai dar.
Sobre o grupo, ou melhor,
a produção do time em si, Leandro
Machado terá muito trabalho pela frente.
No sistema defensivo, a ausência de Vágner
dispensa comentários. Mas a grande decepção
ficou por conta do tanque Everaldo. Meu zagueiro,
que vacilos foram aqueles, hein?! Fique esperto.
No meio-de-campo, o meia Roger não deveria
nem ter voltado de Porto Alegre. Improdutivo,
ele ciscou muito e não produziu nada.
A visão pequena
e limitada do futebol pernambucano, em especial
do torcedor, não permite que um jogador
da casa, como Helton, por exemplo, não
tenha a chance de seqüência de partidas.
Com mais ímpeto e nível técnico,
ele entrou e mostrou ao experiente atleta do Internacional
como é que se mostra serviço. Abre
o olho comissão técnica e treinador
Leandro, abre o olho!
No ataque, o centésimo
jogo de Felipe com a camisa do Náutico
foi marcado pela ausência de gols do artilheiro
timbu. Não que tivesse faltado oportunidade.
Nas raras vezes em que o goleiro gremista precisou
trabalhar, justamente dos pés de Felipe
surgiram as duas melhores chances do Alvirrubro.
Paciência. O rapaz tem crédito e
não foge à luta. Já Wellington
preferiu entrar no clima sulista de querer brigar,
mas não pela posse de bola, domínio
e arremate em gol, mas em disputas ríspidas
e inócuas.
Enfim, o Náutico
ainda não tem uma cara, uma personalidade,
leia-se padrão de jogo definido. E isso
só será possível com o decorrer
dos jogos, a maneira de trabalhar de Leandro Machado,
a assimilação por parte dos atletas.
Uma série de acontecimentos sincronizados.
Sem ritmo de jogo e entrosamento não existe
nenhuma equipe capaz de apresentar um futebol
competitivo.
O fato é que o campeonato
brasileiro está com muitas equipes em fase
de consolidação. Quanto ao favoritismo,
por enquanto, somar o máximo de pontos,
quer dizer, a conquista dos resultados é
o mais importante. Afinal de contas, numa competição
de pontos corridos, ganhar em casa, pescar pontos
(ou ponto) fora ainda é a melhor atitude.
Avante, Náutico!
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