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As aparências enganam
Por: José Gomes Neto - Foto:
NauticoNET
Recife, 29 de Janeiro de 2008
Parece
cocaína, mas é só tristeza.
Este trecho inicial da letra da música
Há tempos, da Legião Urbana,
são as palavras que melhor expressam o
meu sentimento em relação à
campanha do Náutico. Em cinco partidas
neste primeiro turno, o Timbu conseguiu somar
sacrificados sete pontos, sendo quatro em casa
(uma vitória e um empate), e três
fora (uma vitória). Que algo está
errado, isto está claro. Mas é preciso
discernir o problema, antes que seja tarde demais.
Não falo apenas
em termos do turno inicial do Pernambucano da
Série A1 2008, mas da própria formação
da equipe, e do grupo, para o decorrer desta temporada.
Para quem não está lembrado, o Náutico
fará a sua estréia na Copa do Brasil
na quarta-feira depois do Carnaval, dia 13 de
fevereiro, contra o Atlético Roraima, fora
do Recife.
A oscilação
que o time apresenta é fruto de um mau
começo de trabalho. A pré-temporada
não existiu e o reflexo desta desorganização
já começa a aparecer nos gramados
(aliás, este é um item que merece
um capítulo à parte). Se desmontar
um time e fazer outro, durante uma competição
como essa já é desgastante, imagine
quando as contratações demoram metade
de um turno para serem regularizadas?
Ficar a procurar desculpas
para justificar a falta de competência da
equipe por não saber concluir as chances
de gol que cria seria desnecessário. Porém,
o problema que o Náutico apresenta, além
da natural ansiedade que os resultados negativos
proporcionam aos jogadores, leia-se pressão
para todo lado, falta de entrosamento, ritmo de
jogo e a ausência de tempo hábil
para o treinador fazer o seu trabalho só
podem acarretar nisso.
Apesar de que, em alguns
casos, o próprio Roberto Fernandes andou
provocando o insucesso do Timba, por meio de substituições
equivocadas. Daquelas que não surtem o
efeito desejado. A diretoria alvirrubra deve impedir
que o time desande de vez e partir para as resoluções,
pois ainda há tempo hábil. Os erros
do ano passado não podem ser repetidos,
sob a pena de se pagar um alto preço pela
incompetência administrativa: campanhas
medíocres e rebaixamentos.
Por outro lado, além
dos adversários naturais (as equipes),
existem outros que contribuem para uma visão
nada confiável deste Pernambucano. A começar
pelo espaço reservado à exibição
dos atletas. Os péssimos gramados pelo
interior afora, que mais parecem servir para a
prática de vaquejada durante o resto do
ano, são liberados na maior cara de pau
pelos (ir) responsáveis da FPF.
Depois, todo mundo sabe,
ou deveria saber, que jogar futebol sob as altas
temperaturas do verão nordestino são
inadequadas à prática de futebol
profissional. Eu falo de futebol profissional.
Para fechar a conta, entram em cena os patéticos
árbitros locais. Sem o mínimo preparo
técnico, disciplinar e até mesmo
psicológico, eles conseguem despertar a
ira até de quem não acompanha, e
nem entende, de regras de futebol. Inaceitável!
Dois pesos e duas medidas
- Quando, na quarta rodada, o diretor do Sport,
Guilherme Beltrão, deu nome aos bois e
ameaçou Emerson Sobral com represálias,
tipo representação junto à
tutora do futebol pernambucano, aí houve
moderação por parte de cronistas.
Muitos dos segmentos não se sentiram à
vontade para exercer o seu papel de formador de
opinião. Houve até quem generalizasse
um grito (ou rugido) puramente leonino.
No entanto, após
o presidente do Náutico (Maurício
Cardoso), diretores, técnico e jogadores
alvirrubros reclamarem de arbitragem, aí
houve uma reviravolta. Descobriram
que o Náutico teve que jogar no campo de
pelada do José Vareda, em Limoeiro, debaixo
de um sol danado e contra o timinho do presidente
da FPF.
É claro que, para
agradar ao patrão, o apitador inventou
um pênalti para os donos da casa e ainda
expulsou o volante Ticão. Logo Ticão,
que esperou cinco rodadas para poder estrear.
Acho que, quem se achar lesado, deve sim reclamar
os seus direitos. Afinal de contas, isso não
é meramente transferir responsabilidade.
Se um time, ou especificamente
um jogador, falha, em termos técnico ou
disciplinar, e é punido por tal ato, então
porque isentar um árbitro de pagar pelos
erros que comete, e que não possui a mínima
condição de apitar uma partida da
Série A1 do Estadual? Basta de complacência
com esses absurdos que essas arbitragens danosas
têm causado ao próprio campeonato!
Afinal, por enquanto, já reclamaram vários
clubes: Sport, Petrolina, Ypiranga, Salgueiro,
Náutico...
Como os próprios
analistas dizem: Não é escondendo
os fatos que se chega à verdadeira conclusão.
Tenho dito.
Avante, Náutico!
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