|
Má jornada
em Belém e Clássico das Emoções
Por: Frederico Lira - Foto:
NauticoNET
Recife, 23 de Março
de 2007
A
derrota diante do Paysandu, na última
quarta-feira, deixou, mais uma vez, clara
a inconstância da equipe alvirrubra
nessa temporada. A goleada por 6x0 frente
à Cabense só enganou quem quis
– assim como aquelas contra Ypiranga
e Parnahyba. O Náutico continua apresentando
um futebol irregular, sonolento e sem aplicação
tática, especialmente no que se refere
às partidas longe dos Aflitos.
Verdade
que o gramado da Curuzu é absolutamente
impróprio para a prática desportiva
– e foi no mínimo imprudência
dos órgãos competentes transferirem
o jogo àquele local, quando o Pará
conta com um dos melhores estádios
do país, o Mangueirão –
mas a apatia e a passividade dos jogadores
são injustificáveis. Como se
não bastasse, o técnico PC Gusmão
contribuiu bastante para a má jornada
em Belém. No melhor jargão futebolístico,
PC “jogou contra o time”.
Tenho
a idéia de que o grande técnico
é aquele que extrai o máximo
rendimento possível de seus jogadores;
aquele que aproveita da melhor forma as características
e potencialidades do elenco. PC, contudo,
errou desde a escalação, passando
por substituições equivocadas
e completa desorganização tática.
Para
compor um sistema defensivo que certamente
seria bastante exigido no jogo aéreo,
PC optou por deixar Escalona no banco. Tá
certo que o chileno tem lá suas limitações
técnicas, é um tanto lento e
ainda está longe de render aquilo que
se espera, mas é bastante útil
na marcação e eficiente nas
bolas alçadas à área.
Creio que Escalona pode render um melhor futebol,
fazendo as vezes de um terceiro zagueiro ou
compondo o setor esquerdo de uma linha de
quatro na zaga – como fazia no Grêmio.
Um assustado Deleu, improvisado na posição
e deixando muitos espaços, foi a opção
do técnico – vá entender!
Soa
até absurdo conceber Acosta, o mais
lúcido jogador alvirrubro na partida,
mesmo tendo atuado apenas um tempo, no banco
de reservas. As opções táticas
de escalá-lo eram várias: como
um segundo atacante, próximo a Kuki;
fazendo dupla na meia-cancha com Marcel, no
lugar de um ineficiente Cristian; ou até
mesmo jogando à França de Domenech,
na Copa do Mundo, num 4-2-3-1, com liberdade
de chegar ao ataque. De qualquer maneira,
é fato que Beto Acosta, um jogador
de toque refinado e ótimo controle
de bola, não pode ficar de fora desse
time. Para o ataque, porém, PC optou
pelo garoto Jhon, que até parece ter
algum potencial, mas sentiu o peso de uma
partida de Copa do Brasil. Fábio Silva,
um jogador de maior vigor físico, poderia
ser mais útil num gramado que não
permite o bom toque de bola.
Por
fim, não posso deixar de lembrar de
Muricy Ramalho, o qual considero o melhor
treinador do Náutico nos últimos
anos, quando diz que “futebol é
feijão-com-arroz” – ou
seja, não há sentido em improvisações
desnecessárias. A dado momento do jogo,
PC manteve as laterais ocupadas por dois jogadores
improvisados: um volante na direita e um lateral-direito
na esquerda. Por mais ridículo que
possa parecer, às vezes o óbvio
precisa ser dito. Esse é o caso.
Defendendo
as cores encarnada e branca, desejo todo sucesso
do mundo a PC Gusmão, mas, se quisermos
quebrar esse incômodo jejum no Clássico
das Emoções, domingo, indubitavelmente
será necessária uma postura
diferente daquela apresentada em Belém.
|