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Ser linha dura é com ele mesmo
26/Ago/2003
Entrevista feita por Filipe Assis com Edson Gaúcho
Técnico com estilo “linha-dura”. Na linguagem do futebol, pode ser resumido como
o treinador que não admite, por hipótese alguma, qualquer indício de
indisciplina no elenco. Tendo essa como a principal característica de trabalho,
Édson Gaúcho chegou ao Náutico num momento delicado, em que seu antecessor,
Heriberto da Cunha, denunciou a existência de jogadores querendo se escalar
através dos nomes. De cara, o novo técnico deixou claro que não permite
“estrelismo” no elenco, nem jogador usando brinco ou cabelo grande, e muito
menos chegando atrasado nos treinos. Pior para os atletas, que são multados
quando perdem a hora. Em entrevista à Folha de Pernambuco, o ex-zagueiro chamou
sua filosofia de trabalho de profissionalismo, garantindo que isso é fundamental
para o sucesso do time na Série B. “Linha-dura” para alguns, profissional para
outros, o fato é que Édson Gaúcho não faz a menor cerimônia na hora de impor
limites. Segundo o treinador, um esforço necessário para o Náutico chegar ao seu
destino: a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.
Como jogador, você atuou no futebol pernambucano durante dez
anos, sendo dois no Santa Cruz (nos anos de 1981 e 1982) e cinco no Náutico (de
1983 a 1987). Que diferenças você vê no futebol do Estado da década de 80 para
hoje em dia? A qualidade das equipes é diferente. Tecnicamente, elas eram muito melhores
antigamente. Os times eram mais completos, com jogadores de mais qualidade. Mas
isso se deve a um processo de mudanças que o futebol em geral está passando. O
futebol hoje em dia é mais físico do que técnico. Hoje é 70% físico e 30%
técnico. Naquela época era exatamente o contrário. Então essa é a grande
diferença que eu vejo no futebol de hoje em relação ao do passado.
Além de Santa Cruz e Náutico, quais foram os times em que
você atuou? Comecei no Internacional de Porto Alegre, em 1974.
Depois passei pelo Juventude, pelo Aimoré, pelo Cruzeiro, e depois fui para a
Suíça, onde encerrei a minha carreira.
Você se
considera melhor técnico ou jogador? Acho que sou melhor técnico.
Como jogador, eu não tinha uma técnica muito apurada quando jogava. Era muita
força e vontade. Eu sabia das minhas limitações e quando você sabe das suas
limitações, você consegue sucesso. Consegui sucesso como atleta, mas espero
conseguir mais ainda como técnico.
As pessoas
costumam chamar a sua maneira de trabalho de “estilo linha-dura”. Você considera
seu estilo assim? O que as pessoas consideram “linha-dura” eu
chamo de profissionalismo. Sou profissional e exijo profissionalismo de todos os
atletas que trabalham comigo. Aliás, não só dos atletas, como de todas as
pessoas que trabalham comigo. Desde o departamento de futebol, ao departamento
médico, à rouparia, enfim, de todos os setores. Eu não sou “linha-dura”, eu sou
profissional.
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Edson Gaúcho

Foto: Futebol Interior |