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Ser linha dura é com ele mesmo
26/Ago/2003

Entrevista feita por Filipe Assis com Edson Gaúcho, continuação...

Desde quando você chegou ao Náutico, deixou claro que não gosta de jogador usando cabelo grande e brinco. Isso também se enquadra nesse profissionalismo a que você se refere?
Com certeza. Tudo o que atrapalha o atleta dentro de campo, vai me atrapalhar e, conseqüentemente, vai atrapalhar o clube também. Não proíbo o atleta de usar brinco, ou colar, ou qualquer outra coisa, desde que seja fora do clube. Agora se o jogador tiver cabelo comprido, e tiver transpirando, o suor vai cair nos olhos, e quem foi atleta sabe a dificuldade que ele vai ter. Por isso que eu coloco dessa maneira. Tudo o que atrapalha o atleta eu vou mandar tirar.

Do elenco do Náutico, alguém precisou se adaptar?
De maneira alguma. Quando eu cheguei aqui não precisei falar com ninguém. Eles mesmos fizeram, porque sabem o que está atrapalhando eles. Mas não precisei pedir nada a ninguém. O problema é que quem usa brinco está jogando fora dos padrões que a FIFA exige. Já o cabelo comprido, é aceito normalmente em outros países, como na Espanha, na Itália, na Inglaterra e na Argentina. Mas cada técnico tem a sua maneira de trabalhar e a minha é assim. Também não quero prejudicar ninguém. Não exijo que eles rapem a cabeça, só que eles cortem o cabelo como atletas profissionais.

Essa “caixinha” para multar os jogadores que chegam atrasados nos treinos existe mesmo?
Com certeza. Se você chegou um minuto atrasado, vai pagar à “caixinha”. Mas não é para dividir entre os jogadores (como se fazia antigamente), e sim para comprar cestas básicas para distribuir entre as pessoas carentes. Cada minuto de atraso representa uma multa de R$ 50. O limite é sempre dez minutos antes de começar os trabalhos. Depois disso, cada minuto de atraso será multado com R$ 50. Se os jogadores atrasarem, o problema é deles. A gente pega o dinheiro e vai comprar cestas básicas para as pessoas pobres que precisam.

E pelo movimento da “caixinha” até o momento, vai dar para comprar muitas cestas básicas?
Bastante. No final do mês vamos contabilizar e quem vai agradecer são as pessoas carentes. Mas é preciso dizer que eu não quero radicalizar. Pode acontecer uma emergência, como o carro quebrar no meio da rua e pessoa não ter como chegar na hora do treino. Então antes de multar o jogador a gente procura conversar e saber o que aconteceu.

Quando o treinador se atrasa também contribui para o crescimento da “caixinha”?
Claro. Ela não foi feita para uma pessoa especificamente, e sim para todos. Portanto, se eu me atrasar, vou pagar também.

Já aconteceu de você se atrasar e pagar a “multa”?
Nunca. Pode ser que um dia eu chegue atrasado, mas até hoje isso nunca aconteceu.







Edson Gaúcho



Foto: Futebol Interior

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