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Voltei
pela saudade que sentia de Pernambuco
Por: Henrique Queiroz - Foto: NauticoNET
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O meia-ofensivo Juninho
Petrolina está de volta. Após quatro
anos em Portugal, onde defendeu o Beira-Mar e
o Belenenses (seu último clube), ele decidiu
retornar e assinou contrato com o Náutico
até o fim da Série B do Campeonato
Brasileiro. Hamilton Timbira Dias dos Santos Júnior,
30 anos, começou a brilhar quando atuou
no Sport, tendo conquistado três títulos
pelo Leão - 1996/97/99. Em seguida se transferiu
para o Atlético Mineiro, depois defendeu
o Vitória e em 2001 passou quatro meses
no Santa Cruz. Na entrevista dada ao JC, o meia
diz que cresceu profissionalmente e que tem outra
visão do futebol. Afirma que aprendeu a
marcar, a jogar de forma mais coletiva e conseguiu
também sua estabilidade financeira. Elogia
muito o profissionalismo em Portugal e garante
que lá nunca recebeu os salários
com atraso. Mesmo assim, decidiu voltar. "Estava
com muita saudade do Brasil. A minha prioridade
era retornar. Especialmente voltar para Pernambuco."
JORNAL DO COMMERCIO - Os quatro anos no futebol
português mudaram de alguma forma a sua
visão do futebol?
JUNINHO PETROLINA - Mudaram e muito. A
gente cresce profissionalmente. Até porque,
em Portugal, o profissionalismo é verdadeiro,
funciona. É muito diferente do Brasil.
Os clubes cumprem com as obrigações
religiosamente.
JC - Pode dar detalhes das mudanças
que ocorreram?
JP - A minha forma de atuar mudou. Eu não
marcava muito. Agora, volto para ajudar na marcação,
mas permaneço com a minha característica
de velocidade, de atacar. Ao mesmo tempo, toco
mais a bola, criando mais jogadas. O fundamental,
porém, foi uma mudança profissional.
A gente amadurece. Dedica-se mais à profissão.
Em Portugal, nunca tive atraso nos salários.
Os clubes ainda dão todas as condições
de trabalho. Por isso, a gente fica mais responsável.
JC - Qual a recomendação
para um jovem atleta se dar bem fora do Brasil?
JP - O mais importante é se enquadrar
o mais rápido possível. Em Portugal,
por exemplo, há um respeito muito grande
pelo profissional. A hierarquia é respeitada.
O jogador não pode ser indisciplinado.
Portanto, tem que ser profissional de verdade.
JC - Quais foram os motivos para você
retornar ao Brasil?
JP - Primeiro eu estava com muita saudade
do Brasil. Queria voltar para Pernambuco. Tinha
até mais um ano de contrato com o Belenenses.
Mas queria pegar também o meu passe. Fizemos
um acordo e, graças a Deus, sou dono do
meu passe.
JC - Quando você estará pronto
para estrear?
JP - Acredito que para o jogo contra o
Marília (dia 27, nos Aflitos). Tenho treinado
muito fisicamente. O fundamental é que
serei mais um no grupo. O Náutico tem um
elenco maravilhoso, todos são amigos, há
uma união grande. Não terei dificuldade
de entrosamento com o time.
JC - Você terá de brigar pela
posição de titular, pois todos estão
bem tecnicamente?
JP - O meu objetivo é lutar pela
posição, mas respeitando os meus
companheiros e ajudando dentro das minhas possibilidades.
Acho que tenho todas as condições
de me encaixar bem no time.
JC - A Série B é uma competição
dura, muito difícil. Há uma fórmula
para levar o time de volta a Série A?
JP - O futebol é algo simples, não
exige fórmulas mágicas. Na Série
B o fundamental é ter determinação
e garra. É claro que é preciso também
jogar bem, render tecnicamente. Mas quando não
há chance de vencer jogando bem é
preciso colocar a força de vontade. O Náutico
tem mostrado isso. O time sofreu uma goleada para
o São Raimundo (4x0) e não jogo
com o Bahia mostrou uma força de reação
muito grande e goleou (4x0), apresentando um bom
futebol, mas também aplicação
tática, todo mundo correndo, lutando pela
posse de bola. É dessa forma que se pode
chegar na Série A.
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