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“Hoje eu faço parte do Náutico”
21/Dez/2003

Entrevista feita por Filipe Assis com Nílson, continuação...

Fala um pouco mais sobre essa obra social que você está à frente.
É uma obra social que temos na nossa igreja, com 30 famílias. Para nós é muito gratificante ter a aproximação com essas pessoas porque elas vivem num mundo diferente do nosso em se tratando de questão social. Procuramos dar cesta básica para cada família e o mais importante de tudo isso é pregar a palavra de Deus, mostrando que ele pode mudar essa situação.

E o futevôlei? Vai abandonar a partir de agora?
É, a partir do momento que eu começar a treinar, só nas minhas folgas, se der, eu irei jogar. Mas eu já joguei bastante e vai demorar para sentir saudade.

Ao renovar o contrato com o Sport, o goleiro Bosco insinuou que não se contentaria em ser o reserva de Maizena novamente. Você aceitaria sem problemas ser o reserva de Gilberto?
No meu contrato não reza que eu tenho que ser o titular da posição. Eu sou um funcionário do Náutico e tenho que exercer as minhas obrigações, que são estar presente em todos os treinos, jogos e eventos do clube, cumprindo os horários. E isso eu vou fazer. Agora, o meu desenvolvimento dentro do trabalho é que vai dizer se serei o titular ou não. Lógico que eu quero ser o titular, porque se um atleta não almeja ser titular, não pode fazer parte do grupo. Vou trabalhar e lutar para isso. Mas será preciso eu trabalhar bastante para isso.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, no dia 11 de novembro do ano passado, quando ainda era goleiro do Santa Cruz, você declarou que os negros não eram bem aceitos no Náutico e por isso não se imaginava sendo um atleta do clube. O que o fez mudar de idéia?
Eu falei isso no momento, por causa de uma história que foi contada para mim sobre o passado do Náutico, e essa entrevista foi logo no início que aconteceu aquela manifestação da torcida. Eu nunca tinha passado por aquilo e não estava sabendo reagir diante daquela situação. E eu disse que naquele momento eu não me via jogando no Náutico. Hoje é uma situação diferente, não tenho vínculo nenhum com o Santa Cruz e hoje faço parte do Náutico.

Nessa mesma entrevista eu perguntei qual era o seu time do coração e você respondeu que era o Santa Cruz e que continuaria sendo mesmo quando saísse do clube. Hoje em dia, qual é o seu time?
Eu comecei no Vitória, foi o time que me projetou, que me deu uma base profissional, e que me proporcionou a ida à Seleção Brasileira. No Santa Cruz foi a minha recuperação e isso ficou marcado. Como o Náutico está começando a marcar, por ter sido o clube que me deu uma oportunidade depois de eu ter ficado esse período sem estar jogando. Eu acredito que cada momento tem a sua situação. O Náutico é mais um clube que, com certeza, com o decorrer do tempo, vai ser um clube importante na minha vida, como foram esses dois (Vitória e Santa Cruz). Mas eu sou um atleta profissional e defendo o clube que eu trabalho. E não vai ser diferente, onde quer que eu esteja.










Nílson



Foto: JC Arquivo

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