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Tem
que chamá-los de Pinóquio
Por: Folhape - Foto: NauticoNET
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Quando o Náutico
anunciou a contratação de Odvan,
muitos questionaram a vinda do atleta, enquanto
outros tantos ficaram satisfeitos com a nova aquisição
alvirrubra. Afinal, o clube estava à procura
de um zagueiro experiente para formar dupla com
Batata e o jogador detém um currículo
invejável. Porém, apesar de ser
campeão da Taça Libertadores das
Américas e bi Brasileiro pelo Vasco da
Gama, além dos títulos da Copa América
e da Copa das Confederações, ambos
em 1999, pela Seleção Brasileira,
Odvan vinha há um longo tempo parado -
não atuava desde dezembro de 2004. No entanto,
ele foi dispensado sem ao menos ter estreado.
Os motivos de sua saída renderam várias
discussões. Segundo a direção
alvirrubra, ele foi pego na farra, juntamente
com o lateral-direito Bruno Carvalho, após
a derrota no clássico para o Santa Cruz,
há 15 dias. O jogador mantém o discurso
de nunca ter ido à Vaquejada de Carpina.
O certo mesmo é que Bruno Carvalho terminou
sendo reintegrado ao elenco. Numa entrevista concedida
à reportagem da Folha de Pernambuco, Odvan
fala sobre todos os problemas ocorridos nas duas
semanas em que ficou nos Aflitos.
Tem alguma explicação
para Bruno Carvalho ser perdoado pelo Náutico
e você não?
Meu salário é muito maior do que
o do Bruno. A realidade é que o Náutico
não tem dinheiro. A grande prova que o
problema foi dinheiro aconteceu agora. O Bruno
voltou e eu não. O pensamento deles era
esse. Aí como não tiveram dinheiro
para me pagar ficaram inventando essas coisas.
Eles são muito bobos. Homem que é
homem tem que assumir. O Bruno assumiu que foi
e eu disse que não fui. O Bruno também
falou que eu não estava na vaquejada. Agora
o engraçado é que ao invés
deles ligarem ou falarem pessoalmente com a gente,
eles falam para a imprensa passar a notícia.
Dá para confiar?
Você aceitaria
voltar, caso a diretoria pedisse?
No meu modo de pensar foi uma sacanagem o que
eles falaram do Bruno e de mim. Como é
que eu vou ficar num clube que meteu o pau em
mim. Eu não sou assim. Não tenho
cara de pau. Rubinho dá uma de diretor
experiente, mas me contratou sem ter condições.
Para ele é fácil falar do jogador.
Sou um homem de palavra e personalidade. Eles
não tiveram respeito comigo. Não
teria mais clima para ficar no clube.
Mas o presidente do Náutico afirmou
que uma pessoa da confiança dele te viu
na vaquejada?
Agora sabe o que tem que fazer. Mandar o filho
dele pagar a multa. O cara que é presidente
do clube precisa ouvir filho. Imagina se eu fosse
ouvir minha filha falando 'papai não joga
bola não'. Por outro lado, o filho do presidente
agora é presidente do clube também.
O filho sai vigiando os outros. Mas é bom
até saber disso porque todos os jogadores
do Náutico precisam ter cuidado porque
o filho do presidente é o dedo-duro. Só
que ele é um dedo-duro cego porque ele
não conhece as pessoas. Tem que chamá-los
de Pinóquio. Tem que botar a foto de todos
da diretoria nos jornais com o nariz grande.
No dia que afirmaram que você estaria
na Vaquejada de Carpina você estava onde?
Estava falando com minha esposa no telefone. Minha
filha estava doente e eu saí às
pressas depois do jogo. Fui direto para casa para
saber como estava minha filha. Mas como viram
eu saindo junto com o Bruno e o Gallo dirigindo,
além de outro moleque no carro, aí
eles acharam que o Bruno estava lá no lugar
e eu também. Eles sabiam que eu estava
pagando táxi todo o dia para ir do treino
para o hotel. Aliás, eles tão devendo
há muito tempo ao hotel. Então nem
pagar o hotel eles fizeram. Eu tive que pagar
a minha conta do hotel porque o clube estava devendo
pra caramba. Os funcionários do hotel é
que estavam comentando.
Você está se referindo ao hotel
onde o Náutico te hospedou?
A diretoria do Náutico foi quem me hospedou
lá. Me colocaram num hotel que nem time
de Terceira Divisão fica. É louco
rapaz! Se eu não reclamo do hotel, eles
tinham me deixado ali. Aí vão dizer
que são profissionais.
Quando o episódio aconteceu, você
chegou a falar que não assinou contrato
algum proibindo sair de casa para se divertir?
Olha só como não tem lógica.
Só faltaram dizer que eu estava vestido
de vermelho e branco. É muito amadorismo.
Por outro lado, mesmo que eu tivesse ido é
problema meu. Depois do jogo, no meu momento de
folga, eu posso fazer o que eu quiser. Quando
eu assinei o contrato com o Náutico não
tinha algo dizendo que eu era obrigado a ficar
preso em casa sem sair. Outra coisa, o treino
era de 8h e às 7h30 eu já estava
pronto no clube. Pode perguntar a qualquer um
lá do clube se eu chegava atrasado. Mas
a diretoria é amadora e age na verdade
como torcedores. Eles acham que o jogador de futebol
tem que ir do campo para casa e de casa para o
campo. Se ele vai jogar no domingo, ele tem que
ficar segunda, terça, quarta, quinta e
sexta sem botar a cara na rua. O que é
isso? Com toda a experiência e vivência
que eu tenho de ter rodado o mundo todo nunca
ouvi falar nisso. Mas é aquele negócio
que meu pai falou: Eu vou morrer e não
vou ver tudo. O presidente deu uma entrevista
à televisão dizendo que já
estava traumatizado de uma coisa que aconteceu
o ano passado. O que tem a ver. Jogares do ano
passado são jogadores do ano passado. Ele
inventaram está história porque
na verdade estão sem dinheiro.
Você comentou que antes de vir para o
Náutico não tinha boas informações
sobre o clube?
Falavam muitas coisas. Mas era mais respeito à
diretoria, que ela era muito amadora. E com certeza
deu para comprovar o que me avisaram. Agora essas
mesmas pessoas me ligam e eu tenho que dizer:
bem que você me falou. É mole! O
pior não é isso. É fácil
para eles criticarem o nome dos outros. Daqui
a pouco, eles largam o Náutico afundado
e acabou. Ficam esquecidos de novo. O Náutico
precisa de uma diretoria de peso.
Como foi sua chegada no Náutico?
Todos os clubes onde passei, quando o atleta chega
na cidade tem um diretor te esperando no aeroporto
para dar as boas vindas. Você já
se sente seguro. No Náutico foi diferente.
Só tinha meu procurador no aeroporto. Mesmo
assim, continuei quieto. Mas depois fiquei uma
semana treinando e não apareceu nenhum
diretor para me conhecer. Passaram uma semana
para assinar meu contrato. E tinha ninguém
no clube para me dizer alguma coisa sobre a situação.
E por que você demorou quase uma semana
para assinar o contrato?
Será que eles estavam pensando que iam
me colocar para fazer teste? Eu não duvido
muito não. Eles não conhecem o cara.
Não sabem por onde eu passei, nem meu currículo.
Aí é simples chegar para rádio,
jornal e televisão, e falar bobagem.
Você contou que só conheceu Ricardo
Valois, presidente do Náutico, após
o episódio que resultou na sua dispensa?
Só conheci o presidente depois de duas
semanas. Eu ficava vendo todo mundo passando e
não sabia se era o presidente porque não
me apresentaram. Como é que pode um troço
desse? Se chegasse pelo menos um cara de terno
e gravata num carro importado, aí eu poderia
pensar que era o cara. Mas é todo mundo
da mesma maneira. Você fica perdido. Garanto
a você que no Sport e no Santa Cruz as coisas
são totalmente diferentes.
Você também contou que o presidente
assinou seu contrato sem ter lido?
Acertei meu contrato com Lourdinha (supervisora
de futebol do clube). O presidente assinou o contrato
sem nem saber da cláusula. Só o
coronel (Vulpian Novaes, gerente de futebol) viu
depois a história da multa. Mas já
tinha assinado e mandado o contrato para a Federação.
Não tinha como mudar. Já estava
com a cópia em minhas mãos. Ele
(Vulpian) só falou para meu advogado que
tinha a multa de R$ 150 mil se eu ou o clube quebrasse
o contrato. Eu mostrei a cópia da multa
para todo mundo, inclusive filmaram.
Diante de todos estes fatos, você pensou
em pedir para sair?
Eu não faria isso porque acima de tudo
eu tinha uma multa rescisória e ficaria
trabalhando no clube. Eu passaria por tudo isso,
mas estaria jogando com a camisa do Náutico.
Mesmo com estes problemas, eu iria levando. Eu
sou homem. Não corro não. Já
joguei no Maracanã com cem mil pessoas
me xingando e eu dando risada.
Teu advogado já deu entrada na Justiça
contra o Náutico?
Acho que ele já deu entrada. Se eles (diretores
do Náutico) tivessem falado comigo e explicado
que não tinham dinheiro e não fizessem
o que fizeram, tínhamos resolvido numa
boa. Tinha até baixado meu salário
para ficar com eles. Agora eles saem falando o
que não deve. Só depois que eles
falaram da história da vaquejada, eu dei
a minha versão. Ainda falei que eu pagaria
do meu bolso dois salários para o Náutico.
Para depois eles me pagarem os R$ 150 mil. Por
outro lado, o clube vai ter que pagar uma multa
altíssima sem eu ter jogado. Por besteira
deles. Mas, também, por outro lado, eu
peço desculpas à torcida do Náutico
porque tentei ajudar, mas as pessoas do clube
não querem que eu use da minha experiência.
Por estas duas semanas que você teve
de convivência com o elenco alvirrubro,
você acredita que o Náutico tem chance
de subir à Primeira Divisão?
Eu vou falar uma coisa para você. Com os
jogadores que o Náutico possui tem tudo
para subir. Mas com essa diretoria não
sobe, por experiência própria. Para
um time subir precisa ter um alicerce muito bom.
Precisa sentir o apoio da diretoria. Não
atrasa salário, não arruma confusão
com jogador. Mas eles não conseguem fazer
isso.
Então teve confusão da diretoria
com algum jogador?
Quase teve uma briga. Eu nunca vi isso. No meio
de todo mundo. Dirigente que se preza chama o
jogador na sala dele e fala em particular. É
tudo tão errado lá que quando eu
cheguei já tinha uma lista de dispensas.
Aí eu já pensei: como um time está
querendo subir e já coloca uma lista de
dispensa dessa?
Como esta notícia
de lista de dispensa repercutiu dentro do grupo,
pois surgiu antes do jogo contra a Anapolina,
em Anápolis/GO?
Todos ficaram abalados né. E não
foi só com os jogadores que estavam na
lista de dispensa. Os atletas que não tinham
nada a ver estavam chateados também. Como
um diretor bota isso na imprensa? Tem como um
time subir com uma diretoria dessa? E eles ainda
falam para nós jogadores que foi a imprensa
que botou. Dentro do campo tem excelentes jogadores.
O problema é fora. E é claro esses
problemas terminam refletindo dentro do campo.
Você cogita no futuro defender o Náutico?
Voltaria com o maior prazer. Mas desde que estas
pessoas não estivessem mais à frente
do clube.
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