|
A
torcida ainda vai sorrir muito
Por: Frederico Kataoka - Foto: NauticoNET
 |
Quando chegou no Náutico,
às vésperas da primeira rodada da
Série B, o treinador Roberto Cavalo encontrou
uma equipe desacreditada e com desfalques em alguns
setores. O pouco tempo que teve para se entrosar
com o elenco e a falta de reforços o colocaram
logo na corda bamba. O técnico teve o trabalho
questionado em função de duas derrotas
seguidas, mas o grupo se fechou e superou parte
das dificuldades ao vencer a Anapolina na última
terça-feira.
A vitória veio, os novos contratados chegaram
e o clima de otimismo aumentou. O comandante alvirrubro
voltou a realizar os treinos com tranqüilidade.
Mais confiante, Cavalo conversou com a Folha de
Pernambuco e pediu à Imprensa para
apoiar o time. Ele falou sobre as surpresas que
encontrou na Rosa e Silva, as dificuldades iniciais
e o nível da Segundona 2005. Além
disso, contou que foi bem recebido pelos torcedores
timbus e
pretende realizar um trabalho duradouro em Pernambuco.
"A diretoria apostou no meu trabalho e já
tenho o respaldo dela. Acho que estamos no caminho
certo.
Gostei do Recife e espero continuar aqui por muito
tempo".
O que você está achando do Recife?
Você foi bem recebido?
Eu já conhecia o Recife. É uma cidade
maravilhosa. Fui bem recebido pela torcida do
Náutico, o que representa um primeiro passo.
A diretoria apostou no meu trabalho e já
tenho o respaldo dela. Acho que estamos no caminho
certo.
O que mais lhe surpreendeu quando você se
apresentou nos Aflitos?
Eu fiquei surpreso com a estrutura do clube. A
gente vem de fora e às vezes não
imagina o quanto é grande e bom isso daqui,
as condições de trabalho e a maneira
como a diretoria e a torcida me receberam.
O grupo fechou uma espécie de pacto com
você. Inclusive, alguns atletas pediram
sua permanência prolongada no clube. Como
você recebe essa reação do
elenco?
Isso é muito bom, gratificante. Os jogadores
realmente se reuniram e falaram até com
a diretoria que eu deveria ficar aqui por uns
dois ou três anos. Isso quer dizer que a
gente já transmitiu coisas boas para eles
e que o trabalho é bom porque, se você
não é uma pessoa competente ou benquista,
não tem essas respostas. Eu tive realmente
a resposta do grupo. Fiquei muito emocionado antes
e depois do jogo contra a Anapolina e quando os
jogadores mais experientes falaram. A gente fica
grato com essas palavras, pois são ídolos
consagrados que falaram de uma maneira que me
comoveram.
Do outro lado, qual foi a principal dificuldade
que você encontrou no Náutico e ainda
encontra?
O plantel! Temos um plantel que foi contratado
hoje, mas que precisa treinar amanhã. Tínhamos
até ontem um plantel reduzido. A gente
vinha de duas derrotas e conseguimos dar um pequeno
passo contra a Anapolina. Com os jogadores contratados,
o grupo ganha corpo.
Muito se falou em dispensas na última semana.
A sua opinião é justamente ao contrário,
não é?
Temos que contratar, reforçar o plantel.
Num campeonato regional dá para trabalhar
com 18 profissionais e o resto do elenco dos juniores
porque é uma competição curta.
Já na Série B, que vamos até
novembro, é preciso um plantel. Mas ter
plantel não é apenas ter 25 ou 23
jogadores. É necessário possuir
de 27 a 30 atletas, contando com os garotos da
casa.
Como você fez para mudar o ambiente do grupo
após as duas derrotas seguidas na Série
B deste ano?
Quando chegamos aqui, até antes mesmo da
estréia, criamos um clima bom, positivo.
O grupo assimilou bem como a gente iria trabalhar.
Só que as duas derrotas deixaram aquela
puginha atrás da orelha, complicou a nossa
situação. Mas essa é uma
diretoria competente e partiu logo em busca de
contratações. Começamos o
campeonato com problemas. Estava com medo. Estava
desesperado porque eu não poderia perder
para a União Barbarense/SP. São
três pontos que não vamos recuperar
mais. Não há o jogo da volta e é
um time que vai brigar para não cair. Eu
sei que não vai haver contratação
lá. Passei isso para o grupo. Não
poderíamos perder aquela partida de maneira
nenhuma. Depois veio a Portuguesa e foi a mesma
coisa. Jogamos de igual para igual e fomos surpreendidos
dentro do Recife. Ao perder dois jogos, começa
a se criar um clima tenso. A Imprensa é
obrigada a criticar porque só se fala bem
quando há resultado positivo. Pesa na torcida,
pesa na diretoria e pesa ainda mais no grupo.
O que fizemos? Mobilizamos o grupo contra a Anapolina
e falamos que iríamos fazer o jogo das
nossas vidas.
Qual foi a sua reação quando surgiu
a notícia de uma lista de dispensas na
concentração do jogo contra a Anapolina?
Isso é muito ruim. Você está
mobilizado para um jogo decisivo e vazam coisas
que não existem. Seria bom a pessoa que
escreveu no jornal colocar o nome de quem falou.
Ligaram as esposas dos atletas para a concentração
e ligaram os empresários falando do que
está acontecendo no Recife. Tirei proveito
dessa situação e mobilizei ainda
mais forte o grupo. Falei que os jogadores que
estavam lá jamais sairiam do clube. Isso
foi falado inclusive pela diretoria. Não
sabemos se essas pessoas que escrevem ou falam
tem às vezes má intenção
ou se é porque não gostam do Náutico
e querem criar um clima de tensão. O importante
é que o time, mesmo com os acontecimentos
no Recife, se mobilizou e ganhou em Anápolis.
Qual é a diferença entre os clubes
que você passou e o Náutico?
Os times da Série B são parecidos.
Estamos tendo melhores condições
de trabalho no Náutico hoje. O Náutico
tem uma proposta firme de voltar à Série
A. Outros times às vezes entram na competição
só para fazer uma boa campanha no Brasileiro.
Isso não é bom para nós,
que somos profissionais. Bom é pegar um
clube como o Náutico, que está apostando
na Série B.
O que você está
achando da Série B deste ano?
O nível está bom. No começo
do campeonato vai haver muitos altos e baixos.
É preocupante para quem fica atrás
porque não há o jogo da volta. Não
é como a Série A, que tem turno
e returno.
Já tem algum clube chamando a sua atenção?
Não. Estão todos nivelados. O líder
até hoje é a Portuguesa, que é
um time normal, igual ao nosso. Não digo
que é o favorito a subir. É uma
equipe bem postada, que joga com um esquema de
marcação forte, puxando os contra-ataques.
A tabela está embolada. Temos que torcer
pela Portuguesa porque não a pegaremos
mais.
|