ENTREVISTA

Com um currículo invejável para um treinador pernambucano, o técnico Givanildo Oliveira (foto) nos últimos dois anos e meio conquistou quase tudo com o Paysandu. Foi tricampeão paraense, campeão da Copa Norte, recentemente campeão da Copa dos Campeões, colocando o time pela primeira vez numa Copa Libertadores da América. Além disso, levou o Papão à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Feito que já tinha ocorrido quando colocou o América Mineiro na ‘elite’.

A vinda para o Náutico foi recebida como uma esperança de o time se classificar entre os oito e lutar para voltar a Primeirona. Mas as coisas não ocorreram como se esperava. Desde que chegou, só administrou problemas. Houve jogo em que ficou sem oito titulares, alguns suspensos e outros lesionados. Na entrevista ao Jornal do Commercio, ele faz uma rápida análise da situação e diz que os clubes precisam planejar melhor o futebol.

JORNAL DO COMMERCIO – Qual a maior dificuldade que você encontrou quando assumiu o Náutico?

GIVANILDO OLIVEIRA – Encontrei muitos problemas de contusões, como Gilberto, Paulinho, Sílvio, Celinho. Já Gilberto Martins não estava regularizado. Infelizmente, no primeiro jogo não conseguimos uma vitória (2×2 com o América Mineiro), mas segundo vocês da imprensa, o time fez uma boa apresentação, fato que ainda não havia ocorrido. Depois, pegamos o Fortaleza, que naquele momento era o líder, e vencemos. Pensamos que o time cresceria. Saímos para os jogos fora, o time caiu e começaram de novo as contusões, mas também erramos, não podemos esconder. O pior foi não poder repetir um time.

JC – Você acha que os nossos clubes precisam de um melhor planejamento. Fale sobre o Paysandu.

GIVANILDO – Às vezes, a gente assume um time no meio de uma competição e dá certo. Quando cheguei ao Paysandu, Fito Neves tinha saído. Em abril de 2000, tive uma reunião com o presidente e traçamos um plano. Fomos campeões estaduais, participamos bem da Copa João Havelange. Daí, em 2001, estava tudo planejado, fizemos uma pré-temporada, coisa que eles nunca fizeram. Ganhamos o bicampeonato paraense, conquistamos a Segunda Divisão e o Paysandu voltou para a Primeira. Este ano, fomos tricampeões estaduais, conquistamos a Copa Norte, a Copa dos Campeões e o direito de disputar a Libertadores, um feito inédito na história do Paysandu.

JC – Os três grandes de Pernambuco fizeram dois times este ano. Esse fato se repete sempre. O que fazer?

GIVANILDO – Eu sempre disse que isso é um absurdo. Não vou falar de lei. Basta fazer contrato de três anos ou cinco, e o garoto fica no clube. Os três contratam jogador e a torcida reclama, a imprensa critica, mas não há dinheiro. É preciso fazer o jogador em casa e depois ir buscar outros, de acordo com as necessidades.

JC – Você pensa em permanecer no Náutico, uma vez que já recebeu dois convites?

GIVANILDO – Eu posso dizer para a torcida do Náutico e para a imprensa que quando disse que recebi dois convites não foi do Palmeiras, não foi do São Paulo. Recebi dois convites bons, são dois times que fazem um trabalho em cima de um planejamento, um trabalho a longo prazo. Não fui porque o meu momento é o Náutico. Se continuar, sei que terei problemas com a saída de vários jogadores, mas já estou aqui e isso facilita mais o trabalho. Já sei o que é que falta e aquilo de que precisamos.

JC – O calendário do próximo ano reduz os campeonatos estaduais, acaba com os regionais e coloca o Campeonato Brasileiro com oito mese de duração. Muitos clubes, principalmente menores, vão fechar as portas. O que você acha?

GIVANILDO – Sempre acaba em cima dos pobres, esse é o problema no País. Como acabaram com os regionais, os estaduais poderiam se estender. Aí o Brasileiro poderia ser mais longo.

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