O projeto que se iniciou na gestão de Sérgio Aquino, será seguido à risca pelo seu sucessor, a partir de janeiro, quando assumir a presidência
O futuro presidente do Náutico, Eduardo Araújo, que será aclamado pelo Conselho Deliberativo, no dia 19 de dezembro, é claro nas suas idéias e posições: o clube não sofrerá na sua gestão, em 2003, nenhum tipo de mudança quanto à orientação deixada pelo presidente Sérgio Aquino. Ao lado do vice, Gustavo Krause, que participa diretamente da atual gestão e foi um dos criadores do Planejamento Estratégico para soerguer e estruturar o Alvirrubro, Eduardo Araújo vai dar continuidade ao projeto, considerado fundamental e também a ‘tábua de salvação do clube’.
“A minha administração será da continuidade e do continuísmo. O projeto criado na administração de Sérgio Aquino é a grande base do Náutico. Nada sofrerá mudanças”, assegura Eduardo Araújo.
Aos 56 anos, ex-deputado estadual em três legislaturas, Eduardo Araújo já havia sido candidato a presidente em 1999, mas preferiu não manter a chapa ao lado de Salomão Couto, para evitar uma divisão no Náutico, pois na época Fred Oliveira e André Campos eram candidatos.
“Foi uma decisão normal. Mas não deixei de ajudar o Náutico. Agora, posso assegurar que me preparei para ser presidente”, explicou.
DIVISÕES DE BASE – Ao lado do assessor da presidência, Paulo Guilherme Pontes, o futuro presidente ressaltou que as divisões de base para formar novos jogadores são uma das prioridades. Por isso, será mantida na próxima temporada a campanha ‘O futuro por um real’. Ou seja: o torcedor vai continuar pagando um real a mais no valor dos ingressos para ajudar as divisões de base e o Centro de Treinamento Wilson Campos, na Guabiraba.
“O Náutico está retomando um trabalho sério para revelar jogadores. A maior demonstração foi Aílton (emprestado ao São Paulo com passe estipulado em R$ 800 mil, já tendo o clube paulista pago R$ 400 mil) é outro trabalho que vai salvar o clube”, diz, com entusiasmo.
Na mesma linha, continuará a luta pelo recuperação do patrimônio. A terceira etapa da ampliação do Estádio Eládio de Barros Carvalho já foi terminada. Além disso, vários departamentos foram recuperados e outros construídos. “Tudo está funcionando bem. Vamos procurar aprimorar o que temos e criar mais alternativas. Os resultados, talvez, não venham a curto prazo, mas virão”, comentou Eduardo Araújo.
Sérgio Aquino, na sua administração, já pagou R$ 400 mil de causas trabalhistas. Além disso, parcelou na Caixa Econômica toda a dívida com o FGTS. Eduardo Araújo lembra que o passivo na Justiça é outra prioridade. “Vamos manter a mesma linha. Precisamos resolver essa questão. Só assim, o clube vai respirar financeiramente.”
DIRETORIA – Eduardo Araújo não pretende mudar a diretoria. Seu objetivo é manter também os diretores de futebol Sérgio Lins, Eduardo Loyo, Antônio Amante e Ricardo Oliveira.
“A diretoria será a mesma. E para mim todo torcedor do Náutico é um diretor do clube. O diálogo será o mesmo. Estou aberto para ouvir e aprender”, garantiu o futuro presidente.
A respeito da Confraria Timbu de Ouro, que não quer cargos na nova administração, Eduardo Araújo argumentou que ela está sendo ouvida. “É um grupo de alvirrubros de alto nível. Todos eles trabalham para o Náutico. Portanto, continuarão sendo ouvidos.”
Antes de aceitar ser o candidato à presidência, Eduardo Araújo chegou a sugerir o nome de Inaldo Silva, um dos membros da Timbu de Ouro. “Essa é uma demonstração de que não havia nenhum tipo de divisão. O Náutico é um clube unido. Inaldo só não aceitou devido aos seus compromissos profissionais. Também foi colocado o nome de Ricardo Valois. Mas ele alegou que não tinha condições de assumir. Mesmo assim, esses alvirrubros estão sempre presentes no clube.”
Mostrando que realmente quer o diálogo, Eduardo Araújo deu uma prova de humildade ao falar sobre o vice-presidente Gustavo Krause. “Na verdade, sou um auxiliar de Krause. Estatutariamente sou o presidente, mas Krause também tem todas as condições de ser o presidente, pois tem experiência, competência e inteligência.”
CALENDÁRIO – Uma preocupação é em relação ao calendário do futebol para 2003. Eduardo Araújo considera, no momento, a Série B do Campeonato Brasileiro uma competição deficitária. No próximo ano, a Série B será realizada num período de oito meses, em ida e volta. Mas, comenta-se que a renda será sempre do mandante, o que para Eduardo Araújo significa mais prejuízo financeiro. “Com 22 clubes na Série B, vamos fazer 21 jogos em casa e 21 fora. Com a renda sendo do mandante, todos os clubes terão prejuízo.”
Para Araújo, o calendário feito pela Confederação Brasileira de Futebol vai levar vários clubes nordestinos à falência. “Estamos numa região sofrida. Os nossos clubes não irão suportar tantas competições deficitárias. Vamos esperar mudanças, principalmente com a retomada do Campeonato do Nordeste, que é fundamental para os clubes nordestinos.” E acrescentou: “Também precisamos preservar o Campeonato Pernambucano. É uma tradição e não podemos deixar acabar”.