SÉRIE B

É o que pregava um grande pensador alemão. Deve ser, também a maior lição e a mais notável experiência que se pode extrair da decepcionante e estressante campanha do Náutico no campeonato da Série B, em benefício do futuro do clube.

Nos últimos três anos, que foram marcados por uma extraordinária mobilização em torno da recuperação do Náutico, houve momentos de grande frustração, acompanhados de um sentimento que chegou a beirar o desânimo. Lembro, por exemplo, abril de 2001, quando o Náutico foi batido e eliminado, dentro dos Aflitos, pelo arqui-rival, Sport, no Campeonato do Nordeste, depois de uma impecável trajetória. Foi um momento difícil. De quase desespero. Nada parecia dar certo. O ano do centenário poderia não ser um ano de festas.

Outras frustrações menores ocorreram, como a desclassificação do Campeonato Brasileiro da Série B pelo Figueirense, ano passado. Mas nada que não estivesse dentro do que é previsível, e mais: tudo compensado pelos avanços na gestão do clube e pelas merecidas conquistas nas competições esportivas (bicampeão pernambucano e participante das Copa dos Campeões).

Em todos os setores, o clube avançou. Esportes amadores, patrimônio, finanças, administração, valorização da marca Náutico e, sobretudo, a implantação de um planejamento estratégico capaz de, paulatinamente, transformar o Náutico do futuro, o mais breve possível, num clube sustentável.

No meio do caminho, veio o pesadelo. O risco (e bote risco nisso) de um retrocesso quase mortal (digo quase, porque é muito difícil matar uma organização centenária) – a queda para a Terceira Divisão passou a ser uma possibilidade concreta e, em alguns momentos, uma probabilidade. O sofrimento da torcida e a angústia dos dirigentes são algo indescritível. Sofri todas as aflições. Como veterano torcedor, pai de torcedor-criança, colaborador, antevendo, de um lado, uma insuportável humilhação e, de outro uma injustiça, ou, como queiram, um castigo imerecido, desproporcional aos erros cometidos por todos nós que, juntos, fazemos uma gestão coesa, cuidadosa com cada centavo do clube, zelosa com suas obrigações e comprometida em superar as dificuldades que ainda são muitas e persistentes.

Doze de outubro bem que poderia passar para nossa história como o dia do alívio. Nas últimas semanas, foram vividas tensões devastadoras, extravasadas em lágrimas confortadoras.

Passada a emoção, é tempo de aprender com os erros e, jamais, cometê-los. O futebol é quase tudo, mas não é tudo numa agremiação esportiva. Não é a causa de uma gestão sólida e consistente, mas resulta dela (que o digam os clubes que no cenário nacional têm tido êxito nas competições). Treinador de futebol é um profissional, importante, mas não é um semideus. Comissão técnica é muito importante, mas não é uma ilha. Todos têm que estar submetidos à visão estratégica e a critérios previamente definidos. Não podem ser independentes para gastar e dependentes de um esforço incrível do clube inteiro para que as contas sejam pagas. Vale dizer, ou a gestão do futebol se encaixa na gestão do clube ou o céu e o inferno estarão de mãos dadas, com larga vantagem para satanás.

Finalmente, jogador de futebol não vale só pelo que sabe fazer com os pés. Vale, principalmente pelo caráter, pelo compromisso, pelo elã, pela vocação de vencedor, pelo senso de profissionalismo. Sua escolha tem que ser feita obedecendo critérios. Primeiro é preciso olhar para o que se tem dentro de casa (o Náutico já tem), depois, para os já conhecidos, em seguida, para os da região, de preferência mais jovens (os mais velhos, apenas, para dar o equilíbrio da experiência), jamais para os mais distantes, especialmente, se forem desconhecidos e não ilustres.

Ufa! O pesadelo não aconteceu. Vamos continuar sonhando com os olhos abertos, trabalhando, unidos, dedicados, e com as mentes abertas porque o que não mata, fortalece.

Gustavo Krause é conselheiro do Náutico.

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