AFLITOS

Náutico 3×0 Mogi Mirim. O jogo, realizado na terça-feira passada, mostrou um Timbu determinado em conseguir a vitória e vibrante dentro de campo. Sem dúvida, bem diferente do time que perdeu para o Centro Limoeirense e para o Botafogo/PB, nos dois últimos amistosos sob o comando do ex-técnico Edson Gaúcho. Desde então, levantou-se a suspeita de que os jogadores alvirrubros teriam feito “corpo mole”, ou seja, teriam facilitado as vitórias dos adversários para forçar a demissão do treinador. Os atletas negaram essa intenção, alegando que o profissionalismo não permitiria. Verdade ou especulação, o fato é que a discussão acabou provocando uma nova polêmica: Até que ponto os jogadores podem, unidos, “derrubar” um técnico? Quando as duas partes não se entendem, o que deve falar mais alto, a vontade dos jogadores ou a autoridade do treinador?

O elenco do Náutico experimentou recentemente perder o seu treinador sob um turbilhão de acusações de ambos os lados. Apesar dos jogadores alvirrubros negarem ter “fritado” o seu ex-comandante, a realidade é que pairou um certo clima de “motim” nos Aflitos. No mínimo, um inconformismo ou antipatia muito grande dos jogadores para com o ex-técnico Édson Gaúcho. A maioria, entretanto, não admite ter participado de alguma conspiração ou algo parecido.

“Quando um grupo não gosta de um treinador, ou ele faz as coisas de modo errado e os resultados não vêm, geralmente surgem algumas conversas sobre a saída do treinador. Eu nunca participei de nada, mas, geralmente, o assunto vai até a diretoria, com quem se conversa nestes casos. Não creio que exista uma ‘trairagem’ para prejudicar em termos de resultados, mas o mal-estar é tão visível que até vocês da imprensa percebem”, afirmou o meia Adriano.

O próprio jogador lembra que quando Mário Sérgio assumiu o comando técnico do São Paulo, ele perdeu sete dos nove jogos disputados. “Houve uma polêmica muito grande lá. O lateral-direito Cláudio teve uma briga feia com ele, o que terminou com alguns afastamentos”, acrescentou.

Um contra-exemplo citado pelo jogador é Oswaldo de Oliveira. “Ele é amigo e bastante confiável, além de um excelente profissional. Na minha opinião, merece chegar à Seleção Brasileira”, opinou. Já Luiz Felipe Scolari é um dos que mais cobra. “Mas é de um jeito que o jogador entende”, ressalvou.

Sobre a preferência atual no universo dos jogadores, Adriano conta que quando o treinador é um amigo do elenco, a ‘entrega’ dos atletas é até maior. “Um ex-jogador conhece melhor e sabe lidar com seus comandados. Agora tem uns que começam a inventar e é aí que eles se perdem”, provocou, numa referência direta ao ex-chefe.

O artilheiro e ídolo alvirrubro Kuki acha que, se isso acontecer, o maior prejudicado será o próprio atleta. “O mercado não é tão grande, todos os técnicos se conhecem e você acaba se queimando. No episódio aqui do Náutico, fiz o melhor que pude. Agora, cada um tem uma opinião”, declarou.

O baixinho não crê em “trairagem” dentro do futebol. “É lógico que o jogador prefere um técnico amigo, que ajude nos momentos difíceis. Mas se não for, não há problema. O mais importante é o resultado”. O lateral-direito Marco Aurélio foi bem direto: “…que existe, é lógico. Mas, conosco não foi o que houve. Mesmo assim, já ouvi um monte de casos contados por colegas. “Ele (Gaúcho) falava um monte de m… para a gente e nós ficávamos de cabeça baixa. Se ele queria respeito, tinha de respeitar primeiro. Daquele jeito ele nunca chegará a lugar algum”.

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