CONTUSÕES

Jogador de 26 anos passará um mês realizando fisioterapia para se livrar de mais uma lesão. Nesses dois anos e meio no Timbu, ele já passou mais de nove meses em tratamento, mas se diz pronto a dar a volta por cima

O zagueiro Sílvio defende as cores alvirrubras desde 2001. Recheou seu currículo com o bicampeonato pernambucano e dois terceiros lugares no Campeonato do Nordeste. Uma boa passagem, sem dúvida. Mas as coisas poderiam ter sido melhores para o curitibano, de 26 anos – que bate bola desde os 9 –, se, ao longo dessas quase três temporadas vividas nos Aflitos, ele não tivesse passado mais de nove meses sofrendo com a desgastante rotina das sessões de fisioterapia. Sofreu uma cirurgia no joelho esquerdo, uma torção no tornozelo direito e quatro lesões musculares. Uma tortura para qualquer boleiro. “Quero jogar um ano todo. Um jogador precisa estar na ‘vitrine’”, desabafa.

Mesmo fazendo um trabalho específico de fortalecimento muscular, o paranaenser voltou a viver seu drama pessoal, no clássico da última terça-feira, quando o Náutico venceu o Santa Cruz, por 1×0, pelo Campeonato Pernambucano. Ele sentiu uma distensão na parte posterior da coxa esquerda, aos 10 minutos de jogo, mas só saiu aos 35 do segundo tempo, por não agüentar mais as dores. Sílvio não costuma correr da luta. Faz questão de honrar seu sobrenome: Bélico. No ano passado, não foi diferente. Jogou contundido boa parte do Pernambucano, o que agravou consideravelmente uma contusão muscular – também na coxa esquerda –, levando-o a ficar três meses ‘de molho’. “Joguei no sacrifício, pois Muricy (Ramalho) não tinha opções”, diz.

Desta vez, Sílvio fará tratamento por um mês. Neste período, dedicará manhãs, tardes e noites a exercícios de fisiopterapia. Simultaneamente, o departamento médico tentará descobrir as causas de tantos problemas musculares – só nesta temporada, foram duas. “Vamos fazer alguns exames para detectar o porquê da reincidência dessas contusões. Pesquisaremos, de novo, se há algum foco dentário ou problemas urológicos, que podem provocar lesões nos músculos”, explica o médico Paulo Regueira.

Paciente, Sílvio reconforta-se em saber que esta nova lesão não é tão séria, quanto parecia. “Ainda bem que não foi grave, mas atrapalha. Estava lutando pelo meu espaço no time. Mas poderia ter sido pior, caso eu não tivesse feito um reforço muscular nas férias passadas. O sacrifício de perder o lazer, valeu a pena”, conta o jogador, que tem o apoio da esposa e do filho, no Recife. “É fundamental a ajuda da família, nestes momentos difíceis. Também tenho muito a agradecer ao Náutico, que sempre foi muito correto comigo e reconheceu o meu profissionalismo.”

Porém, com tantos problemas, sempre acontece um ou outro desabafo. Logo após o clássico, o zagueiro não se conteve: “Poxa, quero descobrir o que está acontecendo comigo. Nunca tive tantos problemas com contusões e isto está me chateando. Sou um profissional, quero jogar e render o meu melhor”.

a tirar o Náutico da fila de onze anos sem títulos, mas também porque sofreu a mais grave contusão de sua carreira. Foi na final do Estadual, também contra o Santa Cruz, que ele rompeu os ligamentos colateral medial e cruzado do joelho esquerdo. Passou por uma bem-sucedida cirurgia e ficou seis meses e meio sem tocar em bola.

Mas não é só de contusões que vive o histórico de Sílvio. Curiosamente, o zagueiro é um colecionador de bicampeonatos. Fora o Pernambucano (2001/2002), conquistou o Paranaense, pelo Paraná (95/96), o Paranaense da 2ª Divisão, pelo Foz do Iguaçu (97/98), Mato-grossense, pelo Sinop (97/98) e levou a Taça do Módulo verde e branco (Terceira Divisão) da Copa João Havelange (2000), pelo Malutrom/PR.

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