O presidente do Náutico, Eduardo Araújo, e o vice, Gustavo Krause, apresentaram proposta para criação de um fundo de investimento para ajudar as divisões de base do clube. O projeto foi entregue ontem ao presidente eleito, Ricardo Valois.
A inédita iniciativa pode acabar com a famosa ‘cotinha’ entre dirigentes e empresários ligados ao Náutico. “Agora será possível ajudar o clube e ganhar dinheiro”, prevê Gustavo Krause, o principal idealizador da novidade.
O fundo de investimento, chamado Náuticobase, consiste em transformar o atleta em formação num possível e rentável negócio. Uma comissão gestora, formada por membros da diretoria executiva e do Conselho Deliberativo, estipulará um valor para cada garoto das divisões de base. Trinta por cento deste valor (nunca inferior a R$ 100 mil) poderão ser pagos por investidores. Estes podem ser sócios, conselheiros e até torcedores do Náutico ou não.
A medida em que o jogador venha sendo valorizado, o valor das cotas subirá. Mas, como em todo negócio, há risco. Se um atleta não ‘estourar’, o investidor perderá dinheiro.
Mas Krause alerta para o carinho com que a atual diretoria vem tratando a divisão de base. “Há quatro anos, nem chegávamos a um hexagonal. Este ano estivemos em todas as finais”, disse, lembrando atletas supervalorizados, como Aílton, Esquerdinha, Jorge Henrique e Henrique, entre vários outros. Aílton, por exemplo, foi vendido ao São Paulo por R$ 1 milhão.
A direção alvirrubra gasta cerca de R$ 30 mil mensais para manter as divisões de base. São 90 garotos em todas categorias. Muitos deles moram no clube. Boa parte deste valor vem de doações dos próprio dirigentes.
O fundo de investimento acabaria com este financiamento informal. Vale destacar que o próprio atleta receberá parte destas ‘ações’.
O funcionamento deste fundo ainda depende da futura diretoria. É possível que o projeto seja apresentado ao Conselho.