CT

Ele é um verdadeiro garimpador do futebol. Trabalha peneirando a matéria-prima que se tornará o futuro do Náutico. O vice-presidente do Centro de Treinamento (CT) alvirrubro, Salomão, 60 anos, é o responsável por transformar sonho em realidade. Como se não bastasse, ele próprio um exemplo de como a prata-da-casa pode tirar um clube do ostracismo. Ex-jogador, esse paraibano fez parte da campanha do hexacampeonato timbu, até hoje o maior número de títulos estaduais consecutivos conquistado por um clube pernambucano.

Para Salomão, a descoberta de novos talentos necessita de tempo, algo que está cada vez mais escasso nos dias de hoje. “No capitalismo, o dinheiro domina tudo. Só conta o presente. Ninguém tem paciência de esperar, preparar os jogadores para o futuro”. No entanto, ele acredita que o melhor é copiar o exemplo dado pelo Santos/SP, que foi campeão brasileiro no ano passado com um time formado basicamente por jovens. “Afinal, o jogador é o maior ativo que os clubes têm”.

Outro empecilho visto por ele para a ascensão de atletas feitos em casa parte das gerais e arquibancadas dos estádios. “A própria torcida não estimula alguém daqui. Os jovens sofrem pressão e isso reflete nas diretorias que preferem trazer jogadores de fora, com salários altos e que, muitas vezes, não rendem o esperado”. Em sua análise, isso é um reflexo do complexo de inferioridade que toma conta dos nordestinos. “Quando o Palmeiras jogou contra o Náutico, nesta última vez, havia uma torcida grande de nordestinos torcendo pelo time paulista. Até parece que pensam que torcer por um clube do Sul-Sudeste torna a pessoa melhor”.

Ele acredita que o CT timbu, localizado na Guabiraba, pode ser uma área importante na formação das próximas equipes alvirrubras. O problema é que as dificuldades estão empatando o desenvolvimento do projeto. “Nossa receita vem do pagamento da mensalidade das Escolinhas e de contribuições de sócios e conselheiros. Mas o importante é que, apesar de tudo, continuamos tocando o barco”. Todas as sextas-feiras é realizado um peneirão no local. Salomão fez parte do time que foi campeão, bi e penta em 1962, 63 e 67, respectivamente. “Era um time formado totalmente por atletas pernambucanos ou da região. Isso prova que apostar na base é a melhor maneira de fazer futebol”.

Base alimenta um terço do time

Dos 31 atletas do Náutico, 11 foram “garimpados” na prata da casa

O time de futebol profissional do Náutico conta, hoje, com 31 atletas. Destes, 11 vieram das divisões de base do clube. Na equipe considerada titular, o técnico Heriberto da Cunha utiliza, pelo menos, dois nomes pratas-da-casa. O atacante Jorge Henrique é um deles. Aos 21 anos, foi o nome do jogo contra o Palmeiras ao fazer o gol da vitória por 2×1, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro da Série B. O último atleta formado nos Aflitos que se juntou ao elenco profissional foi o atacante Renan, artilheiro do Campeonato Pernambucano deste ano do time de Juniores, com sete gols marcados.

qualidade indiscutível, porém muitos deles ainda precisam amadurecer mais. “Precisamos de nomes experientes para mesclar com esses atletas que ainda têm muito que aprender para se tornarem mais completos”. Segundo ele, os garotos ainda precisam treinar certos aspectos do fundamento do futebol para se tornarem possíveis craques e aproveita para cita alguns casos.

“Jorge Henrique tem que trabalhar mais o pé esquerdo. Já Cláudio (atacante)precisa pegar mais massa muscular. Mas os dois apresentam um futuro promissor”.

Jorge Henrique, um dos que foram revelados

Um dos nomes que vem sendo mais aclamado pela torcida alvirrubra é o do atacante Jorge Henrique. Após fazer o gol de vitória em cima do Palmeiras, o jogador está vivendo momento inéditos em sua carreira. Ele frisa que o desempenho na partida e a reação da torcida pós-partida mudaram sua maneira de encarar o futebol. “Ganhei mais responsabilidade e motivação depois daquele jogo”. Até o momento, ele realizou 31 partidas pelo profissional e marcou quatro gols.

Aos 21 anos, este carioca de Resende está nos Aflitos desde 1999. Antes do Náutico, ele jogou pelas categorias de base do Sideratim de Resende e do Vasco. “Vim para cá através do intermédio do meu empresário”. Jorge Henrique começou a treinar com os profissionais timbus na época da primeira estadia do treinador Muricy Ramalho nos Aflitos. “Ficava revezando. Ia para os profissionais, depois o Juniores. Só após a Taça São Paulo deste ano é acabei sendo efetivado entre os profissionais”.

Para a diretoria timbu, Jorge Henrique, assim como o atacante Cláudio e outros, são investimentos que podem render dividendo ao clube no futuro. O último jogador criado na divisão de base timbu que foi negociado foi o meia Aílton, no ano passado. A transação rendeu R$ 1,2 milhão aos cofres do Náutico e, hoje, o atleta está defendendo as cores do São Paulo.

Pedro Manta colhe os frutos que plantou

O técnico dos Juniores do Náutico, Pedro Manta, acredita que o trabalho que está sendo realizado no clube já está rendendo os frutos esperados. Para ele, o mais importante é formar os atletas para que, futuramente, possam ser utilizados na equipe profissional. “Mas é claro que se conseguirmos unir esta meta com conquistas de títulos será melhor ainda”.

Manta informa que o grupo que treina atualmente já possui um bom número de jogadores, com idade média de 18 anos, que estão aptos para subir para o profissional. Ele destaca os meias Dionísio e Diogo, e o volante Vanderson.

“Mas sempre fazemos coletivos com os profissionais para que os garotos sejam avaliados pelo técnico Heriberto da Cunha e, a partir daí, escolher aqueles atletas que têm mais condições de integrar o grupo principal”.

O treinador, no entanto, acredita que a situação poderia ser ainda melhor caso as Divisões de Base não sofresse algumas carências. “Falta transporte, material e espaço para treinar, mas a diretoria vem tomando providências para sanar esses problemas”.

No Estadual de Juniores deste ano, o Náutico levou o Primeiro Turno, mas não repetiu o feito no Segundo, que foi conquistado pelo Santa Cruz antecipadamente. “O equilíbrio entre os times na competição está muito grande. Não dá para apontar uma equipe que seja muito superior às demais”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


+ 8 = 15

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>