Dos três grandes clubes de Recife, o Náutico é o único que se deu ao “luxo” de poder contar com um goleiro para cada bola. Como Edervan, titular durante as partidas da Série B, chegou ao clube depois de expirado o prazo de inscrição de jogadores do Pernambucano, o prata da casa, Rodolpho, ficou com a incumbência de vestir a camisa número um da equipe em jogos do Estadual.
No final das contas, quem leva a pior é o goleiro Edervan. Tanto ele quanto Rodolpho, além do preparador de goleiros do Náutico, Batista, estão de acordo em relação à qualidade das bolas. “A do Brasileiro deste ano é uma das mais bonitas que já foram fabricadas no país, não me lembro de ter visto outra tão bela. No entanto, também é uma das piores”, resumiu Batista, com o apoio dos seus pupilos.
A principal queixa dos dois goleiros com relação à bola do Nacional está direcionada ao diâmetro e ao peso. “Ela é imensamente maior e infinitamente mais leve do que a bola do Pernambucano. Por isso, se torna muito difícil de encaixá-la em chutes mais fortes. Ela bate no peito e não tem jeito, acaba escapando ao nosso controle”, exemplificou Edervan, respaldado por Rodolpho, “Por ser muito leve, ela acaba tendo desvios inesperados e engana a qualquer um”.
Mas os mesmos motivos que fazem os goleiros do Náutico repudiarem a bola do Brasileiro, a transformam na preferida dos artilheiros. “Realmente, é pior para eles (os goleiros), mas para a gente é uma maravilha. Principalmente em tiros de longa distância”, disse o atacante Kuki, que marcou um gol da intermediária, quando o Náutico empatou com o Paulista/SP em 2×2, fora de casa, pelo Nacional.
O técnico Heriberto da Cunha preferiria que não houvesse esta troca constante. “O jogador precisa se acostumar com a batida na bola. Se você fica mudando a cada dois dias, eles acabam não se adaptando”, concluiu o treinador.