Vender laranja no Náutico foi uma herança deixada pelo pai, Antônio José Nunes, Barulho, que morreu há 14 anos. Felisberto da Silva Nunes, Barulhinho ou Barulho, 49 anos, já está nos Aflitos há 38. “Comecei a freqüentar o clube desde menino. Vinha com meu pai. O Náutico faz parte da minha vida”, diz, com uma ponta de orgulho.
Barulhinho faz bem o seu negócio. Não conta detalhes sobre os jogadores que já passaram no clube, nesse período. “É tudo gente fina. Não tem jogador pão-duro. Todos me pagam direitinho. Não tenho o que reclamar”, assegura, e acrescenta: “Meu pai vendeu laranja durante 52 anos. Foi dessa forma que criou a família.”
Mas Barulhinho não se limita à venda de laranjas. Nos dias de jogos, a exemplo do pai, também negocia com cachorro-quente. No entanto, lamenta a falta de jogos aos domingos no Campeonato Brasileiro da Série B. “Não entendo uma coisa dessas. Dia de futebol é o domingo, tanto para os torcedores, como para a gente que negocia no estádio. Mesmo assim, não tenho do que me queixar.”
Às vezes, ele diz que acha engraçada a preocupação dos torcedores com o time. “Alguns são calmos, outros são mais nervosos. Ficam apreensivos até nos treinamentos. Mas todos são meus fregueses.”
Na verdade, Barulhinho é um sujeito discreto, muito tranqüilo e de conversa mansa. Segundo ele, todo clube tem os seus personagens e seus vendedores. “No Sport tem Nó, que também está há muito tempo lá.”
Durante esses 38 anos, Barulhinho acompanhou os bons e maus momentos do time, mas sempre torcendo e apoiando sem criticar. “O futebol é assim mesmo. Tem as boas e as fases ruins. Vi grandes equipes aqui no Náutico. Nos últimos tempos o título mais importante foi o de 2001 por causa do centenário do clube. Foi muita vibração depois de 11 anos sem conquistar um campeonato.”
Felibesto Nunes chega ao clube às 13h30 e só sai por volta das 19h. “É a minha rotina. Não me imagino sem vir ao Náutico. Fico até chateado sem os jogos do domingo porque tenho de ficar em casa. A gente se acostuma com essa rotina.”