A mística do Hexa deve-se a grandes craques que entraram e nunca mais saíram do imaginário alvirrubro. Até mesmo a geração que não tem idade para ter acompanhado as lendárias conquistas de 1963 a 1968 já ouviu falar de nomes como Lula Monstrinho, Gena, Ivan, Fraga, Nino, Bita, Lala e tantos outros que fizeram o Náutico campeão e respeitado nos quatro cantos do Brasil, com grandes feitos.
Dos times que conquistaram os seis títulos de forma consecutiva, vários jogadores estarão hoje na sede dos Aflitos para relembrar os bons tempos. “Minha melhor lembrança é o tetra, em 66. Vencemos o bom time do Sport, por 5×1, quando precisávamos apenas do empate”, conta o ex-quarto-zagueiro Fraga.
“Nessa época, o Náutico era um senhor time de futebol. Tanto que Pelé disse, certa vez, que três adversários chamaram sua atenção ao longo da carreira: a ‘academia’ do Palmeiras, o Cruzeiro de Tostão e o Náutico”, relata Fraga, que ainda confidencia: “Havia amor à camisa e todos os jogadores que defenderam esse Náutico campeão eram alvirrubros”, completa.
No áureo período do hexa, apenas três jogadores participaram de todas as conquistas, um de cada setor: Gena (lateral-direito), Ivan Brondi (meia) e Nino (atacante). Outros participaram de quatro ou mais conquistas, como Lula Monstrinho, Lala e o ‘homem do rifle’, Bita. E outros tantos contribuíram com suas passagens e escreveram seus nomes na história.
Na época, em que o meio-de-campo tinha apenas dois jogadores, o meia Ivan lembra que jogou com cinco parceiros diferentes no setor nos seis anos de conquistas – Salomão foi o único a jogar dois anos com ele. “O time cresceu junto. Tínhamos uma base e quando entravam novos jogadores o nível permanecia o mesmo. Foi uma grande satisfação fazer parte desse grupo.”
Ivan, ao lado da diretoria do clube, convidou todos os heróis do hexa. “Todos os que estão em Pernambuco devem comparecer. Zé Luís e Gernan vêm de Alagoas, Aloísio Linhares e Mauro, do Ceará, e Miruca, da Paraíba. E os que já morreram (Bita, Gílson Saraiva, Didica, Toinho entre outros) serão representados por suas famílias.”
Esta é a segunda vez que o Náutico organiza uma reunião com os campeões. A primeira foi em 74. “Sebastião Orlando (diretor) reuniu todo o mundo e participamos de uma preliminar do Náutico contra o Internacional/RS para comemorar o título timbu, que tirou a chance do Hexa do Santa Cruz”, recorda o ex-meia, que agora trabalha com a revelação de talentos alvirrubros, ao lado de Salomão, Gena e Lala.
Para Ivan, a saída para o futebol pernambucano está pertinho. “Está nas divisões de base. É só burilar e ter paciência com a garotada, pois os garotos jogam com amor à camisa. Aquele time não surgiu do nada. Tivemos que ‘ralar’ muito para chegarmos onde chegamos, nada caiu do céu”, diz Ivan, que ficou marcado pelos títulos invictos de 64 e 67.
O atacante Nino é uma prova da eficiência do trabalho de base. Ele passou três anos nos juvenis e teve sua chance ao substituir o ídolo China. “Surgiu a chance e eu não a joguei fora”, destaca ele que compôs ao lado de Nado, Bita e Lala, o famoso ataque das quatro letras que alegrou a torcida timbu no bi, em 64.
Outro campeoníssimo foi o lateral Gena. No Náutico, conquistou o Hexa. No Santa conquistou quatro títulos do penta, ganhando dez títulos seguidos em Pernambuco, um recorde. “O hexa alvirrubro foi o coroamento de um grande trabalho. O título foi conquistado na prorrogação e isso me marcou muito”, relata.
E quando surgirá um novo hexa no futebol pernambucano? “É difícil prever, mas um grupo como aquele do Náutico não será formado mais nunca. Um grande mérito daquele grupo – além de jogar futebol – foi a forte união que cultivamos até hoje. De vez em quando ainda nos reunimos para jogar uma pelada e relembrar os velhos tempos”, revela Gena. “Claro que havia divergências dentro de campo, mas tudo era contornado fora dele e sem mágoas, porque no fundo, todos tínhamos o mesmo objetivo: ver o Náutico campeão.” E foi Gena.