Na última quarta-feira, o garoto Almir, 20 anos, considerado a maior promessa do Náutico para 2003, se contundiu no treino, ao dividir uma bola com o lateral-esquerdo Joãozinho. O jogador, imediatamente, caiu no gramado se contorcendo em dores, mas o que chamou atenção foi o semblante do técnico Givanildo Oliveira, ao ver que dificilmente contaria com ele para a reta inicial do Pernambucano. Depois, mais aliviado com a avaliação dos médicos, o treinador se tranqüilizou um pouco mais.
Muita gente nem imagina, mas Almir Luciano Correia da Silva Júnior, o Almir, chegou a trabalhar num lava-jato antes de se dedicar exclusivamente ao futebol. “Foi por dois meses, lá no Janga”, lembrou. Ele foi avaliado por Nereu Pinheiro, ao se submeter num teste no Santa Cruz, mas problemas relacionados às passagens de ônibus acabaram o afastando do Arruda. “O professor Alexandre Julião me trouxe para cá, em 2000, junto com Cláudio (atacante) e Edmílson, após me ver jogando numa peneira no campo do Memorial Arcoverde”, contou.
Filho de pais separados – sua mãe, dona Marinalva Moura da Silva, mora em São Paulo e trabalha como servente num shopping center – Almir reside com o seu pai, Luciano Correia da Silva, 33 anos, e com os avós paternos, em Maranguape (Paulista). “Faz dois anos que não vejo a minha mãe e tenho muitas saudades”, confidenciou. Nem quando disputou a Taça São Paulo, em 2001, teve tempo de visitá-la.
Como o pai está desempregado, os R$ 200,00 que recebe (está no primeiro contrato), ajudam na compra de alimentos e roupas. Às vezes, ainda dá para comprar um lembrancinha para a namorada, Silvana, com quem está há seis anos. Chegou a completar o 2ø grau, mas não pensa em fazer faculdade, pelo menos, por enquanto. “Não daria para conciliar, mas quero fazer inglês e computação”, disse.
Simples e bastante calmo, o garoto vai seguindo os conselhos dos atletas mais experientes, como Érlon, Márcio Griggio, Sílvio, Fábio e Adílson, sobretudo agora, com a inesperada contusão no joelho (entorse). “Procuro ser a mesma pessoa e manter a humildade. Sem isso, não vou a lugar algum”, concluiu.