ARTIGO

Finalmente, sei o que sentiram os 200.000 brasileiros que estavam no Maracanã, em 1950. Vivo no Recife há cinco anos e aqui redescobri o ambiente de futebol que vivi em São Paulo nos anos 60, e como bom santista não tenho outro time a não ser o meu. Entretanto, pelo ambiente familiar que reina nas ruas e nos estádios daqui, vou freqüentemente aos jogos dos times locais. No sábado optei pelo jogo dos Aflitos. Provavelmente eu era o único entre os 21.950 torcedores do Náutico que não vestia a camisa alvirrubra, os outros 50 vestiam a do Grêmio. Sem entrar em maiores detalhes da partida, conhecidos por todos, eis o que presenciei: durante os 25 intermináveis minutos de paralisação: os torcedores rezavam, andavam de um lado para o outro, sentavam, levantavam e vibravam a cada nova expulsão. Eu torcia para que houvesse mais uma e acabasse o drama, sim, o drama, pois via os jogadores do Náutico se portando como os torcedores e temia pelo desfecho, pois o técnico, como todos lá presentes, também sem controlar as suas emoções, em nenhum momento reuniu a equipe e montou uma estratégia para os 10 minutos restantes, para usar com a vantagem de quatro jogadores.
De repente, pegaram a minha mão esquerda, era um menino de nove anos, que me disse que daria sorte. Quase simultaneamente um senhor fez o mesmo com a minha mão direita, a corrente espalhou-se pelo estádio, e quando olhei para a área do Náutico, o zagueiro Batata, o goleiro e mais outro jogador estavam ajoelhados e também de mãos dadas, rezando, quando houve a defesa do pênalti, Kuki e outros jogadores se jogaram ao chão em desespero.

Mas o time e a torcida prepararam-se psicologicamente para uma decisão naquele pênalti, esquecendo que ainda havia preciosos 10 minutos a jogar, com 11 alvirrubros contra sete gremistas. Logo a seguir, a torcida foi tomada por um sentimento de desespero, impotência e frustração jamais vista por mim em nenhuma outra situação: vi vovôs, vovós, garotos, garotas e crianças chorando copiosamente, sem saber o que fazer, vi inúmeros torcedores falando sozinhos, clamando a Deus o porquê daquilo, gente na rua, que de repente, dava meia-volta em direção ao estádio, como se fosse possível voltar o tempo, vi gente andando e sem mais nem menos, de repente, parar, sentar no meio-fio e começar a chorar, vi inúmeros amigos amparando outros em tentativas inúteis de consolo e, sem sucesso, juntavam-se num abraço sofrido e vi muitos outros alvirubros sentados e sem força para sair do estádio, pois não sabiam para onde ir e nem o que fazer…

Eu que tanto li e ouvi a respeito da comoção do Maracanã e que, na década de 60, na minha primeira visita a esse estádio sentei na arquibancada vazia e fiquei imaginando aquele fatídico dia, hoje posso afirmar: eu, que nasci em 1952, também estive naquela final de 1950 !

Antonio Azevedo é paulista

Uma resposta a ARTIGO

  1. Pedrinho FANÁUTICO disse:

    O Náutico perdeu aquele jogo na hora em que Batata fez a falta em Anderson e foi expulso. Ele sendo o capitão e veterano, era dentro de campo quem deveria ter colocado as coisas no lugar na hora da cobrança do escanteio, (que não era para cobrar na área e sim rasteiro tocando a bola). O Grêmio foi competente e frio, eles já tinham combinado para surpreender (mesmo com sete) o Náutico quando estivéssemos ainda comemorando o gol (caso convertesse o pênalti), lógico que não seria fácil, mas fizeram o mesmo com o desespero do time e partiram pro tudo ou nada, uma vez que não aguentaríam mais dez minutos inferiorizados de quatro jogadores. A expulsão do nosso capitão foi a gota d'agua para o desespero total. Dez minutos dava prá fazer até mais de um gol com certeza. QUATRO A MENOS É DEMAIS, NÃO TEM TIME QUE AGUENTE.

  2. leandro asfora fretere disse:

    Aceito tudo, menos ser feito de palhaço. NUNCA MAIS EU TORCEREI PARA UM TIME QUE ME FEZ PASSAR TANTA VERGONHA. Nunca mais. Eu era como vc, aficcionado pelo Náutico. Mas parei pra pensar: O que o Náutico me deu? Algumas alegrias e muitas decepções. Pra mim é o fim. Não torcerei pela Coisa, como lógico, e nem para o Santa Cruz, que é outra agremiação medíocre, embora ATUALMENTE venha jogando bola. Mas o Náutico me perdeu de vez. E não só a mim… DOIS PRIMOS E UM TIO TB! E quem tiver achando ruim, que vá dar dinheiro a um clube de tantas frustrações… EU NÃO!!

  3. Mais que paixão. disse:

    Caro irmão Alvi-Rubro Heldo Jr, passou-se pela minha cabeça traumatizada com esse "sinístro" algo assim feito esse q/ você relatou, mas também sempre pensei que temos q/ ser mais "terra -terra", não baixar a guarda de nenhum detalhe, em nenhum momento que seja, e o Náutico baixou a guarda entregando de presente p/ uma equipe tão sem
    méritos e outras coisas como essa do Grêmio, uma classificação, não estou só me referindo ao último jogo não.
    Não devemos deixar as coisas acontecerem, pois nada vai cair do ceu, temos q/ lutar do início ao fim p/ fazer acontecer.
    Quanto ao meu sentimento em relação ao Náutico, nada abala, não é paixão, coisas desse tipo fazem virar "obsessão" (no bom sentido)

    Saudações Alvi-Rubras
    Incondicionalmente Náutico!
    Mônica

  4. Heldo Junior disse:

    Após este jogo eu só tive uma certeza nessa vida: Deus não se mete em futebol! Apesar de acreditar em Deus e sempre pedir tudo a ele, inclusive todos os dias da semana antes da decisão tive grandes conversas com nosso senhor, mas no sábado ele me deu a resposta: Eu não me meto nisso meu filho! porque se existisse justiça no futebol, aquilo não teria ocorrido.Mas vamos em frente, quem sabe eu não esteja errado, quem sabe a frase " Os humilhados serão exaltados" não seja uma verdade e a nossa derrota tenha um significado, nem que seja místico. Decididamente não sei…Sei que estou recuperando aos poucos minha fé, mas o meu amor pelo Náutico ja está completamente recomposto! que venha o Central!

  5. Matheus disse:

    meu deus do ceu ]o nautico foi ridicularizado na frente de 22.000 mil
    torcedores,vamos abrir o olho e jogar a serio

  6. Maricelli disse:

    ALÉM DA ESCOLHA CERTA DO JOGADOR PARA BATER A PENALIDADE, PRECISA CUIDAR DO PSICOLÓGICO DOS ATLETAS.

  7. tarcisio araujo disse:

    Acredite se quiser , Eu falei isso no campo , na hora da confusão feita pelo GRÊMIO a minha esposa , a meu primo e a dois torcedores que estavam conversando conosco o jogo todo. Na hora que Eu falei , eu ainda acrescentei que como o NÁUTICO foi um desastre nas penalidades , o ANO todo , acho que não treinavam , embora eu trabalho a tarde e não tinha tempo de ir a treinos , falei que CAVALO deveria pegar Rodolpho e dois jogadores e bater alguns penais na nossa trave. Outra coisa , como diz a ANTONIO acima , tinha dêz minutos , mais os descontos no minimo 3 minutos. Outra coisa que não se perdoa , os jogadores foram para os últimos minutos , COMPLETAMENTE FRIO , inclusive ADEMAR. Gente , para se ganhar numa decisão , tem que cuidar dos mínimos detalhes. Tudo isso fica como lição , só se ganha o jogo o juiz apita o final da partida , quanto a isso. Mãos dadas , só por parte de torcedores , diretores e o pessoal do banco de reservas, o resto esqueceram que A GUERRA NÃO TINHA TERMINADO. Diretoria , abram o olho!!!

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