Desde que deixou de figurar na elite do futebol nacional, em 2001, Pernambuco nunca chegou à fase final do Campeonato Brasileiro da Série B com tantas chances de ascensão. Com Náutico e Santa Cruz classificados ao quadrangular decisivo, o Estado tem 50% de possibilidades de ver pelo menos um time seu na Série A. Seis jogos os separam deste retorno. Pelo que já demostraram na competição, ambos têm totais condições de garantirem as suas respectivas vagas dentro de campo. É hora do tudo ou nada!
Dentro das quatro linhas, os pernambucanos terão pela frente adversários de tradição nacional. Em um momento decisivo da competição como este, o “peso da camisa” faz mais medo do que o futebol apresentado por eles. Preocupa também a qualidade das arbitragens, tidas por muitos como tendenciosas contra as equipes nordestinas. Nos bastidores, cartolas de Náutico e Santa Cruz já se aliaram na fiscalização aos árbitros. “Mas não podemos ficar com síndrome de perseguição. Precisamos jogar bola e vencer dentro de campo”, disse o superintendente de futebol alvirrubro, Rubens Barbosa (Rubinho).
Fora de campo, os ventos sopram a favor dos dois pernambucanos. Quando a sombra da crise financeira começou a rodear o céu de tricolores e alvirrubros, surgiu a salvadora ajuda do Governo do Estado, Prefeitura do Recife e Federação Pernambucana de Futebol (FPF). “Está havendo mesmo uma grande mobilização para que tenhamos um clube na Primeira Divisão em 2006. Isto é importante para o Estado”, comentou o presidente do Náutico, Ricardo Valois.
Nos últimos quatro anos, Pernambuco já esteve próximo de chegar à Série A. Foi em 2003, com o Sport, quando os rubro-negros sucumbiram diante dos tradicionais Palmeiras e Botafogo no quadrangular decisivo. Diferentemente deste ano, a mobilização no extra-campo foi praticamente inexistente.
Esta é a terceira vez que os alvirrubros chegam à fase final da Série B desde que foram rebaixados em 1994. Em 1996 e 1997, ficaram a uma posição da ascensão. Em ambos terminaram em terceiro. Neste Brasileiro, o Náutico oscilou muito na primeira fase. Esteve em quatro rodadas na zona de rebaixamento e em 11 na de classificação, por exemplo. No quadrangular semifinal, engrenou e se classificou com uma rodada de antecedência. “Precisamos manter a mesma pegada e raça que tivemos até o momento na competição. Só assim poderemos ter chances de subir”, acredita o técnico alvirrubro, Roberto Cavalo.
Os tricolores, que estiveram na zona de classificação em 20 das 21 rodadas da primeira fase, chegam ao quadrangular final pela primeira vez após terem sido rebaixados em 2001. Na última fase, não foram tão brilhantes quanto na inicial. “Ainda não ganhamos nada. Vamos ter que nos manter focados e jogando o mesmo futebol, com aplicação e qualidade”, disse o técnico do Santa Cruz, Givanildo Oliveira. Para os torcedores, em momento de decisão vale tudo.