Brasil acorda e Ronaldo faz história
DORTMUND, ALEMANHA – Com um time repleto de reservas, o Brasil enfim desencantou na Copa do Mundo ao golear o Japão por 4 a 1, nesta quinta (22), no Westfalenstadion, em Dortmund. O atacante Ronaldo marcou duas vezes e superou o ex-jogador Pelé na artilheira da seleção em Mundiais, com 14 gols – dois a mais que o “Atleta do Século”. De quebra, ele igualou o recorde do alemão Gerd Müller.
A equipe dirigida por Carlos Alberto Parreira ratificou a liderança do Grupo F, com 100% de aproveitamento (9 pontos) e vai enfrentar nas oitavas-de-final a seleção de Gana, no próxima terça-feira, às 12 horas (de Brasília), em Dortmund. Os japoneses, comandados por Zico, foram eliminados. A outra vaga da chave ficou com a Austrália, que empatou com a Croácia (2 a 2).
No confronto desta quinta, Parreira decidiu fazer cinco alterações e poupar alguns atletas para a segunda fase. O ataque foi formador por Ronaldo e Robinho, que entrou na vaga de Adriano. As alas também sofreram mudanças, com Gilberto e Cicinho no lugar de Roberto Carlos e Cafu, respectivamente. No meio, Juninho Pernambucano foi o beneficiado com a saída de Zé Roberto.
Apesar de ter saído atrás no marcador, o Brasil esteve melhor em relação aos dois primeiro jogos da Copa, movimentando muito a bola e chegando com mais facilidade à meta adversária. A primeira oportunidade para marcar aconteceu aos 7 minutos. Ronaldinho Gaúcho deixou Ronaldo na cara do gol. Ele bateu forte, mas o goleiro japonês Yoshikatsu Kawagushi fez grande defesa. Momentos depois, o camisa 1 voltou a salvar duas vezes, mas em chutes de Robinho, que esteve muito bem na partida.
Os japonês jogaram muito recuados e exploravam os contra-ataques, e foi num destes que conseguiram marcar. Aos 33, o brasileiro naturalizado Alessandro Santos deixou Tamada livre na área. O atacante do Kashima Antlers soltou uma bomba e acertou o ângulo esquerdo, sem chances para o goleiro Dida.
Com o gol sofrido, a seleção brasileira deu adeus ao recorde de cinco partidas sem sofrer gols em Mundiais. O último tento que a equipe tinha sofrido havia sido nas quartas-de-final da Copa de 2002, diante da Inglaterra – os britânicos foram superados por 2 a 1.
Mesmo em desvantagem, o Brasil seguiu pressionando o selecionado nipônico e chegou ao empate nos acréscimos. Em boa jogada de Ronaldinho Gaúcho, o meia-atacante do Barcelona virou a jogada para Cicinho, que arrumou de cabeça para Ronaldo. Livre de marcação, o camisa 9 empurrou, também de cabeça, para o fundo das redes de Kawagushi.
Após o intervalo, a seleção brasileira seguiu pressionando e virou o jogo logo aos 8 minutos. Juninho Pernambucano recebeu na intermediária e arriscou de longe, mandando a bola no canto esquerdo do guarda-metas nipônico. Com ampla vantagem no domínio de bola, os pentacampeões mundiais ampliaram seis minutos depois. No campo de defesa, Ronaldinho Gaúcho lançou Gilberto na esquerda, o lateral partiu com velocidade e bateu cruzado, sem chances para Kawagushi.
Com a vitória praticamente garantida, Parreira promoveu duas alterações, colocando Ricardinho e Zé Roberto no lugar de Ronaldinho Gaúcho e Kaká, respectivamente. As mudanças surtiram efeito e o Brasil marcou o quarto aos 36. O zagueiro Juan tabelou com Ronaldinho, que chutou colocado no canto. Com os dois tentos, o avante do Real Madrid se tornou o maior artilheiro da seleção brasileira em Mundiais, com 14 gols, um a mais que Pelé. Ele também se igualou ao alemão Gerd Müller, que balançou as redes 14 vezes.
Ficha do jogo
Brasil: Dida (Rogério Ceni); Cicinho, Lúcio, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Juninho Pernambucano, Kaká (Zé Roberto) e Ronaldinho Gaúcho (Ricardinho); Robinho e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Japão: Kawagushi; Kaji, Tsuboi, Nakazawa e Alessandro Santos; Inamoto, Nakata, Ogasawara (Koji Nakata) e Nakamura; Maki (Naohiro Takahara – Oguro) e Tamada. Técnico: Zico.
Local: Westfalenstadion, em Dortmund. Árbitro: Eric Poulat (FRA). Gols: Tamada, aos 33, Ronaldo, aos 46 minutos do primeiro tempo; Juninho Pernambucano, aos 8, Gilberto, aos 14, Ronaldo, aos 36 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Kaji e Gilberto. Público: 65.000 pagantes.