Acosta é singular.
Enquanto Rogério Ceny é plural, defende e marca gols. Acosta é singular.
Aos 19 anos, Acosta descobriu que iria ser pai. Ganhava na época 400 reais como jogador de futebol. Muitas vezes nem recebia.
Precisando sustentar sua esposa e filha, Acosta abandonou os gramados. Foi ser feirante.
Durante seis anos, Acosta não marcava gols, não dava passes. Acosta vendia frutas e verduras numa quitanda.
Aos 25 anos, Beto Acosta foi convidado para jogar no Cerrito de Montevidéu. Mas não largou a quitanda.
Acordava de madrugada, vestia o uniforme de feirante e trabalhava até o meio-dia, quando partia para o treino.
A jornada dupla só teve seu final quando foi contratado pelo Peñarol em 2005.
No final de 2006, o uruguaio decidiu se transferir para o Clube Náutico Capibaribe. Teve que esperar dois meses até sua regularização.
Na estréia, um gol de placa. No jogo seguinte, uma expulsão. Momentos de gênio se mesclavam com carrinhos de volante.
A torcida não sabia se aplaudia ou vaiava.
No Brasileirão, Acosta mesmo machucado em campo conseguiu forças para marcar um gol em Rogério Ceny. Náutico 1 x 0 São Paulo.
Quando o Náutico perdia por 4×2 para o Paraná em casa, Acosta fez dois gols e empatou a partida. Herói.
Foi expulso em seguida. Vilão. Saiu chorando de campo.
Seguiu marcando e sendo expulso, herói e vilão, até que no domingo 9 de setembro dinamitou o Botafogo com quatro gols.
O primeiro estrangeiro a marcar quatro gols em partidas do Brasileirão.
Continuou marcando gols. Contra o Cruzeiro no Mineirão o Timbu perdia por 2×0. Jogando com o time reserva.
Acosta empatou o jogo. E pra variar, foi expulso no final da partida.
Voltou para transformar um jogo perdido contra o Grêmio em um improvável 4×3.
De folga, envolveu-se em um acidente de carro que por pouco não tirou sua vida.
Beto Acosta é pois, singular.
Um caso de ame-o ou deixe-o.
No futebol linear, burocrático e sonolento de hoje em dia, Acosta é o inesperado.
O torcedor não pode ir cedo pra casa com Acosta em campo.
Porque com Alberto Martín Acosta em campo, tudo pode acontecer.
Tudo.
Talvez Acosta não seja escolhido o craque do campeonato.
Pena.
Jorge Valdivia tem os votos da torcida do Palmeiras, Rogério Ceny tem seus admiradores.
Mas certamente, este foi o campeonato de Alberto Martín Acosta.
Acosta que resume a vida de boleiro em uma frase:
‘Jogador, se não passar fome, não é jogador…’
Tá na hora desses jabas da imprensa fazer justiça votar no Acosta puxa esta jogando um bolão.
Saudações Alvirubras.
Nautico acima de tudo
Humberto Carvalho Belo Horizonte