‘Março de 1985. O Náutico bicampeão pernambucano enfrenta o Grêmio campeão mundial em 1983, vice-campeão da Libertadores em 1984, invicto em confrontos contra os alvirrubros.
Arruda. 10 de março. 25.348 pagantes e alguns milhares de penetras se acotovelam para a vingança da derrota nas quartas de final do Brasileirão 84. O fim de um tabu. Perto dali era inaugurado o Parque da Jaqueira com seus 7,35 hectares. Um antigo projeto de Roberto Burle Marx. No dia seguinte era inaugurado o Metrô do Recife.
A prefeitura de Olinda oferece ao vencedor da partida um troféu em homenagem aos 450 anos da cidade. Os jornais anunciam o fechamento do Bar Savoy de Carlos Penna Filho. Mas hoje o azul de Carlos Penna Filho é o inimigo. Hoje o Recife é vermelho.
A esquadra alvirrubra entra em campo com Edson Cimento; Heitor, Alfredo Santos, Edson Gaucho e Luisinho; Lourival, Manguinha (Neto Surubim) e Baiano; Porto (Jarbas), Nunes e Ademir Lobo. Técnico Givanildo. O Grêmio forma Mazaroppi; Ronaldo, Baideck, Luís Eduardo e Cassimiro; China (Sergio Peres), Osvaldo e Sabella; Tarciso, Roberto Cesar (Luís Fernando) e Valdo. O técnico era Minelli. Como curiosidade, o melhor preparo físico em campo era do gremista Valdo, que só tinha um pulmão.
O Náutico vai ao ataque. 12’ Heitor tabela com Porto e cruza para a cabeçada de Nunes. São Mazaroppi salva. Mas aos 16’ uma bela cobrança de falta de Heitor encontra as redes do Grêmio: 1×0.
Baiano cabeceia na trave aos 35’. Dois minutos depois Heitor bate escanteio para Porto, recebe de volta e lança na cabeça de Baiano: 2×0. Tudo parecia liquidado. Mas restava o segundo tempo, a reação gaucha e o gol do Fantástico.
Sergio Peres substituiu China e lança Osvaldo que dribla Edson Cimento aos 2’: 2×1. Aos 14’ Osvaldo chuta duas vezes à queima roupa e Edson faz dois milagres. No rebote Luís Fernando empata.
O estádio silencia. Na distância quase se pode ouvir os primeiros acordes da Orquestra Sinfônica do Recife na inauguração da Jaqueira. Sob o comando de Baiano o Náutico vai imprensando o Grêmio no seu campo, como nos acordes hipnóticos do Bolero de Ravel, primeiro Heitor, depois Nunes, depois Ademir Lobo vão martelando o gol de Mazaroppi.
Aos 40’ o Grêmio acredita que tem a situação sob controle. Mas a orquestra alvirrubra está decidida a assinar o réquiem tricolor. Neto invade a área, desfere um petardo, o arqueiro espalma, Nunes observa a bola saindo da grande área, a pelota se encontra a alguns centímetros do chão, sem raciocinar o ‘Cabelo de Fogo’ se atira rente ao gramado como um jogador de vôlei. Ninguém entende o que ele pretende.
Mas Nunes alcança a bola antes que ela beije o gramado (foto) e a golpeia por baixo encobrindo toda a defesa gaucha que observa estática. A bola sobe, sobe e desce mansamente nas redes inimigas. A orquestra e o seu solista observam a obra prima. 3×2!
Algumas horas depois, o gol é repetido inúmeras vezes no Fantástico.
O capitão Edson Gaucho recebe a taça do prefeito de Olinda. A Orquestra alvirrubra agradece.
Finalmente, uma decisão acertada da nossa diretoria. Kuki
tudo que tinha que dar no náutico já tinha dado. Desejo de
coração muita sorte para vc. Tenho certeza que esta decisão
tem o dedo de André Campos é muita competência para um
dirigente só. Graças a Deus ele está de volta para arrumar a
nossa casa. Com o colegiado de volta e KUKI fora do náutico
hoje tem casa cheia.
estive preente neste jôgo,que bela partida!,vençamos hoje, e dediquemos esta vitória ao inesquecivel zequinha,miauuu!