IMPRENSA

‘A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia.

Era lamentável folhear os jornais brasileiros no período do Estado Novo e da Ditadura Militar (FOTO).

Mas a liberdade de imprensa não significa imparcialidade. As pessoas muitas vezes imaginam que as notícias são iguais em todos os jornais, porém nada mais distante da verdade. A mídia reflete seus dirigentes, sua audiência e suas preferências.

Em outros países tal fato ocorre às claras. Nos EUA quem folheia um jornal sabe antecipadamente se ele defende os democratas ou os republicanos. No Brasil os limites são menos visíveis e durante muito tempo quem assistia o Jornal Nacional imaginava que a TV Globo era filial das sagradas escrituras: Só dizia a verdade.

Mas o que é a verdade?

Em condições normais de temperatura e pressão, São Paulo e Náutico se encontraram no último domingo para jogar. O time paulista é superior ao alvirrubro a começar pelo seu contracheque, passando por sua administração profissionalizada desde os anos 50 e até no PIB do estado, inúmeras vezes superior ao de Pernambuco. Ou seja, o São Paulo era franco favorito. Cabia ao Náutico jogar fechado, sério e arriscar um gol nos conta ataques. Exatamente como foi o jogo Genova e Milan no campeonato italiano algumas horas mais cedo.

O Milan venceu por 3×0 fora de casa, Kaká fez dois gols e o Genoa comemorou a volta à primeira divisão ciente do fato de que este ano é para arrumar a casa. Seu objetivo é não cair e se possível beliscar alguma competição européia.

Enquanto isso no Brasil o Náutico segurou o São Paulo 55 minutos, Hamilton fez uma falta violenta em Souza, Acosta chegou empurrando Souza e foi expulso. Depois o São Paulo marcou 5×0.

Tudo certo?

Vamos checar as manchetes na mídia sobre os fatos.

Estado de S. Paulo: Acosta dá uma tapa em Souza e é expulso.

Folha de S. Paulo: Acosta dá um carrinho violento em Souza e é expulso.

Diário de Pernambuco: Juiz Wagner Tardelli passa ‘desapercebido’ na partida.

SportTV: Se o juiz expulsou Acosta pelo empurrão deveria ter expulsado Souza.

Parece até que foram cinco jogos diferentes.

O jogador Acosta foi irresponsável no lance. É lógico. Mas vamos imaginar um cenário diferente. Um zagueiro tricolor atinge Maurício por trás, Maurício se levanta rápido para revidar e acerta uma cotovelada no juiz, Souza chega por trás e empurra o jogador alvirrubro que malandro se esborracha no chão.

Muito provavelmente o jogador do Náutico levaria um amarelo por simulação. Ou seria expulso por tentativa de agressão.

Não critico a mídia sulista. Eles estão cuidando dos interesses deles, cientes de que são observados de perto pelas torcidas deles e torcem pelos mesmos times aos quais dão cobertura jornalística. E são tão apaixonados como nós. E a paixão é cega.

O Corinthians gastou rios de dinheiro e apanhou duas vezes do Náutico este ano. Os jornais endeusam o novo técnico do timão Zé Augusto.

O Santos apanhou do timbu em casa: Para eles Petkovic é um craque na flor dos seus 30 e tantos anos. Luxemburgo é o Messias.

Que bom que eles venceram pelo menos uma vez, senão iam ter psicose maníaco-depressiva.

Não desejo com isso modificar a liberdade de nossa imprensa, nem querer que nossos locutores e comentaristas mintam sobre a nossa realidade.

Mas quando se enfrentam um pretenso Golias e o meu amigo Davi eu sempre vou torcer pelo Davi. Eu sempre vou ser fã do pernambucano Nelson Rodrigues.

Pois Davi é meu amigo, só tem uma pedra para se defender e o juiz é compadre do seu adversário.

E quando Davi vencer é capaz de a imprensa dar a seguinte notícia:

“Um covarde timbu massacrou de mãos vazias, covardemente, trezentos valentes sãopaulinos.”

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