HISTÓRIA

O grande Lucídio Oliveira narrou dias atrás a estranha manchete do Diário da Noite relativa ao título alvirrubro de 1950.

Uma manchete e uma matéria que simplesmente ignoravam o campeão.

Totalmente tendenciosa.

Talvez a matéria mais absurda do jornalismo pernambucano em todos os tempos.

Fui atrás da manchete e ela está aqui.

Uma manchete que hoje completa 57 anos!

E reproduzo novamente a matéria de Lucídio Oliveira.

É um caso de ver para crer!

A MANCHETE DO DIÁRIO DA NOITE

POR LUCÍDIO OLIVEIRA

Na segunda-feira 22 de janeiro, dia que se seguiu ao domingo da final, o campeonato invadindo o novo ano, o Diário da Noite dedicou, como é natural, boa parte de sua página esportiva ao jogo da véspera

O editor de esportes, ou, sei lá, o repórter encarregado da cobertura da partida, indiscutivelmente um jogo importante, não ia com a cara do Náutico. Talvez um desentendimento qualquer com algum diretor do clube, tenha sido a razão para proceder da maneira como o fez. Mas isso de modo algum justifica o tratamento que foi dispensado ao time campeão da temporada.

Começa pelo título da matéria: “O América devia ser o Campeão!”

Por quê? Não explica. Nem a melhor campanha dos alvirrubros – o maior número de pontos, o melhor ataque, a melhor defesa, o artilheiro do campeonato -, muito menos as duas vitórias seguidas [a melhor-de-três fois assim: 1x1, 3x1 e 3x2] serviram para que o autor da matéria escrevesse diferente. Tudo bem, afinal gosto não se discute, e a análise de um jogo de futebol, mesmo por um profissional de quem se espera isenção, é sempre um ato subjetivo. Mas, o que a reportagem não consegue esconder, é a má vontade do repórter.

A equipe e os jogadores do Náutico, individualmente, são, todos sem nenhuma exceção, simplesmente ignorados na reportagem! No espaço reservado à escalação dos times, apenas o do América. E, em nenhuma parte da matéria, o nome de qualquer jogador alvirrubro! Um absurdo sem tamanho. Como jornalismo, uma coisa inacreditável.

O absurdo chega a tal ponto que, sequer nas legendas das fotos, aparece o nome dos “malditos” jogadores alvirrubros. Em uma delas, está escrito: “Defesa de Borracha [era o nome do goleiro do América], cortando com maestria um ataque dos contrários.” Os “contrários” era o time do Náutico, a equipe campeã do ano!

Outra, tem uma legenda ainda mais incrível: “Procópio, com firmeza, impede um avanço dos adversários, conduzindo a bola para seus companheiros avançados, que praticaram o melhor futebol”. Aqui, do mesmo modo, quando o jornal registra o termo “adversários”, refere-se aos jogadores do Náutico, os legítimos campeões da temporada. Parece mentira, mas é a mais pura verdade.

A descrição dos gols tem também o mesmo tratamento absurdo. Verdadeiras “obras-primas” jornalísticas, a descrição do primeiro e do terceiro gols, o segundo não reproduzido aqui, mas não escapando contudo do mesmo artifício de ter o nome do autor – jogador do Náutico! – grosseiramente omitido: “O placar foi inaugurado aos onze minutos do jogo, com um arremesso sem grandes pretensões do meia-direita alvirrubro”. Mais adiante: “Aos 28 minutos [já estamos no 2º-tempo], o meia-esquerda local [o jogo estava sendo disputado nos Aflitos] consignou o terceiro e último tento para seu clube.”

Para os futuros historiadores do nosso futebol, e para os pesquisadores que por ventura se defrontarem um dia com essa edição “histórica” do Diário da Noite, vai aqui a minha despretensiosa ajuda. A escalação do time do Náutico que, naquela tarde de janeiro de 1951, se sagrou legitimamente campeão pernambucano de 1950: Vicente, Sidinho e Lula; Dico, Gilberto e Jaminho; Fernandinho, Ivanildo, Bororó, Amorim e Zeca.

E, a título de bonificação, os nomes, omitidos na fantástica reportagem, dos autores dos três gols que deram o título ao clube dos Aflitos, os heróis daquele jogo decisivo. Pela ordem: Ivanildo, Fernandinho e Amorim.

Agora fica fácil para o leitor.

De acordo com a reportagem do jornal, o autor do primeiro gol, o meia-direita que dera “um arremesso sem grandes pretensões”, é nada menos que Ivanildo, o conhecidíssimo e consagrado Ivanildo Espingardinha. O autor do terceiro gol, por sua vez, foi Amorim, o artilheiro do campeonato.

Quanto à escalação do América… ah, não precisa deixá-la aqui registrada. Está lá inteirinha da silva, de Borracha, o goleiro, a Wilton, o ponta-esquerda.

Tudo direitinho, de acordo com o figurino da boa técnica jornalística, na reportagem completa do Diário da Noite, edição histórica de 22 de janeiro de 1951.

Uma resposta a HISTÓRIA

  1. Robson Ferreira de Souza Junior disse:

    Essa imprensa rubronegra não tinha e não tem limites, pois, como no passado as glorias do nosso Nautico são infini tamente memos divulgadas que as conquista da coisa ruim, mais fazer o que inveja mata e eles sempre morreram deciumes e vão continuar morrendo,agora no tocante a essa musica do antonio de paula ou está havendo um erro historico ou ele é um torcedor da viralata de peruca por chamar a coisa disso que ele classifica só sendo doido ou torcedor burronegro.Quanto a cota da televisão tem que realmente se impor e se a RECORD está querendo investir é chegada a hora da virada e negociar diretamente com a RECORD, no tocante aos fujões não da para alisar tem que treinar em separado e logo tentar negociar esses trairas, pois, todos nós nos lembramos do Jorge Henrique, que fez o que fez foi perdoado volto não jogou mais nada e naquela epóca foi fator preponderante para não subirmos naquele ano.o que eles fizeram não tem perdão tem que vendelos logo.

  2. Antonio de Padua disse:

    .
    musica. vamos ver se pega

    1 vou torcer pro nautico ser campeao…

    2 o meu aflitos o caldeirao

    3 contra o sport monumental, um gol de kuki sensacional.

    ou 3 contra o sport monumental, tocida fanautico
    sensacional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


9 − = 7

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>